14 de Julho de 2006

O balé dos retornos

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Brasil

Estive este final de semana no estado de São Paulo (Nova Odessa!) e pude verificar que minha memória não me enganava: motoristas paulistas e paranaenses fazem retorno de forma diferente.

O cenário é uma avenida de mão dupla com um canteiro entre as pistas. A ilustração [A] mostra como se faz o retorno em São Paulo – foi assim que aprendi na auto-escola em Bauru. A ilustração [B] mostra como se faz o retorno no Paraná.

Embora eu seja e permaneça paranaense de vocação e estado de espírito, a solução de São Paulo me parece esteticamente mais elegante; se não me engano fornece também espaço marginalmente maior para a manobra.

Outra curiosidade: em Sumaré (junto a Nova Odessa), ao contrário de qualquer lugar de que eu me lembre, a preferência é de quem está entrando numa rotatória.



13 Comentários a respeito de "O balé dos retornos"

Ivan Volcov

A solução paranaense evita que os veículos cruzem seus caminhos desnecessariamente aos fazerem o retorno, a solução paulista não tem esta qualidade. Ponto para os paranaenses.

Quanto à rotatória, a solução paranaense deixa o fluxo da rotatória livre facilitando a saída do sistema, enquanto que a solução catarinense deixa o fluxo e entrada livre para um sistema cuja saída não tem necessariamente a mesma eficiência. Ponto para os paranaenses.

Paraná 1×0 São Paulo
Paraná 1×0 Santa Catarina



Carol (ZoOOm)

o Ivan conseguiu com clareza externar os pontos a favor que os paranaenses tem…

P.S: Mesmo assim amo SP…



Silvana

A solução paulista me parece coisa de barbeiro – e olha que eu sou de SP e nem dirijo… :lol:



hernan

A solução paulista é tão obviamente mais inteligente e mais funcional que dispensa justificativas. Não vou perder meu tempo tentando explicar o que está cristalino na ilustração.

Você esteve pertinho de casa e nem deu chego pra tomar um café (eu não gosto de café, não sei se você gosta).

Já estive em Sumaré e constatei a aberração. Vou procurar saber quem é o responsável pelo trânsito de lá. Por certo não é paulista.



estanislau

são paulo x parana:

a rotatória deve ser feita mantendo-se sempre a sua mão de direção, da mesma forma se adentra uma rua qualquer, ou seja; executa-se ângulos de noventa graus ∟ mantendo-se sempre na mão de direção. pois caso haja um choque e averigua-se que um dos veículos estava na contra-mão de direção, esse torna-se o culpado. salvo haja placa sinalizando MÃO INGLESA ou ROTATÓRIA EM U.

assim sendo; tanto paulistas (que dirigem mal prá BURRO), quanto paranaenses (que não ficam muito atrás), podem ou não estarem certos. pois o que acho mesmo é que o paulo não sabe dirigir.



estanislau

agora sim… me vinguei!

depois do acima exposto, não reparem na minha ausência não; é que provavelmente serei expulso da bacia! nada mais injusto!



Bony

Concordo com o Ivan.

É só imaginar (usando a ilustração mesmo) cerca de cinco veículos para cada lado tentando executar seus devidos retornos: qual esquema deixará o trânsito fluindo praticamente normal?

Pense e diga (pode ser baixinho): ponto para os paranaenses.

Os paulistas dirigem mal, os curitibanos pior, os mineiros pior ainda. Eu acho os cariocas bons motoristas (morei por lá um ano e meio), mas são muito estressados.



hernan

Estive sábado na UFU (Universidade Federal de Uberlândia), no câmpus Sta. Mônica, e percebi que lá dentro a lógica (lógica?) é a mesma de Sumaré. Quem está numa das várias rotatórias que há lá dentro deve parar para quem vai entrar. Vai entender…

Bony, eu concordaria com você se tivéssemos em vista apenas a fluidez do trânsito, mas há momentos em que precisamos sacrificar certas aparentes benesses em nome imperativos superiores, se é que você entende o que quero dizer. Não sei de onde você é, mas se um dia vier ao estado primaz e encarnar nosso espírito de superioridade entenderá. Por ora convém que todos apenas admitam que somos melhores inclusive nisto, depois a gente explica.
Quanto à vexatória excessão de Sumaré acho que deve ser obra da base paulista da ANA.



