Talvez fosse hora de deixar uma de minhas séries de cinema favoritas, definida pelas três últimas cruzadas de Indiana Jones, descansar em paz. Não porque Harrison Ford esteja velho demais para o papel numa quarta instância da série (um Indiana Jones velho demais chega a ser contradição em termos – o cara simplesmente não morre), mas porque agora que George Lucas terminou de enterrar a série Guerras nas Estrelas não há como evitar que ele tente colocar o seu duvidoso tempero no caldo equilibrado do diretor Steven Spielbierg.
Como se sabe, o conceito original do personagem – um arqueólogo da década de 1930 que vivesse aventuras inspiradas nos antigos seriados e em James Bond – é de Lucas. Conta-se que ele só não dirigiu Caçadores da Arca Perdida porque estava com a cabeça numa galáxia muito distante; a responsabilidade ficou com Spielberg, que transformou a possibilidade em pérola e ícone. Hoje em dia creio que todo o mérito do sucesso da série está nas mãos de Spielberg (e de Ford), e que o afastamento histórico de Lucas foi milagre imerecido da Força.
Mas agora que Indiana Jones IV está finalmente prestes a sair do papel, George Lucas está deixando muito claro que este projeto é, particularmente, dele.
Numa entrevista recente Lucas confessou, sensatamente, saber que “as expectativas das pessoas são maiores do que poderíamos chegar a satisfazer”. Mas como resolver esse dilema? Perguntar a opinião de Spielberg? De Ford? Da velhinha de Taubaté? Deixar quem sabe quieto e recolher as fichas enquanto ainda se está ganhando?
“O que vamos fazer, basicamente, é A Ameaça Fantasma” – revela Lucas, no que considero uma das afirmações mais aterrorizantes da década, e referindo-se naturalmente ao primeiro episódio da segunda e controversa tosca trilogia de Guerra nas Estrelas.
“Se tudo der certo”, tenta emendar Spielberg, “este será diferente de todas as formas certas e semelhante de todos os modos familiares”.
Dr. Jones, dessa enrascada quero ver você sair.
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Indiana Jones e a Bacia das Almas



Bony
Como diria os apóstolos João e Paulo: Let it Be!
rubens pires de lima osorio
Puxa, o roteiro de I. J e a Bacia é dos melhores que já vi! Qnto a Ford no papel de Indy, melhor seria que o filme se passasse numa casa de repouso…
Pacificador
Acredito no Indiana Jones.
Ele carrega nossa essência que deseja ser, e nossa frustração de nunca alcançar.
Nele vivem as palavras de Fernando Pessoa:
“Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada
À parte isso tenho em mim todos os sonhos do mundo”.
Por isso, Indiana envelhecerá comigo e renascerá em meus filhos.