Manuscritos estocados em Julho do Anno 2007 de Nosso Senhor
25 de Julho de 2007

Casa de papel

Ilustração

Escultura de papel virtual, para ilustrador que tem mãos grandes demais para recortar e colar. Formas no CorelDRAW; texturas e volume no Painter. Clique na imagem para ampliar.

24 de Julho de 2007

A hora perdida

Sonhos

Eu caminhava na divisa entre o sono e a vígilia, procurando o reino das formigas com asas, quando me deparei com uma gaiola dourada banhada pela luz do entardecer. Dentro da gaiola havia uma ave fabulosa com o porte e a aparência de uma arara, mas que ostentava uma plumagem translúcida de um colorido formidável: verdes incrivelmente luminescentes com toques de amarelo candente e vermelho.

Olhando para o animal enjaulado intuí logo que aquela, incrivelmente, não era apenas uma ave; era ao mesmo tempo uma hora do dia, uma hora de todos os dias da minha existência, bela, incandescente e aprisionada ali diante de mim. Entendi que por mais belo que fosse contemplar aquela visão capturada de bem-aventurança, cabia a mim a terrível responsabilidade de libertar de sua prisão e ave e a hora do dia que ela representava - caso contrário ambas permaneceriam ociosas, estéreis e infrutíferas naquele dia e por todos os dias para sempre.

Decidi então que libertaria imediatamente a ave magnífica e sua magnífica hora perdida. Gastei uns últimos instantes desfrutando da beatitude do seu cativeiro, e acordei do sonho antes que pudesse estender a mão na direção da gaiola.

23 de Julho de 2007

O livro de Raziel

Goiabas Roubadas

ADÃO: O livro de Raziel

Depois de ser expulso do Paraíso Adão orou a Deus com as seguintes palavras:

– Ó Deus, Senhor do mundo! O senhor criou o mundo inteiro para honra e glória do Poderoso, e fez da forma que lhe agradou. Seu reino é por toda a eternidade, e seu reinado por todas as gerações. Nada lhe está oculto, e nada escondido dos seus olhos. O senhor criou-me como obra das suas mãos, e estabeleceu-me como governante sobre as suas criaturas, para que eu exercesse domínio sobre as suas obras. Porém a ardilosa e execrável serpente seduziu-me com desejo e com lascívias; seduziu, é verdade, a esposa do meu coração. O senhor, no entanto, não revelou-me o que sobrevirá a meus filhos e às gerações depois de mim. Sei muito bem que nenhum ser humano é capaz de ser íntegro aos seus olhos. E que é minha força para que eu me coloque na sua presença com rosto impudente? Não tenho boca com que falar nem olho com o qual ver, pois verdadeiramente pequei e cometi transgressão, e por causa dos meus pecados fui expulso do Paraíso. Devo arar a terra da qual fui tomado, e os demais habitantes da terra, os animais selvagens, não mais, como antes, demonstram assombro e temor diante de mim. A partir do instante em que comi da árvore do conhecimento do bem e do mal a sabedoria me abandonou: sou um tolo que nada sabe, um ignorante que nada compreende. Agora, misericordioso e gracioso Deus, peço que volte novamente a sua compaixão ao cabeça das suas obras, ao espírito que instilou nele e à alma que soprou nele. Venha ao meu encontro com a sua graça, pois o senhor é gracioso, tardio em irar-se e pleno de amor. Que a minha oração alcance o trono da sua glória, e a minha súplica o trono de sua misericórdia; que o senhor se incline na minha direção com amor. Que as palavras da minha boca sejam aceitáveis, e o senhor não dê as costas à minha petição. O senhor é desde a eternidade e será até a eternidade; era rei, e será rei. Tenha agora misericórdia da obra das suas mãos; conceda-me conhecimento e compreensão, para que eu saiba o que sobrevirá a mim, à minha posteridade e a todas as gerações que virão depois de mim, e o que me sobrevirá a cada dia e a cada mês. Não negue a mim o auxílio dos seus servos e dos seus anjos.

No terceiro dia depois que Adão ofereceu essa oração, enquanto sentava às margens do rio que flui do Paraíso, apareceu a ele, na hora mais quente do dia, o anjo Raziel, trazendo nas suas mãos um livro. O anjo dirigiu-se a Adão com as seguintes palavras:

– Adão, porque está tão desanimado? Porque tão aflito e ansioso? As suas palavras foram ouvidas no momento em que, entre apelos e súplicas, você as proferiu, e recebi a incumbência de ensinar-lhe palavras puras e compreensão profunda, de torná-lo sábio através do conteúdo do livro sagrado que trago nas mãos, e de dar-lhe a conhecer o que irá lhe sobrevir até o dia da sua morte. Quanto a todos os seus descendentes e todas as gerações posteriores, se lerem este livro em pureza, com um coração devoto e uma mente humilde, e obedecerem aos seus preceitos, tornar-se-ão como você: eles também saberão de antemão o que acontecerá, em qual mês e em qual dia ou qual noite. Tudo estará manifesto para eles: saberão e compreenderão se uma calamidade está por vir, uma fome ou animais selvagens, inundações ou seca; se haverá abundância de grão ou escassez; se os perversos governarão o mundo; se gafanhotos devastarão a terra; se os frutos cairão das árvores ainda verdes; se furúnculos afligirão os homens; se guerras predominarão, ou doenças ou pragas entre homens e gado; se o bem foi resolvido no céu, ou o mal; se o sangue fluirá, e o rumor de morte dos abatidos será ouvido na cidade. E agora, Adão, venha e dê ouvidos a tudo que lhe direi a respeito da natureza deste livro e da sua santidade.

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21 de Julho de 2007

Música ambiente

Fotografia

20 de Julho de 2007

O executivo que defecava dinheiro

Ilustração

Estrogonoficamente sensível homenagem a O cavalo que defecava dinheiro, o inoxidável cordel de Leandro Gomes de Barros.