NO MUNDO ANTES DA INTERNET, do qual alguns talvez ainda se recordem, a regra editorial era invariavelmente escolher, depois publicar. A oferta possível de conteúdo não era pequena, mas jornais e revistas tinham de atirar em todas as direções e acertar: como a idéia era atingir e conquistar o público mais amplo possível, o conteúdo tinha de ser variado e seletivo o bastante para agradar a todos os tipos de leitores – mesmo que fosse uma coluna de cada vez. Por essa razão o dilema dos editores sempre foi escolher o que descartar, já que as limitações de espaço e a variedade do público-alvo ditavam a configuração do conteúdo.
Corta para os dias atuais. A web reverteu formidavelmente esses recatos de austeridade. Com os custos de publicação e distribuição reduzidos a praticamente zero, o que vale agora é o oposto: publicar, depois escolher – ou, dito de outra maneira, o papel serviço sujo do editor foi transferido para o leitor. É o leitor, neste mundo novo soçobrando de informações, que se vê obrigado a decidir o que descartar.
Foi-se o tempo em que você comprava um jornal inteiro para ler apenas – dependendo dos seus interesses – a tira de quadrinhos, a programação de cinema, a coluna social, a página de receitas, as notícias desportivas, os índices econômicos ou o caderno de política. Hoje em dia há na internet sáites enfileirados, prontos para abastecê-lo ao ponto da indigestão com cada um desses gêneros de conteúdo, e todas as suas possíveis variantes. Há páginas da internet que versam sobre todos os assuntos que você gosta – na verdade há na internet mais páginas versando sobre os assuntos que você gosta do que você gostaria de ler. Ou poderia.
Mesmo que seu nível de spam esteja sobre controle, mesmo que você não tenha assinado a Bacia ou o bloglines, você gasta parte da sua manhã fazendo serviço de editor: decidindo quais mensagens genéricas de email – algumas delas invariavelmente interessantes e que poderiam salvar quem sabe o seu casamento, o seu crédito bancário ou a sua vida – vão para a lixeira sem serem lidas.
A oferta de informação é, pela primeira vez na história, maior do que a procura. Na vertiginosa biblioteca de Babel de Borges apenas uns poucos livros cometiam o despudor de serem compreensíveis, e um número ainda menor podia ser considerado útil ou interessante. Aqui nesta web são tantas as informações valiosas à sua disposição que toda informação perdeu, naturalmente, qualquer valor.
Esqueci onde queria chegar com esse raciocínio, mas não faz diferença. De minha parte é só clicar em Publish e passar a bola para a frente.
Não está mais aqui quem falou.



Bony
Ah! Fazia tempo que não navegava pelas águas da Bacia. Desde que retornei do implacável e chato Rio de Janeiro [22 de Jan 06].
Como você mesmo disse “a oferta é maior que a procura – pela primeira vez na história”, e com isso “as informações perderam seu valor”, navegar para ler [no meu caso] ficou muito chato. Assim, com minha chegada a maravilhosa Curitiba, optei por descansar, não navegar – salvo espalhar meu CV no site da Catho, e plantar algum filho…
Isso mesmo: a Renata está grávida. O “como aconteceu” é outra história – bem engraçada por sinal.
Abraços,
hernan
Primeiramente: Parabéns Bony!
Quanto à seleção que temos de fazer, devo dizer que os e-mails da Bacia jamais são por mim descartados. Muitas vezes os repasso a meus amigos, como farei com este. Alguns amigos, porém, certamente o eliminarão como suponho que sempre o fazem e perderão a talvez última oportunidade de conhecer este mundo de idéias penadas, já que não se sabe se amanhã estarão vivos para abrirem seu e-mail ou se eu mesmo estarei vivo para continuar a envia-los.
Pelo menos morrerei com a sensação do dever cumprido.
Luiz Henrique Mello
No início desta era, participei de um evento que reunia entidades cristãs no Vale da Benção. Fui um dos preletores. Os outros eram Ingleses de uma organização chamada Viva (acho que era isso). O pessoal brasileiro (pastores a maioria) caiu em cima deles tentando obter patrocínio (grana). Mas eles disseram: Estamos entrando na era da informação e vocês precisam aprender a transformar informação em dinheiro.
Paulo Brabo
Impressionante eles não terem cobrado por essa [informação].
Carol [kRoLzOoOm]
…confesso dispenso os e-mail das bacia ……
mas como um precioso vício, venho pessoalmente a ela diáriamente para ler o que havia entrada em minha caixa de e-mail.
pois estando aqui, sempre vasculho em mais alguns textos ….
rubens pires de lima osorio
Nem está mais aqui quem leu… Fui!!!