03 de Julho de 2006

O ataque das larvas malditas

Depositado em juízo por   Paulo Brabo

 

Estocado em Pormenor

Periodicamente, mas de forma mais espetacular esta última semana, o pomar do Monastério é invadido por hordas de lagartas negras que se agrupam em dezenas centenas de falanges fervilhantes, informes e mais ou menos inteligentes. É ao mesmo tempo repulsivo e hipnótico – menos hipnótico se for antes do café da manhã.

Desconhecemos por aqui de que bicho se trata, ou se é mesmo desse mundo. As lagartas nunca são vistas subindo em troncos, comendo folhas ou fazendo qualquer outra coisa que não seja despencarem obscenamente umas sobre as outras e caminhar sem rumo aparente sobre o gramado. As galinhas, que não poupam cobras ou aranhas marrons, evitam-nas ressabiadas.

À noite essas negras entidades cercam a casinha de madeira e revelam em voz de zumbido que mantém o cérebro de Lovecraft boiando dentro de um cilindro de metal numa dimensão paralela, mas eu faço de conta que não escuto.



Inquisição


Arquivos


Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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