Permita-me reapresentá-lo a Leroy Anderson (1908-1975), ilustre desconhecido, compositor norte-americano cuja especialidade era música clássica ligeira – aquela facção pop da música de concerto caracterizada por ritmos imediatamente cativantes e melodias fáceis de digerir, e que existe a um perigoso passo da música de elevador.
Digo reapresentar porque você já conhece a música do sujeito se viu Jerry Lewis tocando seu concerto para máquina de escrever em Errado pra Cachorro (Who’s Minding the Store?, 1963).
Sem contar essa consagração universal de The Typewriter, você certamente não escapou ou não vai escapar de ouvir, em algum momento e alguma versão, outras manjadíssimas composições de Leroy – coisas como O Relógio Sincopado e a natalina Sleigh Ride.
Em sua inequívoca americanidade, Leroy Anderson é uma espécie de versão musical do pintor Norman Rockwell. Os filmes de Hollywood, embalados pelo visual idealista de Rockwell e por trilhas açucaradas como as de Leroy, ajudaram a dar forma ao irresistível mito americano. A música de Leroy já era nostálgica na época em que foi produzida, exatamente como as pinturas de Rockwell e, naturalmente, os filmes de Jerry Lewis. Juntas, essas iniciativas artísticas ajudaram a inventar uma tradição – e criaram retroativamente uma inegociável América da idade do ouro, com suas cidades pequenas, corações puros e valores imortais.
Minha composição favorita de Leroy Anderson é a singela Forgotten Dreams (“Sonhos esquecidos”, 1954), cuja melodia, nostálgica até a náusea, evoca precisamente essa era ao mesmo tempo perdida e inexistente em que ainda se sonhava com finais felizes.
Da série Música que você não ouviria se não fosse aqui:
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Clipe de áudio: Forgotten Dreams, Leroy Anderson
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Sáite oficial (em inglês), com biografia e outros clipes de música:
Leroy Anderson Official Website



Paolo
Ao início queria só escrever que “The Typewriter” é bem conhecida na minha cidade, porque é a música do programa de notícias duma televisão local. Depois disso, li o ano da segunda música.
Pois, 1954. Naquele ano a televisão começou chegar nas casas dos Italianos, mudando inexoravelmente a língua, a sociedade e os sonhos do meu País.
A última fotografia que postei no flickr é do 1954. Pequena coincidência. Estava pensando a essas coisas quando cheguei no teu blog, e acho que Forgotten Dreams é perfeita para tudo isso.
Já não me surprende que La7, o canal onde foi gravado o clip do filme, é um canal televisivo italiano.
Lou Mello
Esse post chegou muito perto de ser perfeito. Pena que o quadro com o You Tube tenha ficado meio milímetro mais para a direita. Bom, mas ai já é querer demais.
Alice
Müsica linda, Paulo. Obrigada.
hernan
Gostei.