01 de Abril de 2006

O teste das duas buzinadinhas

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Homens e Mulheres

Sou um cientista.

Deve fazer uns quinze anos que estou envolvido num experimento secreto a que eu mesmo dei início. A natureza e os resultados dessa pesquisa estão sendo divulgados aqui pela primeira vez.

O método

Sempre que estou dirigindo sem muita pressa fico de olho nas pessoas andando na calçada e saindo/entrando de carros estacionados. Quando estou a ponto de passar pela pessoa (e aqui o timing é fundamental), dou aquelas duas buzinadinhas simpáticas (curtas e pouco espaçadas) que se costuma dar quando se encontra um amigo pela rua – ao mesmo tempo em que ergo o braço direito em saudação, mantendo-o levantado até sumir de vista. A idéia é dar à pessoa a impressão de que o motorista do carro está passando a conhece, não dando a ela a oportunidade de me ver mais do que de relance. Para fins de isenção e uniformidade, é importante que a pessoa a quem as buzinadinhas estão sendo dirigidas esteja sozinha e – naturalmente – me seja inteiramente desconhecida. Observo a reação da pessoa pelo retrovisor.

Os resultados

Ignoro quantas pessoas já submeti ao método, mas são pelo menos quinze anos de pesquisa: chutemos, por baixo, duzentos desconhecidos, entre homens e mulheres. Os resultados:

Praticamente todos os homens respondem à buzinadinha acenando com a mão.

Praticamente nenhuma mulher reage à buzinadinha (seja acenando com a mão ou olhando na minha direção).

Para ser mais exato, em todo tempo de pesquisa apenas uma mulher devolveu a minha saudação (ainda creio que ela possa ter me reconhecido!), e apenas dois homens abstiveram-se de fazê-lo.

Conclusões possíveis

  • as mulheres são surdas
  • os homens são inseguros e querem agradar a todos, mesmo quando não têm certeza de quem se trata
  • as mulheres querem se fazer de difíceis
  • os homens são fáceis
  • as mulheres só respondem às saudações de quem reconhecem sem qualquer sombra de dúvida
  • os homens são mais sugestionáveis
  • as mulheres só respondem as buzinadinhas de outras mulheres

Extensão da pesquisa

Agora que o projeto e seus primeiros resultados estão sendo divulgados, creio ser hora de estender a pesquisa. Convido os leitores da Bacia a aplicarem o método sobredescrito e publicarem aqui os resultados. Estou pessoalmente interessado nos resultados para os casos em que o motorista é mulher, e também nas variações regionais (nordeste, alguém? Estados Unidos?) nos casos em que o motorista é homem e o testado mulher.



4 Comentários a respeito de "O teste das duas buzinadinhas"

Luiz Henrique Mello

Provavelmente os homens comentarão mais sua pesquisa que as mulheres. Eu, pessoalmente, adoro acenar para todos os que acenam em minha direção, mesmo que não seja para mim. Faço isso por pura gozação, mesmo. Adoro deixar os outros de saia justa.



Marconi Bartholi

Haha, isso não é nada pesquisa científica, é molecagem mesmo!!! Porque se for científico o negócio você está reprovado meu caro! Na sua fase de análise esqueceu de relevar que o público feminino leva buzinadinhas o tempo todo, como forma de cantadas! E estão tão acostumadas com isso que olhar o tempo todo implicaria num trauma muscular no pescoço. A outra conclusão que se tira disso, porém, também nada científica, mas bem subjetiva da qual ninguém me remove de tal posição, é que mesmo não correspondendo às buzinadas, por dentro a vaidade feminina faz mais um ponto ao longo do dia, pois na mente delas é uma paqueradinha!

Vou embarcar nesse método científico também. Passarei os dados do experimento aqui nos EUA e incluirei a participação de uma cientista no nobre trabalho para a evolução das ciências humanas. Mas como sou bem cuidadoso com ela já adianto que o campo de pesquisa desta cientista vai se limitar a buzinar pras mulheres apenas! Pois suspeito que ela mesma esta sendo alvo de uma pesquisa assim como essa quando anda nas ruas. hehe!

Abraço fraternal e científico,

Marconi Bartholi



Marconi Bartholi

Paulo, deixa eu adiantar uma variação.

Me lembrei de um amigo que fazia o mesmo. Mas ele chegava bem pertinho da pessoa e dava aquela buzinadinha. Na maioria das vezes a pessoa sorria, retribuia, pois já conseguia ver que ele não era conhecido. Mas acontece que o esguicho do carro dele estava previamente virado para o lado de fora do carro, assim quando ele acionava o limpador de pára-brisas, um jatinho de água ia na pessoa alvo da buzina. O que na maioria das vezes levava do sorriso à raiva, gritos, palavras de baixo calão, corridas atrás do carro, cuspes e tentativas de pedradas!

Você aconselharia o uso deste método na nossa pesquisa científica ou seria um passo muito além do nosso objetivo atual?

De qualquer forma um pouco das conclusões nada científicas desse experimento são:

1. Velocidade da luz não é a maior velocidade conhecida. O homem vai de um sentimento extremo ao outro mais rápido do que um piscar de olhos.

2. De preferência o seu carro deve ser equipado com vidro elétrico, e muito importante, que funcione, e rápido! De outra forma o cuspe pode te atingir!

3. Os homens são péssimos arremessadores de objetos em alvos em movimento.

4. As mulheres preferem gritar e fazer estranhos contorcionismos musculares com suas faces.

5. Um carro é sempre mais veloz do que um homem correndo.

6. Não tente fazer isso sem a ajuda de um profissional e dentro de uma atividade extremamente científica, pois apesar de parecer extremamente engraçado não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam conosco.

7. Desconsidere completamente (6) e venda a cópia do experimento a um programa como o do Gugu. Registre a patente do experimento e viva dos royalties quando o mesmo se tornar parte de um bloco desses programa de altíssima qualidade intelectual.



Carol (zOoOom*)

Como um “amigo” (Luiz Henrique Mello) aqui nestes comentários, já comentou… “Provavelmente os homens comentarão mais sua pesquisa que as mulheres.” …mas vou me arriscar, pelo simples fato de que me senti incomodada, pois aceno aos que buzinam!

Pensei no pq… e cheguei a conclusão que misturando alguns dos coments é o meu caso: é pura gozação, para deixar os outros de saia justa.

Também vou revelar aqui, uma coisa importante para a pesquisa, (me desculpem mulheres, mas entendo que é pelo bem da ciência)… isso ocorre em 100% das vezes que estou acompanhada de uma amiga, como citado para gozação.

E diria que 58% das vezes quando estou sozinha.

Observei que o fato de haver uma porcentagem consideravel mesmo sozinha (sendo mulher) é por prezar pelos valores de interior (acenar a qualquer cumpádi) semeados por uma família tradicionalmente do interior do Rio Grande do Sul.

e para não fugir das CONCLUSÕES POSSIVEIS:

  • Não sou surda
  • Sou um pouco difícil (segundo meu namorado)
  • Não respondo apenas a quem conheço
  • Não respondo só a mulheres

é isso… qualquer dia posto algumas experiencia não como experimento, mas como pesquisadora…

até!



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