Meu genial parceiro inglês, o produtor de teatro/cenógrafo/ilustrador Julian Crouch, que vasculhou comigo o sertão do nordeste durante a célebre Expedição Cordel, escreveu-me esta semana.
. . . Paulo,
Fiz semana passada um trabalho em conjunto com um amigo meu, o ator Toby Jones, que também escreve um pouco.
Um homem chamado David Jubb havia me pedido para produzir alguma coisa para o seu teatro, The Battersea Arts Centre, a fim de celebrar os seus 25 anos de produções. David estava organizando uma noite com uma série de peças de cinco minutos sobre o tema O INCÊNDIO DE LONDRES.
Eu estava ocupado demais para preparar um espetáculo, mas ofereci algumas xilogravuras para fazerem parte de um impresso que ele poderia distribuir aos espectadores. Eu não tinha tempo para escrever o texto por isso por isso ofereci a tarefa a meu velho amigo Toby Jones, que eu sabia ter uma especial apreciação por histórias forjadas. Ele está sempre viajando pelo mundo, desta vez promovendo um filme nos Estados Unidos, e entre uma coisa e outra filmando outro na Polônia e na Alemanha. Concordamos por telefone que ele contaria a história de uma companhia de teatro fictícia, a respeito da qual muito pouco se sabia ao certo. Decidimos que não nos esforçaríamos demais para casar o texto com as ilustrações. Ficou também decidido que David Jobb serviria de editor e escolheria o leiaute do livro (no final decidimos fazer três livrinhos). A única coisa que pedi é que os livros fossem do tamanho de um folheto de cordel.
“A única coisa que pedi é que os livros fossem do tamanho de um folheto de cordel”.
A noite foi formidável. . . uma noite divertida e empolgante, com espetáculos espalhados por todo o edifício. Nossos livros foram distribuídos por um homem queimado que trazia nas mãos um balde, e não parava de tossir. O interessado tinha de persuadi-lo a lhe entregar um livro. O ator fez bem o seu trabalho. Os livros acabaram tornando-se como que itens de colecionador: gente trocando, tentando obter o segundo volume antes do final da noite, aquela coisa. Não tenho certeza de que alguém tenha conseguido lê-los propriamente naquele ambiente, mas nem uma cópia foi deixada no chão, e imagino que tenham sido todos lidos nos ônibus noturnos até encontrarem seu destino nas privadas do banheiro de cada um.
De qualquer modo, como você sabe, esses livrinhos nunca teriam sido feitos sem nossas aventuras de um ano atrás. . . Naturalmente que reaproveitei todas as minhas velhas xilogravuras. Sinto enorme prazer em reusar imagens antigas, em recortar e colar. Há muito da nossa história nessas imagens.
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bete
co-mo-ve-dor.
Sérgio Scombatti
Paulo:
O primeiro cordel inglês – quem diria… Simplesmente genial.
Lou Mello
Inglês fazendo cordel e com essa consciência. Só falta, agora, você ensiná-los a jogar bola e fazer caipirinha.
Jamille
Gostei muito do site!