27 de Agosto de 2006

Últimas parábolas

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Gírias e Falares

Inofensivo é quem não dá motivo de ofensa. Fui inofensivo tempo demais.

* * *

Escapar é fugir deixando a capa para trás, como José da mulher de Potifar.

* * *

Fazer a barba no sentido de apará-la é resquício de um tempo sensato em que todos os homens tinham barba e iam ao barbeiro fazer a barba – tratar dela e apará-la, como hoje em dia as mulheres ainda fazem os pés e as mãos.

Pe. Manuel Bernardes: El Rei D. João II de Portugal, vendo preso um homem de baixa sorte, que tinha as barbas muito crescidas, disse: Soltai-o logo, e dai-lhe quatro mil réis para fazer a barba.

* * *

Palavra vem do latim (emprestado do grego) parábola, no sentido de “comparação”.

Jesus só falava em palavras.

Em português já escreveu-se palavla, palavoas, paravr’, palauras, paravõas, palabras e palaurra.

* * *

Embora vem de em boa hora, de um tempo em que se costumava dividir o tempo em horas boas e más.

Gil Vicente: Paga-lho seu, embora ou ma hora.

Ir embora é ir em boa hora.

Vou embora.



Um comentário a respeito de "Últimas parábolas"

hernan

Logo, a “Parábola” (Palavra) de Deus deve ser talvez uma referência daquilo que não se pode referir ou, como disse o Paulo (não o Brabo, mas o apóstolo), do inefável.



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