Periodicamente, mas de forma mais espetacular esta última semana, o pomar do Monastério é invadido por hordas de lagartas negras que se agrupam em dezenas centenas de falanges fervilhantes, informes e mais ou menos inteligentes. É ao mesmo tempo repulsivo e hipnótico – menos hipnótico se for antes do café da manhã.

Desconhecemos por aqui de que bicho se trata, ou se é mesmo desse mundo. As lagartas nunca são vistas subindo em troncos, comendo folhas ou fazendo qualquer outra coisa que não seja despencarem obscenamente umas sobre as outras e caminhar sem rumo aparente sobre o gramado. As galinhas, que não poupam cobras ou aranhas marrons, evitam-nas ressabiadas.
À noite essas negras entidades cercam a casinha de madeira e revelam em voz de zumbido que mantém o cérebro de Lovecraft boiando dentro de um cilindro de metal numa dimensão paralela, mas eu faço de conta que não escuto.

O ataque das larvas malditas
- O ataque das larvas malditas
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- Pisando em larvas (ou quase)
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