11 de Dezembro de 2006

Tocaiado pela beleza

Submetido a voz de prisão por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas, The Net

Para meu eterno demérito fui tratado (eu, a farsa) com toda a deferência que não mereço: acolhido, alimentado, paparicado, mencionado, incluído, aceito e estimulado. Eu, que já devo tanto, vivo agora debaixo do débito adicional que me impuseram duas casas de anfitriões e suas respectivas audiências. Dois assinantes da Bacia que eu não esperava ter conhecido pessoalmente se materializaram magnificamente no interior do meu abraço: o Vinicius de Maringá e o Agente Faustini do Serviço Secreto de Sua Majestade. Todas as portas se abriram para o homem que abria portas: neste mundo a beleza é comum.

Não tenho vocação para iconoclasta. Até os trinta eu cria, sob a influência de Macedonio Fernández, que a beleza é privilégio de uns poucos autores; agora sei que é comum e que está à espreita nas páginas casuais do medíocre ou num diálogo de rua. Assim, meu desconhecimento das letras malaias e húngaras é total, mas estou seguro de que se o tempo me oferecesse a ocasião de seu estudo, encontraria nelas todos os alimentos que requer o espírito.

Jorge Luis Borges, Sobre os clássicos, em Outras Inquisições

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O evangelho de Borges



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Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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