Em grande parte, depois de conviver por décadas com gente santa, só fui conhecer Jesus pessoalmente através dos pecadores.
Não fui encontrá-lo na igreja, onde insistíamos que ele morava e onde falávamos metade do tempo sobre ele. Na igreja encontrei meus amigos mais bem-intencionados, muito deles assustadoramente queridos e carentes, mas oprimidos como eu debaixo de um sistema fundamentado em medo e desejo. Por mais que eu simpatizasse com o calor da instituição e com o mérito das boas intenções, nada eu testemunhava ou vivia da satisfação inerente, a generosidade, a paixão e a terrível liberdade que os evangelhos atribuíam ao Filho do Homem. Cantávamos, chorávamos e nos abraçávamos debaixo do mesmo teto piedoso, mas ali não estava o espírito de Jesus.
Não encontrei-o nem me afastei dele na Federal, onde meus mentores evangélicos tinham alertado que eu encontraria amigos irresistivelmente devassos e correria o risco incessante de idéias sediciosas, construídos os dois para abalar minhas convicções. As idéias eram ralinhas e as companhias inofensivas, a grande maioria tão ou mais careta, casta e ultraconservadora quanto eu. Havia algum coleguismo e bons parceiros de truco, mas também não pouca competividade, intolerância e altivez (talvez tanto quanto na igreja), e o espírito de Jesus não estava ali.
Mas Deus teve misericórdia de mim, este santo, e permitiu que eu convivesse de perto com pecadores. Isso, em inúmeros sentidos importantes da palavra, me salvou.
Como eu suspeitava, os pecadores não se entregam como nós na igreja a pecados mesquinhos como a hipocrisia, a mentira e o orgulho; abrem eles mão desses amadorismos e tratam da coisa em si, da sem-vergonhice mais vital, sensorial e carnal – sexo, drogas e rock’n’roll.
Finalmente estava eu no mesmo recinto que pecadores de verdade, gente indecorosa, sensual e auto-indulgente; drogados, homossexuais, bêbados, libertinos, prostitutas, poetas; safados, depravados, corruptos, lascivos. Habituei-me ao doce perfume da maconha, visitei os mais variados mocós, vi carreiras de cocaína se armarem e desaparecerem; sentei-me ouvindo Janis Joplin numa sala que eu visitava pela primeira vez, olhando para um homem dormindo onde acabara de cair, enquanto um casal transava e curtia drogas no quarto ao lado e outros faziam churrasco lá atrás. Comprei camisinhas que não eram para mim. Ajudei a pagar um tolete quando o dinheiro faltou. Visitei bares gays porque estavam na moda e meus amigos sabiam por isso que lá seria mais fácil descolar uma pedra de fumo ou, paradoxalmente, uma garota.
É natural que fora uma cervejinha ou outra me mantive sóbrio e casto durante todo esse período – não que, naturalmente, fizesse diferença. Mantive-me um santo – um carola, amado ternamente por eles apesar disso – entre pecadores. Eu me sabia mais ou menos resistente às seduções da carne e talvez estivesse ainda sustentando a ilusão de que poderia “fazer diferença” no meio daquela pobre gente. Talvez estivesse procurando mais um motivo extravagante para me orgulhar, de ser capaz de manter minha integridade à prova de balas mesmo convivendo com os mais baixos e corrompidos. A esta altura, não sei dizer o que esperava.
Mas sei dizer o que não esperava: não esperava encontrar entre os pecadores, e pela primeira vez na vida, a terna experiência do espírito de Jesus.
Não em mim. Neles.
Posso garantir que até aquele momento eu só conhecia a postura de Jesus e dos primeiros cristãos de ouvir falar. Os evangelhos atribuem ao Filho do Homem tremendas paixão, vitalidade, generosidade e independência; o livro de Atos e as cartas falam de cristãos que “tinham tudo em comum” e “eram de um só coração”. Em seus momentos mais idealistas Jesus fala em amar os inimigos, dar a outra face, emprestar sem esperar receber de volta, oferecer um banquete a quem não tem como retribuir. Paulo descreve um mundo sem preconceito de sexo, raça ou classe social. João garante que Deus é amor, e que o amor abre mão de qualquer traço de temor.
