04 de Novembro de 2006

Salvo engano, de novo

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em The Net

Uma busca mais ou menos aleatória no óraculo de Google revelou-me que a Bacia está em mais uma prova da Fundação Carlos Chagas, no teste de português de um concurso público da Secretaria de Planejamento do Maranhão.

Não é a primeira vez que acontece, mas a presença da Bacia é desta vez quase literal. Dois parágrafos do documento A Bacia aparecem mais ou menos como os escrevi (exceto que eu jamais diria “blague”, mesmo que soubesse o que significa) dentro de outro texto a partir do qual foram elaboradas as perguntas de interpretação.

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No lado positivo, a Bacia é mencionada como “um interessante site da internet”; no negativo, não se menciona o nome ou o endereço do dito. No lado positivo, meu texto é declarado “tão sugestivo” e citado ao lado da lembrança de um poeta famoso; no negativo, meu nominho não aparece.

No freudiano, as perguntas elaboradas a partir do trecho terminam o que eu mesmo comecei, e transformam em mitologia tanto a minha relação com meu pai quanto a mania dele de xingar os outros de “poeta”. Algumas referências notáveis:

  • no contexto em que surge, a expressão Ele lê furiosamente caracteriza bem o desagrado que marca a eventual relação do pai com textos poéticos.
  • ao filho não pareceu coerente que expressões tão sugestivas fossem criadas justamente por quem tinha o hábito de desancar os poetas.
  • a utilização e o nome que o pai determinou para a bacia de alumínio revelam sua sensibilidade tanto para aquilo que parece não ter valor quanto para a imagem poética.
  • o texto da internet revela a sensibilidade do filho também, sendo que este soube apreciar o gesto do pai e ainda assim valorizar o poético batismo da bacia de alumínio.

Como denunciou a Alice, a Bacia é na vida real uma gamela de madeira e não uma bacia de alumínio. Agora todos os candidatos a primeiro tenente do Maranhão ficarão com a impressão errada sobre mim, meu pai, e a natureza do universo.

A culpa é do Belisário, quem quer que seja – aquele poeta.

Leia também:
Salvo engano



4 Comentários a respeito de "Salvo engano, de novo"

Silvana

Paulo, o que é que você está esperando pra processar a Fundação Carlos Chagas por uso não autorizado dos seus textos? Isso já está passando dos limites… :roll:



Marcos Vasconcelos

Paulo,

Concordo com a Silvana. Pelo visto esses caras já roubaram goiabas suficientes pra fazer uma goiabada… roubada. E ainda lucram com o trabalho dos outros.

É muita cara de pau.

Fortíssimo abraço.



Khalil

Acho que você devia perdoá-los.



hernan

Estou inscrito num concurso da Vunesp. Espero que coloquem um texto seu para análise.



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