14 de Dezembro de 2006

Партия Ленина

Entregue em consignação por   Paulo Brabo

 

Estocado em História, Nostalgia

Soyuz nerushimy respublik svobodnykh
Splotila naveki velikaya Rus’!
Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov
Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!

Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina – sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

Skvoz’ grozy siyalo nam solntse svobody,
I Lenin veliky nam put’ ozaril,
Na pravoye delo on podnyal narody,
Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!

V pobede bessmertnykh idey kommunizma
My vidim gryadushcheye nashey strany,
I krasnomu znameni slavnoy otchizny
My budem vsegda bezzavetno verny!

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* * *

A mais notável experiência humana do século XX foi sem sombra de dúvida a União Soviética. Estamos condicionados a descartar a experiência toda em vista do seu fracasso final, relegando o regime soviético ao mesmo balaio indistinto de impérios do mal que alberga a Alemanha de Hitler.

Essa nossa sentença é desleal em mais de um sentido. O discurso de Hitler sustentou a Alemanha nazista por meros 12 anos, enquanto que o idealismo proletariado definiu a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas por quase 70 anos, de 1922 a 1991. Os nazistas nunca chegaram a conquistar a Europa inteira; a URSS cobriu mais de 22 milhões de quilômetros quadrados, compreendendo 16 repúblicas, 150 grupos étnicos e um número vertiginoso de fusos horários. Como experiência cultural, a União Soviética manteve suas singularidades e idiossincrasias diante do contrabando incessante de Elvis Presley, dos Beatles, de Woodstock, do grupo Abba, de Michael Jackson.

Ao longo de décadas a defasagem no desenvolvimento técnico em relação ao ocidente manteve a União Soviética como uma imensa ilha de pitoresco anacronismo na face do mapa-mundi. A URSS era um improvável mundo à parte, um misto de país de conto de fadas e reino do mal, uma larguíssima terra-de-ninguém entre o ocidente e o oriente, uma estranha sentinela entre o sono e a vigília.

Jamais houve experiência maior e mais ambiciosa em idealismo; continente algum jamais decidira antes definir-se por uma única idéia. Enquanto o restante do mundo perdia a fé, a União Soviética mantinha teimosamente a sua.

Participei como todo mundo da coreografada celebração diante da queda do muro e da implosão do regime. Sapateei e chorei de alegria. Hoje creio que o que matou a União Soviética não foi a falência interna de um sonho, mas o proselitismo insidioso do capitalismo ocidental, que encontra farisaico prazer em esmagar manifestações culturais que vê como incompatíveis e julga portanto inferiores. Sou culpado de preconceito, e creio hoje que é tremenda simplificação dizer que o bem venceu no final.

Para algumas coisas é naturalmente tarde demais. Com o recuo do idealismo soviético o mundo ganhou um mercado; por outro lado, tivemos de arcar com vasto prejuízo no campo imponderável e irrecuperável da “biodiversidade” cultural. Com a anulação de mais um idealismo, o mundo caminha a passos largos para tornar-se a massa cultural informe cuja mera possibilidade aterrorizava Tolkien.

Em 1991, para festejar sua recém-adquirida liberdade, um grupo de músicos e cantores da falecida União gravou uma versão bem-humorada do seu antigo hino nacional, num videoclipe com ecos muito evidentes de We Are The World. A intenção declarada desses artistas era fazer uma “paródia”, mas as imagens de arquivo utilizadas na edição acabam emprestando à celebração um clima pungente de “o sonho acabou”.

O pessoal do excelente blog da rádio WFMU, de onde roubei o clipe, fez ainda questão de salientar a semelhança entre esta versão do hino e a canção Go West do grupo Village People.

Para assistir em tela inteira clique o botão apropriado (  ) na barra de reprodução.

Visite também o saboroso blog englishrussia.com – “Porque todo dia acontece algo interessante em 1/6 da terra”.



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