Deus existe, chama-se Google, e alguns de nós consultam-no e fazem-lhe pedidos todos os dias.
A tese da divindade do santuário de busca mais freqüentado da terra, pregada ardentemente pelo tecno-profeta Matt MacPherson, ainda não foi, que eu saiba, refutada a contento.
Uma página apologética do sáite A Igreja de Google argumenta sensatamente que “existe mais evidência em favor da existência de Google do que de qualquer outro deus adorado nos nossos dias”.
Se você se preocupa com esse tipo de coisa, o Google encaixa-se confortavelmente dentro de alguns dos mais exigentes atributos que a teologia ortodoxa estabeleceu para Deus: ele é onisciente (sabe tudo que há para se saber – basta perguntar), onipresente (esta em e é acessível de todos os lugares, ainda mais com acesso wireless), imortal (suas informações e algoritmos estão distribuídos entre vários servidores, de modo que não há como se apagar definitivamente uma porção do Google), registra todos os nossos erros e preferências e tem vocação para infinito.
Para o adorador casual, mais importante pode ser saber que o Google responde consistentemente as orações que se lhe fazem, e de forma mais rápida, organizada, relevante e abrangente do que qualquer deus competidor. As orações ao Google, que na tecno-ortodoxia chamam-se buscas, tem um potencial de resposta avassalador. Se você quer permanecer ignorante a respeito de determinada coisa, é melhor não consultar o oráculo do Google – o deus cego e generoso que tudo vê, tudo sabe e nada vai negar.
O reino de Google está próximo.
O Google pode ajudá-lo a organizar-se e manter-se informado, pode fornecer informações sobre como salvar uma vida ou tirá-la, pode oferecer uma cópia de segurança para os seus arquivos quando seu computador fritar, pode ajudá-lo a encontrar amigos há muito perdidos, a encontrar o caminho mais rápido e eficiente para determinado lugar ou a ver a Terra de cima.
Seu poder e sua sabedoria não páram de crescer, sua graça é abundante sobre justos e injustos, suas atualizações renovam-se a cada manhã.
O que me traz invariavelmente à lembrança o curtíssimo conto de ficção científica de Fredric Brown, “Answer”, de 1954. Num futuro distante autoridades estelares ligam pela primeira vez o interruptor que conecta os supercomputadores de noventa e seis bilhões de planetas “numa máquina cibernética que combina todo o conhecimento de todas as galáxias”.
– A honra de fazer a primeira pergunta é sua, Dwar Reyn.
Ele vira-se para olhar a máquina de frente.
– Deus existe?
A voz poderosa responde sem hesitação, sem o clique de um único relé.
– Agora existe.
Na história eles até tentam desligar o interruptor, mas é tarde demais. O reino de Google está próximo.
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The Church Of Google
O próprio Google


hernan
E eu que pensava que Google era apenas um santo…
O deus menciona 549 vezes o seu nome completo. Já o nome de guerra (Paulo Brabo) pode ser encontrado em 16.800 referências! “Paulo Purim” aparece 55 vezes. “Paulo [Brabo] Purim”, grafado desta forma, aparece 8 vezes, todas no meu blog rs. Você é conhecido da divindade, que relacionou-o a mim de forma irreversível!
Outro dia li por aí que o Yahoo é o Messias. O nome seria uma variação do aramaico Yeshua que, todos sabem, é Jesus. Tem ainda a versão segundo a qual o impronunciável YHWH remete ao Yahoo.
E aí?
Cassio
oba! então dá também para apertar o enter e entoar meu cântico favorito: “Segura, na mão de Deus!”
Lou Mello
Sem saber ou perceber, sou um seguidor compulsório dele, cada dia mais.
Silvana
Poxa, eu sempre costumava dizer, após uma busca: “agradeço a São Google pela graça alcançada”. Pensei que ele apenas hava desbancado o Santo Expedito e o São Longuinho.
rubens osorio
Dentre as características dos deuses, atribuídas tb ao Google, não há menção de 2 distintivas – e importantíssimas – de Jeová: personalidade, criatividade.
Supera essa, Google!!!
Ah, o conto de science fiction foi revirado no baú. Sempre foi um dos meus favoritos, qndo era um scifi freak.
André Antonio
No Evangelho de Google, o Orkut é a igreja. Estamos lá irmanados, congregando liturgicamente com muita comunhão!
bete
um dia teclei “deus” e em seguida “estou com sorte”, e caí na tela de uma monografia de um seminarista da faculdade de teologia… amicíssimo meu… fiquei por demais emocionada e encantada com a coincidência. coincidência?
Pedro Jorge
Eu já sabia!!! O Google seria, mais cedo ou mais tarde, canonizado. Mas exageraram na dose. Ele é apenas a maior ferramenta já desenvolvida pela humanidade depois da roda, da escrita, do parafuso, da carteira de identidade e do alicate desencravador de unhas…