17 de Setembro de 2006

O blog do Biga

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Recomendações, The Net

ATUALIZAÇÃO (SEGUNDA 18, 09h30). Funcionando.

ATUALIZAÇÃO (SEGUNDA 18, 08h30). O Blog do Biga parece estar neste momento fora do ar; naturalmente, agora que falei nele.

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Assim que me deparei com o blog do Biga eu sabia que tinha de ser uma fraude. Um rapaz de doze anos de idade não podia escrever melhor do que eu com vinte – ou talvez 38. Agora nem me importo mais: se o Biga é mesmo um menino prodígio ou uma criação de Luís Fernando Veríssimo, já me conformei em ser superado pelos dois. O universo, cujo fim é a variedade (como dizia Borges), não prescindiria nem de um nem de outro.

Com um blog com meia dúzia de artigos, o Biga (que chama-se Gabriel e tem doze anos, não sei se já mencionei isso) já é um fenômeno da internet – pelo menos no que me diz respeito.

Pare tudo e leia o blog do Biga. Agora. Recomendo particularmente os dois artigos sobre os Jogos Indígenas realizados na sua cidade. Trechos:

A semana passada foi toda de preparativos, por parte dos organizadores, para a minha cidade, Conceição do Araguaia, sul do Pará, ser a sede dos jogos indígenas. O 3º jogos indígenas. Meu Deus, eu nem sabia que índio jogava. Meu Deus, eu nem sabia que ainda existia índio, além dos livros e imagens antigas da tv. Meu Deus estou emocionado, vou ver índio. Índio, índio mesmo, aqueles caras que os livros dizem ter sido os primeiros habitantes do Brasil. Que, quando os caras que descobriram o Brasil chegaram aqui encontraram eles (índios) curtindo água de coco e tudo mais e aí Pedro Álvares Cabral e sua turma sacanearam os coitados dando uns presentinhos bem do estilo 1,99 pra comprar a confiança e a amizade deles e botar os coitados pra trabalharem de graça e depois roubarem as terras deles. Sinto-me obrigado a dizer que essa relação entre eles era chamada de escambo (viva a professora Clara, de história, aprendi isso com ela).

(…)

Independente de qualquer coisa, de qualquer prefeito, seja o político que for ele tem que ser vaiado pelos cidadãos de bem. Cidadão que é cidadão de verdade tem que exercer o seu direito de vaiador.

Cidadão que é cidadão de verdade tem que exercer o seu direito de vaiador.

(…)

Mas no último dia, a vaia foi especial, além de ser o último dia do evento, o cacique que estava representando todas as tribos deu um generoso reforço quando disse (no final, na hora da troca de presentes), para o prefeito que Ele (prefeito), era dono do povo mais animado do Brasil e que tinha a obrigação de ser muito feliz por isso. Aí foi, definitivamente, sem dúvida o momento mais… mais… mais estonteante, marcante dos seis dias debaixo de um sol de 50º, pra ver aqueles índios espetando as coisas com suas flechas. As arquibancadas tremeram com as risadas do público, sedento de água (por causa do calor) e de uma boa piada. Eu também estava rindo e muito, mas minha atenção de repente foi roubada quando vi um homem com o corpo tremendo que parecia estar tendo um ataque epilético de tanto rir. Ria, ria e ria. Comecei a ficar preocupado porque ouvi falar que rir demais mata. Chorar demais não mata só deixa o cara, além de muito chateado pelo motivo que o levou a chorar (aliviado também), com os olhos vermelhos e com aquela cara de quem chorou. Se for minha priminha Anna Carolina, além dessas características citadas terá um soluço muito triste de partir o coração (mas acho que é porque ainda tem um ano de idade, depois ficará só com as primeiras características). Mas rir, dizem que mata. Meio contraditório, porque sempre vejo escrito por aí que rir é o melhor remédio, se bem que remédio também mata se for demais.

Mas, o homem estava totalmente sem controle e como ser humano cristão evangélico que sou, pensei que ele fosse realmente morrer. Se bem que se morresse acho que seria de felicidade (ia morrer rindo – um privilégio). E aí eu presenciaria alguém morrer de rir, literalmente. Não pensem que isso me deixaria feliz. Deus me livre. Só ia ver, por estar no lugar certo, na hora certa ou errada, sei lá. O importante, graças a Deus é que ele parou, sentou, ficou triste e danou a xingar o prefeito de “disgraçado, fiu de uma égua, infiliz”; dizendo isso e chorando. Quando vi o anônimo chorar, fiquei contente, porque assim ele dava uma desintoxicada do tanto que riu e se livrava da morte de tanto rir.

O Blog do Biga

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