Soyuz nerushimy respublik svobodnykh
Splotila naveki velikaya Rus’!
Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov
Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!
Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina – sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!
Skvoz’ grozy siyalo nam solntse svobody,
I Lenin veliky nam put’ ozaril,
Na pravoye delo on podnyal narody,
Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!
V pobede bessmertnykh idey kommunizma
My vidim gryadushcheye nashey strany,
I krasnomu znameni slavnoy otchizny
My budem vsegda bezzavetno verny!
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A mais notável experiência humana do século XX foi sem sombra de dúvida a União Soviética. Estamos condicionados a descartar a experiência toda em vista do seu fracasso final, relegando o regime soviético ao mesmo balaio indistinto de impérios do mal que alberga a Alemanha de Hitler.
Essa nossa sentença é desleal em mais de um sentido. O discurso de Hitler sustentou a Alemanha nazista por meros 12 anos, enquanto que o idealismo proletariado definiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas por quase 70 anos, de 1922 a 1991. Os nazistas nunca chegaram a conquistar a Europa inteira; a URSS cobriu mais de 22 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo 16 repúblicas, 150 grupos étnicos e um número vertiginoso de fusos horários. Como experiência cultural, a União Soviética manteve suas singularidades e idiossincrasias diante do contrabando incessante de Elvis Presley, dos Beatles, de Woodstock, do grupo Abba, de Michael Jackson.
Ao longo de décadas a defasagem no desenvolvimento técnico em relação ao ocidente manteve a União Soviética como uma imensa ilha de pitoresco anacronismo na face do mapa-mundi. A URSS era um improvável mundo à parte, um misto de país de conto de fadas e reino do mal, uma larguíssima terra-de-ninguém entre o ocidente e o oriente, uma estranha sentinela entre o sono e a vigília.
Jamais houve experiência maior e mais ambiciosa em idealismo; continente algum jamais decidira antes definir-se por uma única idéia. Enquanto o restante do mundo perdia a fé, a União Soviética mantinha teimosamente a sua.
Participei como todo mundo da coreografada celebração diante da queda do muro e da implosão do regime. Sapateei e chorei de alegria. Hoje creio que o que matou a União Soviética não foi a falência interna de um sonho, mas o proselitismo insidioso do capitalismo ocidental, que encontra farisaico prazer em esmagar manifestações culturais que vê como incompatíveis e julga portanto inferiores. Sou culpado de preconceito, e creio hoje que é tremenda simplificação dizer que o bem venceu no final.
Para algumas coisas é naturalmente tarde demais. Com o recuo do idealismo soviético o mundo ganhou um mercado; por outro lado, tivemos de arcar com vasto prejuízo no campo imponderável e irrecuperável da “biodiversidade” cultural. Com a anulação de mais um idealismo, o mundo caminha a passos largos para tornar-se a massa cultural informe cuja mera possibilidade aterrorizava Tolkien.
Em 1991, para festejar sua recém-adquirida liberdade, um grupo de músicos e cantores da falecida União gravou uma versão bem-humorada do seu antigo hino nacional, num videoclipe com ecos muito evidentes de We Are The World. A intenção declarada desses artistas era fazer uma “paródia”, mas as imagens de arquivo utilizadas na edição acabam emprestando à celebração um clima pungente de “o sonho acabou”.
O pessoal do excelente blog da rádio WFMU, de onde roubei o clipe, fez ainda questão de salientar a semelhança entre esta versão do hino e a canção Go West do grupo Village People.
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