Conta-me por e-mail a Débora Viana, de Pernambuco, que chegou à Bacia graças a um texto meu que encontrou – improbabilidade das improbabilidades – na prova de português do concurso do Tribunal Regional do Trabalho do seu estado.
Achei num primeiro momento que teria de ter havido alguma confusão, mas sempre esqueço que o fim do universo é a permutação, ou seja, a improbabilidade. O texto está de fato lá, nas cinco variações da prova para Analista Judiciário (Área Judiciária) do TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 6ª REGIÃO, de setembro de 2006.
Está aí a Fundação Carlos Chagas que não me deixa mentir sozinho. Qualquer um dos cinco primeiros links da página remetem a um arquivo pdf com as 12 páginas da prova; a Bacia é mencionada de passagem na página 4.
Você pode querer mesmo tentar responder às perguntas referentes ao texto (“depreende-se pela perspectiva assumida pelo autor que individuação…” ou “as normas de concordância estão plenamente respeitadas na frase…”); eu não ouso. Não estou nem mais certo de que meu “salvo engano” quer dizer mesmo “sem qualquer hesitação”, como achava na primeira leitura de uma das perguntas. Tenho até receio de consultar os gabaritos.
Clique aqui para ver a página inteira.
De maior interesse para mim é que o anônimo elaborador da prova acho necessário adaptar o texto antes de considerá-lo universal o bastante para ser usado no teste. O texto utilizado, como terá percebido o leitor impenintente, é uma adaptação compassiva de quatro ou cinco parágrafos do documento que leva, aqui na Bacia, o nome de O bicho. Está certo, o elaborador pode ter julgado acertadamente que “Individuação” fica mais classudo. Ele achou ainda por bem consertar outras coisinhas, especialmente no último parágrafo, onde na versão da prova fica especialmente conspícua a ausência do termo “pecado”.
Porém o espírito da coisa, salvo engano, está todo aí.
* * *
NOTA DE RODAPÉ: Depreende-se pela perspectiva assumida pelo autor que ele está agradecido à Débora pela oportuna notificação.
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Lívia Farah
Brabo, direitos autorais em cima dessa gente!!
Eles tinham que ter, pelo menos, citado o seu nome e o endereço do site.
Mas, colocando o juridiques de lado, deve ser no mínimo estranho, pra não dizer espantoso, ver um texto próprio sendo destrinchado por professores de português.
hernan
Que legal Paulo! Legal mesmo. Sinto orgulho de você.
Não me admira que isso tenha acontecido. Seu talento no manejo da pena e a qualidade de suas idéias ainda serão reconhecidos por muita gente bem mais competente que eu, pois que de longe já vi que você é um cara incomum.
Quanto ao concurso, eu mandaria ver na “C”.
Não posso descrever a ansiedade com que aguardo a vossa Palavra de Almeida.
Abs
bete
Aconteça o que acontecer, não vamos olhar o gabarito!
hernan
Rapaz, apesar de ter chutado a 20 (não sei porque, nunca sei usar os porquês) acertei todas!
E não estou me gabando pelo gabarito…
Lou Mello
Meu caro, ainda não sei se lhe parabenizo ou lhe consolo. Li, várias vezes, suas linhas e não consegui descobrir qual o seu sentimento em relação ao acontecido. Talvez, seja isso mesmo: sentimento de dúvida.
Concordo com os comentários. Seus textos são muito bons e, certamente, voarão tão alto quanto as águias (esse eu colei da bíblia). Muitos anos à frente você se pegará dizendo à uma platéia jovem que no tempo em que haviam os infames concursos, chegaram a utilizar textos seus sem autorização prévia. Isso é uma vergonha. (copiado do Boris)
bete
Concordo Lou, uma vergonha. Mas uma maravilha pra mim, estar aqui no centro de uma discussão tão bacana e histórica, seguramente histórica.
Silvana
A adaptação do texto pode ter sido também uma tentativa de evitar um processo por violação de direitos autorais, que acho que não vai funcionar se você acionar um advogado especialista, Paulo. Custava terem te procurado aqui na Bacia para pedir uma autorização para publicar?
Não vejo graça em órgãos ligados ao governo fazendo esse tipo de coisa.
André Antonio
A internet ainda é terra de ninguem! E eu acredito que a banca do concurso ainda colaborou com a missão da Bacia: reformulação eterna das idéias do Paulo!
rubens osorio
Salvo engano, eu não sou bobo de fazer o teste. Ainda mais agora, que o Hernan gabaritou.
Sua fama (do Paulo) já é conspícua e universal. Por outro lado, sinto certo pesar por não mais ser um dos iniciados que tem acesso à Bacia, esta virou “carne de vaca” (?).
Acho que voce deve começar novo blog, do zero, e deixar a passageira fama de lado.
Salvo engano.
Jaime
Parabéns! A Bacia das Almas está virando um clássico. Merecidamente…
Farah
Acho que tenho que tomar mais cuidado com o que escrevo por aqui!
(Paulo, aqui entre nós, falando bem baixinho, estamos sendo monitorados)
hernan
Estamos sendo acompanhados pelo Tribunal do Trabalho. Se eu me aventurar a fazer qualquer reclamação trabalhista contra minha empresa terei de tentar justificar o tempo que gastei lendo e comentando a Bacia, ja que devia estar trabalhando.
Ronei jr
hehehhehehe, nada mais inspirador para uma prova… vai que o sujeito sai correndo da sala, corta a orelha e começa a pintar postes de amarelo…
Jo Lorib
Estou lembrando uma crônica do Fernando Sabino, onde vai ao dicionário tirar uma dúvida e encontra, espantado, como exemplo do uso da palavra um texto seu.
Débora, a delatora
Fiquei surpresa com a sua surpresa, também concordo que teria que ter sido, no mínimo, consultado. Mas confesso, que fiquei muuuuuuuuuuuuuuuito feliz, porque através desse ato infeliz da Fundação Carlos Chagas, passei a conhecer os seus excelentes textos. “Da lama nasce a flor de lótus”, ainda bem. Grande abraço.