Tenho fascínio irrestrito por cidades que se espraiam à margem de rios, especialmente as que tem a decência de manterem-se pequenas e subdesenvolvidas.
Passei em Morretes, que fica a meio caminho das praias para quem desce a Serra do Mar pela Estrada da Graciosa, parte do dia e a noite de quarta para quinta-feira desta semana. Anoitecia e a energia elétrica da cidade inteira começou a falhar ocasionalmente, como se Deus brincasse irrefletidamente com um imenso interruptor. Em determinado momento, enquanto eu caminhava pela rua principal, a luz acabou de vez e quedei perplexo diante do espetáculo da escuridão completa e surreal que engoliu as calçadas de pedra, as casas velhas que nascem sem quintal diretamente na rua, os pedestres voltando para casa e as banquinhas de xis-salada. Debaixo de um canteiro obscenamente belo de estrelas, começamos a assobiar para não atropelarmos uns aos outros, pois éramos cegados periodicamente pela luz eventual dos faróis dos carros. De vez em quando perolava um vagalume, um satélite cruzava o céu, ardia o cigarro de uma bicicleta que passava.
Nessa treva acolhedora, passando por um botequim ou outro iluminado por vela, caminhei de volta para o Hotel Nhundiaquara, onde aguardava um quarto com pé direito impossivelmente alto, como se falasse de uma época em que a terra era habitada por gigantes.
A queda da noite, vista da janela do quarto do hotel 
Os morros de Morretes na manhã de quinta-feira 
O quarto do Hotel Nhundiaquara,
com pé direito de quatro metros de altura 




Bony
Paulo,
Você lembra dos nossos bóiacross??? Morretes, Antonina, descida de trem, amigos, repelentes, pic-nic… Tudo ERA muito legal.
Será que esta geração não percebe o que está perdendo???
Rosi
Achei engraçado vc falando de Antonina e Morretes com tamanha admiração. Meu avô (pai da mãe) mora lá em Antonina e a mãe sempre pede pra eu levá-la lá pra vê-lo e pra mim é uma tortura. Não gosto do clima, a cidade não me atrai, mas gosto da minha mãe e do meu avô por isso ela me convence de vez em qdo. Domingo q vem eu vou lá visitar meu vovô. Talvez eu veja a cidade com outro olhos, mas acho q um dia vc precisa me ensinar como ver as belezas de uma cidade histórica.
Luiz Henrique Mello
Paulo
Meu comentário a esse post está lá na Gruta. Vai lá (desulpe não sei linkar aqui).
Manuel Anastácio
A beleza destas cidades raramente é apreciada para quem a respirou juntamente com a claustrofobia dos seus limites. Só as apreciaremos devidamente como viajantes de passagem.
Adilson Farias
Olá! Cara teu estilo e sua criatividade em suas ilustrações, fora sua pintura que é fantástica. Sou Adilson Farias, tb ilustrador, e moro em Curitiba. Ultimamente estou fazendo algumas pinturas no Painter e to largando mão da aquarela e de tintas, e to partindo pra praticidade do computador. Se vc puder dar uma analisada no meu trabalho ficaria muito grato. É isso, teu site já foi pros meus favoritos.