27 de Maio de 2006

Freaks

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Filmes

Freaks(1932), de Tod Browning, é um dos mais singulares filmes de terror já produzidos. Seria talvez arrogância descrevê-lo com o puído “você nunca viu parecido assim antes”, mas pode ser acurado dizer que você nunca verá nada parecido depois.

Freaks – “aberrações” – é o impiedoso título que se dava às pessoas portadoras de severas deficiências físicas e mentais que costumavam ser expostas como atração secundária em circos da Europa e dos Estados Unidos. Freaks, o filme, trata da trágica interação entre um grupo desses deficientes e o restante dos artistas de um circo.

A obra angariou controvérsia e fama porque o diretor tomou a decisão (praticamente impensável para os nossos dias) de usar deficientes de verdade na produção – decisão que feriu as sensibilidades do público naquela época, que dirá hoje em dia. O elenco de Freaks inclui um homem sem pernas, duas mulheres sem braços, um homem sem pernas e sem braços (a “lagarta humana”, que acende um charuto sem ajuda), um casal de anões, uma mulher barbada, um “esqueleto vivo”, um hermafrodita, um par de gêmeas siamesas e várias pessoas com microcefalia.

O resultado, como você mesmo pode ver nesta versão integral, é perturbador (especialmente o clímax, que é amálgama de todos os pesadelos) – porém no todo o tratamento é moralista e compassivo, quase prescientemente politicamente correto.

Freaks pode ser saboreado em vários níveis: como parábola, como tenebrosa história de terror, como discurso metalingüístico sobre a natureza do espetáculo e o caráter auto-destrutivo da exploração do ser humano, como testemunho de uma época em que os cineastas eram tão dinheiristas quanto hoje em dia mas talvez menos hipócritas.

Esta versão não tem legendas, mas a história é tão simples e a atuação tão estilizada que não deverá ser difícil acompanhar a narrativa até o seu inevitável fim. A visualização requer banda larga ou muita paciência.

* * *



3 Comentários a respeito de "Freaks"

Roberto Bobrow

La vi hace años y recuerdo que el mensaje final era que lo monstruoso no es la deformidad externa sino la maldad del alma. Simple pero conmovedor.



julian

Ah yes, an old favourite of mine…



Bony

Quando assisti “O Homem Elefante” tive medo na primeira vez – eu era criança. Já na segunda vez, eu tinha cerca de 19 anos e senti muita compaixão de John Merrick – cujo nome na vida real (sim, ele existiu) era Joseph Merrick.

Este filme (o comentário dele) embrulhou meu estômago. Não sei como é o enredo, mas expor tantas dificuldades de tantas pessoas não deve ser nada “cult”. E ainda pela petulância de ter no cartaz “amazing production”… bah!

Não “verei” nada igual depois.



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