Bony

Caro Hernan,

Sou de Curitiba: modéstia a parte, a melhor cidade do Brasil. É claro que o povo daqui é estranho, frio, não conversa com estranhos, mas a qualidade de vida é bem superior – bem superior mesmo. O trânsito, se conhecer a região é tranquilo. Repito: se conhecer a região. E só de saber que se errar uma entrada (ou não saber onde entrar) não terá de fazer o retorno após 15km como São Paulo ou Rio, já é ser de certa forma superior.

Morei no Rio de Janeiro (por infelizes motivos de trabalho) e percorri trechos entre Rio, Duque de Caxias, Petrópolis, Teresópolis… Diariamente, guiado por motoristas cariocas, percorri o trecho ”copacabana – Reduc”…….. os caras são muito bons!!! Porém, minhas lembranças não.

Por outros motivos e por outros trabalhos fui a São Paulo, Campinas, Santos, São Vicente… sinceramente, todos deixaram a desejar. TODOS. Sem comentar na loucura e estresse que os motoristas tem nas veias.

Estive em Belo Horizonte por quatro dias (minha banda foi tocar no Som do Céu) e no primeiro passeio, BUM! O motorista (um mineiro) bateu a Kombi. Perdemos o passeio, mas não perdemos nada.

Paulistas e brasileiros semelhantes só são superiores aos curitibanos quando eles moram em Curitiba. Digo isso por experiência, pois meu sogro (o melhor motorista que conheci na vida) é paulista e mora em Curitiba há 18 anos. Ele não troca Curitiba por nada. Nem eu.



Luiz Henrique Mello

Na verdade, o retorno em São Paulo é o descrito por você como sendo do Paraná. Sua falsa impressão deve-se ao excessivo número de forasteiros habitantes, que insistem em fazer retornos complicados e outras cositas mas, no trânsito claro.



hernan

Bony, assim eu até fico tentado a querer morar em Curitiba.

Mas você não me convenceu de que nós (paulistas) não somos superiores. A questão de errar alguma entrada e ter que rodar mais uma tantada pra corrigir é justamente consequência de nossa superioridade. Já que quase nunca erramos não temos soluções para remediar a situação dos que erram.

Fale-me sobre sua banda. Tem site?



Silvana

“Mas você não me convenceu de que nós (paulistas) não somos superiores. A questão de errar alguma entrada e ter que rodar mais uma tantada pra corrigir é justamente consequência de nossa superioridade. Já que quase nunca erramos não temos soluções para remediar a situação dos que erram.”

O que eu fiz pra me deparar com estas frases? Ok, já sei, eu nasci em São Paulo. :roll: :lol:



Bony

Olá Hernan…

Na verdade, a superioridade paulista é evidente: a maior cidade, a mais ágil, o maior centro econômico, etc… mas, digamos de passagem que as entradas e saídas: você sabe, muito complicado. E quando vocês (paulistas) moram em Curitiba, ah!, isso é covardia…

A banda que usei de referência anterior não existe mais. Chamávamos de F-Live (inspirado no termo “Faith Live”). Por incrível que pareça, era uma banda cristã curitibana de black music na maior imitação descarada de Jamiroquai e Incognito.

Atualmente estou tocando com uma banda chamada Jubilus, que possui as mesmas idéias de criação (reciclagem) da F-Live, porém esta utiliza alguns samplers – para chupar ainda mais o visual do Jamiroquai.

Voltando a falar de Curitiba: se você ainda não veio pra cá, ainda está em tempo. Como o meu sogro mesmo diz “anda de carro aqui quem quer, pois pegar ônibus aqui é uma maravilha”. Tenho um amigão que é paulista e está deixando Curitiba este mês para retornar para São Bernardo por motivo de trabalho… ele mandou um e-mail estes dias dizendo que seu maior sonho era retornar para Curitiba – depende da Audi.

Abraços,



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