Fiz a ronda antes de ontem e concluí que as lagartas malditas estavam finalmente desaparecendo do pomar: em parte por algum motivo misterioso, em parte porque o Mael fez o favor (sem ironia) de detonar trocentas com a máquina de cortar grama.
Em nome da ciência, arrebanhei um punhado e coloquei num vidro com alguma folhagem com o propósito de acompanhar talvez alguma transformação (mariposa? traça? borboleta? shoggoth?) antes do desaparecimento completo dos bichos.
Eu estava no entanto muito errado quanto à sanitização iminente do pomar: ontem pela manhã dezenas de [novas] falanges de lustrosas lagartas pretas avançavam obstinadamente grama afora para lugar nenhum. Aproveitei para superpopular o meu terrário, que repousa neste momento no parapeito da janela a um metro de mim.
Nada ainda.

Este documento faz parte da série
O ataque das larvas malditas
- O ataque das larvas malditas
- Um punhado de larvas
- Pisando em larvas (ou quase)
- Como escapei de comer as larvas letais




Silvana
Afff… ainda bem que eu abri o email em jejum.
Paulo, já pensou em contatar alguma universidade, ou mesmo o Globo Rural, enviando estas fotos, pra ver se eles identificam as larvas, pra pelo menos você saber com quem você está lidando?
Paulo Brabo
Sil, mandei as fotos para o Globo Rural, que disseram não poder me ajudar e me mandaram contatar a Emater; outros sugeriram o Instituto Biológico de São Paulo. Mandei as fotos para ambos ainda aguardo resposta.
rubens pires de lima osorio
Cara, teu pé é feio que dói…
Bony
Por falar em pé…
Eu sei que o Paulão não usa sapatos, regularmente. O esquema dele é tênis detonado, bermuda estampada (ou listrada) e camiseta básica. Por isso concluo que aquele calo no mindinho é de algo atípico que exigia sapatos, como uma festa ou casamento.
Mas, quanto a unha do dedão… Ah! Pega leve no set up do cortador, desbaste apenas 1 ou 2 milímetros da borda.
Luiz Henrique Mello
Seu pé roubou a cena das coitadinhas das lagartas, mesmo. Chamei minha esposa para ver as bichinhas e ela foi logo perguntando: De quem é esse pé feio?
Paulo Brabo
Se teu pé te leva a tropeçar, corte-o fora na próxima foto.
bete
Seu terrário lembra aqueles potes de doces que existiam nas vendas de antigamente: pés de moleque, coração de abóbora, doce de leite…que eu amo. Conclusão: nunca mais vou comer esses doces, porque nunca mais vou olhar para aqueles potes com os mesmos olhos.
Tato Egg
Fiquei curioso a respeito desses bichinhos. Tão curioso que enviei uma das fotos pruns amigos biólogos. Até agora, a única resposta que tive foi essa, do meu mano:
Vc percebe o objetivo dos caras? Um monte de larva fraca, tosca, indefesa e apetitosa aos predadores, se unem em uma grande massa e se transformam em um monstro poderoso, dando um grande salto na cadeia alimentar. Assim que vi esse negócio na Bacia lembrei dos Saltimbancos cantando: “todos juntos somos fortes / somos flecha e somos arco / todos nós num mesmo barco / não há nada pra temer / ao seu lado há um amigo / é preciso proteger / todos juntos somos fortes / não há nada pra temer”.
Rejane Epstein
Paulo,
Gostei do vidro. Ficará bom com uma conserva feita pelo Milton. Quando você resolver exterminar o seu terrário, guarde-o para mim, fico-lhe grata antecipadamente.
E.T.: Claro que ele será devidamente esterelizado.
Silvana
O Bony tem razão, Paulo, não precisa cortar a unha do pé no sabugo, deixa uma bordinha.
Espero que o IB ou a Emater respondam antes que seja tarde demais…
hernan
Que exagero. É muita larva no pote! Liberte pelo menos metade.
Farah
Paulo o pote não é o lugar adequado para os seus objetivos. Vc deve passar as larvas para um vaso de preferencia grande, com terra a mais ou menos 2/3 do volume e disponibilizar folhas de diversos tipos (afinal vc ainda não sabe qual elas comem) feche com uma tela de algum tipo. Outra coisa é a população, o comentario ai em cima é correto elas se unem e se movem tentando se passar por um bicho enorme e ameaçador, como vc pode notar os passáros, para quem cada uma dessas larvas seria um pitéu, não caem matando em cima da colonia. Uma vez que a mesma é percebida como um outro bicho.
Farah
O que eu quis dizer na verdade é que a população do pote está excessiva.
Paulo Brabo
Quando as pessoas tem mais nojo do seu pé do que um punhado fervilhante de larvas asquerosas pode ser a hora de tomar alguma providência – embora eu não consiga imaginar exatamente qual.
Hernan – e Farah -, livrei ontem à tarde três quartos das lagartas do pote, e as que restam estão fazendo piquete ao som de Let my people go! Em compensação posso registrar que finalmente vi uma ou duas larvas roendo sem convicção uma frutinha que joguei lá dentro. As outras permanecem até onde eu saiba firmes na greve de fome exigida pelo sindicato.
Rejane, o vidro é da minha mãe, mas não deixe ela saber. Depois que eu me livrar das lagartas é só passar uma água e devolver pra ela.
Silvana
Passar uma água, Paulo? Escalde esse vidro antes de devolver pra sua mãe, eca!
Paolo
Pobre Paulo, todos contra ele…
rubens pires de lima osorio
Vixe! Nunca vi um post tão comentado! Acho que ainda somos todos crianças: adoramos falar de meleca e coisas nojentas (dedões, larvas, potes mal lavados…). Dão asco e seduzem. Não sei porque…
Silvana
Cara, olha este comentário: ainda bem que você não pisou nas bichinhas…