20 de Março de 2006

Mito e metáfora

Fermentado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Fé e Crença, Goiabas Roubadas

– A palavra “mito” significa “mentira” – começou ele. – Um mito é uma mentira.

– Não, um mito não é uma mentira. Uma mitologia completa é uma organização de imagens e narrativas simbólicas, metafóricas das possibilidades da experiência humana e da plena realização de uma dada cultura num dado momento.

Como resultado temos pessoas que se consideram crentes porque aceitam metáforas como fatos, e outros que classificam-se como ateus porque crêem que as metáforas religiosas são mentiras.

– Uma mentira.

– Uma metáfora.

– Uma mentira.

Isso se estendeu por vinte minutos. Percebi que o entrevistador não sabia de fato o que era uma metáfora, e resolvi tratá-lo como ele estava me tratando.

– Não, estou dizendo que é uma metáfora. Me dê você um exemplo de metáfora.

– Vou tentar. Meu amigo John corre muito rápido. As pessoas dizem que ele corre como uma gazela. Isso é uma metáfora.

– Isso não é metáfora. A metáfora é: João é uma gazela.

– Isso é uma mentira.

– É uma metáfora.

E o programa acabou. O que esse incidente sugere a respeito da nossa compreensão popular a respeito da metáfora?

Fez-me refletir que metade das pessoas no mundo pensa que as metáforas das suas tradições religiosas, por exemplo, são fatos. E a outra metade sustenta que não são fatos de forma alguma. Como resultado temos pessoas que se consideram crentes porque aceitam metáforas como fatos, e outros que classificam-se como ateus porque crêem que as metáforas religiosas são mentiras.

Joseph Campbell, em Thou Art That

Leia também:
A comprovação da arte, por J. R. R. Tolkien



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