Manuscritos estocados em Setembro do Anno 2007 de Nosso Senhor
18 de Setembro de 2007

Arthur

MP3

Quando nasceu meu sobrinho Arthur Cantos, há cinco anos (parece que foi ontem etc), coincidiu de eu estar com muita empolgação no coração e muito tempo nas mãos. Compus para celebrar o nascimento dele uma suíte de músicas com aspirações a trilha sonora: As aventuras de Arthur no século XXI.

Esta é a primeira música do álbum, o tema do Arthur. Como nada se transforma, mais tarde reciclei exatamente a mesma base de acordes no Tema obstinado para uma pessoa que talvez nem exista.

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17 de Setembro de 2007

Você não acredita para onde vai

Heresias Sensacionais

É no entanto coisa inteiramente natural para os seres humanos crerem no purgatório, pois é conceito completamente lógico e justo – mesmo sem levar-se em conta que trata-se de doutrina católica transmitida a nós pelos apóstolos e que aparece também nas sagradas escrituras. Hoje em dia pode soar como revelação para muitos católicos que para ser católico é preciso acreditar-se na existência do purgatório, pois a existência do purgatório é dogma da Igreja, e para ser católico é preciso endossar todas as doutrinas que a Igreja estabelece como dogmáticas.

A verdade é a verdade, não importa o que alguém pensa ou acredita sobre o assunto. Que muitos não falem hoje em dia a respeito do purgatório não esvazia a sua realidade. O purgatório existe, porque a Igreja ensina que existe, e foi Cristo que o ensinou à Igreja.

As almas dos protestantes sofrem por mais tempo e com maior intensidade no purgatório.

Sabemos que os “reformadores” protestantes do século XVI rejeitaram a doutrina católica do purgatório, embora, como admite Calvino, tenha sido sempre uma crença comum. A venerável Anne Catherine Emmerich discorre com freqüência sobre o purgatório, e dentre as suas revelações uma das mais tristes é que as almas dos protestantes sofrem por mais tempo e com maior intensidade no purgatório, por contarem normalmente com poucos amigos e parentes para orarem por eles. Os “protestantes” que salvam suas almas mas não merecem o céu diretamente acabarão no purgatório como todo mundo. O fato de não crerem no purgatório não os absolve da necessidade de irem para lá. A verdade de Deus permanece a verdade, não importa o que nós como indivíduos possamos crer a respeito.

Thomas A. Nelson, na sua introdução ao Purgatório do padre F. X. Schouppe

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Simplesmente uma nova vida

16 de Setembro de 2007

A teoria literária

Manuscritos

3

A teoria literária já determinou que o único componente fundamental de uma narrativa é o conflito.

O esqueleto fundamental ao redor do qual cresce a carne de todas as histórias é o mesmo: (1) no primeiro momento, está tudo bem; (2) no segundo, surge um conflito; (3) no terceiro momento, o conflito é resolvido ou não.

Nesse intervalo cabem todas as histórias da Terra, contadas ou não, das tragédias gregas à novela mais recente da televisão.

O conflito é uma tensão que surge na história para apertar a vida do protagonista. Romeu e Julieta se amavam, mas suas famílias se odiavam. Indiana Jones queria paz, mas os nazistas estavam querendo colocar suas mãos na Arca Perdida. Jack e Rose estavam dispostos a investir tudo no seu amor, mas no meio do caminho tinha um iceberg. Frodo era um hobbit pacato, mas em seu caminho havia um Anel.

O conflito não apenas faz a história avançar: ele é a sua razão de ser. O conflito é o sopro de vida da narrativa – para a história, o conflito é uma graça paradoxal.

Sem conflito não haveria história.

15 de Setembro de 2007

Adão era

Manuscritos

2

Adão era, entre coisas, o homem mais bonito da Terra.

A beleza é uma espécie primal de graça. É muito conveniente, na verdade, que graça signifique, basicamente, beleza. Poucas coisas são tão descaradamente gratuitas quanto a beleza. Em sua forma pura, talvez a sua única, a beleza não existe condicionalmente nem como recompensa. É arbitrária, imprevista, fora de propósito. A beleza é.

Antes que pudesse estremecer com a vergonha, a coragem ou a virtude, o Homem já era bonito.

Como todo mundo, Adão precisaria de tempo para fazer vir à tona as demais facetas da sua personalidade. Não sabemos, só de olhar para a estátua de barro, se há nele força moral, inteligência, perseverança, generosidade. Mas antes mesmo da consciência, que é outra espécie de graça, antes que o Homem abrisse os olhos para a beleza do mundo e para sua própria, já estava tudo, esplendidamente, lá.

Por um momento, antes de sujar as mãos de barro, apenas Deus, sozinho, contemplou a beleza do mundo e viu que ele era bom. Por um momento, no momento seguinte, apenas Deus observou em silêncio solene a beleza de Adão.

Por um momento houve apenas graça.

14 de Setembro de 2007

Era uma vez

Manuscritos