O nome do autor é a primeira coisa a desaparecer
seguido obedientemente pelo título, o enredo,
a lastimosa conclusão, o romance inteiro
transforma-se de repente num livro que você nunca leu
nem ouviu falar,
como se uma a uma as lembranças que você costumava abrigar
decidissem retirar-se para o hemisfério meridional do cérebro,
a uma vilinha de pescadores que nem telefone tem.
Há tempo você disse adeus aos nome das nove musas
e observou a equação de segundo grau fazendo as malas,
e mesmo agora, enquanto memoriza a ordem dos planetas,
alguma outra coisa está escapulindo, a árvore que simboliza um estado talvez,
o endereço de um tio, a capital do Paraguai.
O que quer que você esteja lutando para lembrar,
não está suspenso na ponta da língua
ou espreitando num canto obscuro do baço.
Já boiou para longe descendo o sombrio rio mitológico
cujo nome se sua memória não falha começa com L,
estando você mesmo a caminho do esquecimento
onde se juntará a esses que esqueceram até como nadar e andar de bicicleta.
Não é de espantar que você acorde no meio da noite
para procurar a data de uma batalha famosa num livro de guerra.
Não é de espantar que a lua na janela pareça ter resvalado
de um poema de amor que você sabia de cor.
Billy Collins
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hernan
Talvez porque a esmagadora maioria das informações que processamos seja inútil. A vida [não deveria ter sido mas] foi por nós complicada, e ainda está assim, talvez mais um pouco.
Luiz Henrique Mello
Tô falando que tem alguem fazendo a minha caveira por ai.
No meu caso a Vodka tem ajudado, também ou além do stress, idade, alzheimer, vacina contra gripe, etc…
Jo Lorib
É por isso que nós, os ‘’antigos’’ adoramos o Google: digitamos lá – rio esquecimento – e ele responde certinho.
Lauriza
”…cujo nome se sua memória não falha começa com L…” – e por ai começam todas as coincidências… rsrsrs
bete
Andei perdendo o sono (sério), porque esqueci de qual livro li esta frase: “a vida era uma sensaboria que não valia a pena ser vivida”. Vai ver que é do livro da minha vida mesmo…