Paradoxalmente, este mundo definido em termos positivos poucos cristãos chegam em qualquer medida a experimentar. Escolhemos nos definir não por essas qualidades afirmativas – aquilo que o Apóstolo chama de “fruto do Espírito” – mas pelo que é negativo e paralisante e opressor contra os outros e nós mesmos: a culpa, a mesquinhez, a repressão, a neurose, a negação, o niilismo. O mundo em que todos se aceitam e se amam, embora faça parte da nossa pregação nominal, nos é aterrorizante por natureza. Tudo na nossa postura batalha contra ele. A “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” não nos interessa. Alguém me dê depressa um líder carismático e um rol muito claro de mandamentos – é só o que pedimos.
Entre os pecadores encontrei um universo livre da superficialidade de igreja e da irrelevância burguesa da faculdade. Aqui estava um mundo que escolhia se definir, na prática e não a partir de qualquer discurso ou demagogia, pela aceitação e pelo amor. Aqui estava gente que tinha tudo em comum, até mesmo – onde está, Mamom, a tua vitória? – o dinheiro. Gente que ignorava rótulos de classe, sexo e conta bancária para se tratar como gente no sentido mais fundamental da coisa. Gente que se recusava a ser manipulada pelo desejo e pelo temor, e fazia isso entregando-se a um e mandando às favas o outro.
A comunhão que experimentam, descobri, não tem limites; sua generosidade, que não espera recompensa que não o instante, não tem paralelo. Os pecadores abrem suas portas uns para os outros a qualquer momento do dia ou da noite; repartem sua droga, seu dinheiro, sua casa e seu pão sem qualquer trâmite ou transação, seja com um irmão importuno ou com o desconhecido em que acabam de tropeçar. Emprestam, terrivelmente, sem esperar receber de volta. Carregam quem precisam ser carregado, descolam um trampo para quem precisa, tiram a camisa para quem vomitou na roupa, emprestam a chave do carro para quem não tem onde fumar, providenciam o apartamento de alguém na praia para o que foi expulso de casa, repartem sem chiar ou cobrem o tanque de gasolina. Trabalham tanto para os outros quanto para si, acolhem com graça incondicional; são compassivos até para com os que não os toleram, longânimos com os que todos já decidiram ser melhor rejeitar. Convivem sem traumas com a consciência, apavorante para nós, de que não são melhores do que ninguém.
Entre os pecadores não transita apenas a legitimidade de quem recusa-se a ter o que esconder: rola, senhoras e senhores, um amor – e tão forte que lança fora todo o medo. São gente boa no sentido afirmativo da coisa. Gente sensualista, mas raras vezes desonesta. Auto-indulgente, mas sempre generosa. Pecadora, mas não proselitista. Matam-se, mas o que fazem pelos outros é só resgatar. Morrem, mas abraçados.
Não é difícil entender porque Jesus curtia tanto a companhia dos pecadores e não escondia seu orgulho em associar-se a eles. A integridade existe e a verdadeira comunhão não é uma impossibilidade: os pecadores legítimos não as desconhecem. Louvados sejam nas alturas os grandes pecadores, porque uma porção fundamental de Jesus sobrevive na Terra apenas através deles.
Arrependo-me, naturalmente, de não ter pecado tanto quanto devia com meus amigos pecadores. Eu, que não consigo viver nem de longe tão perto da inteireza de Jesus quanto eles, deveria ter lhes dado pelo menos essa satisfação.
* * *
Leia também:
O fariseu e o cobrador de impostos


Farah
Ahhhhh!!! Paulo! Paulo! Volte! E peques mais.
Você cada vez mais está pregando um cristianismo zen budista.
O que é muito bom! E muito cristão diga-se de passagem.
Farah
Agora objetivando teu texto, tive um amigo, grande pecador e drogadicto que foi mandado para um cursilho pelos pais.
Claramente numa tentativa de afasta-lo do meio em que vivia. O resultado foi que ele surpreendeu a todos com um discurso semelhante ao teu texto, aonde explicou a todos que o que eles teorizavam ali era exatamente o que ele vivia na prática com seu grupo de ovelhas desgarradas.
Foi excluido do cursilho no terceiro dia, pois estava se fazendo ouvir.
hernan
“Convivem sem traumas com a consciência, apavorante para nós, de que não são melhores do que ninguém”
Essa é, a meu ver, a maior e mais importante virtude que os pecadores podemos apresentar. É o superabundar da Graça.
“Arrependo-me, naturalmente, de não ter pecado tanto quanto devia com meus amigos pecadores”
Obviamente você pecou mais em não ter pecado com eles. Sei bem o que significa isso, como me dói.
Mas nunca é tarde. Vá e não peques mais.
joão lucas
Queria dizer-lhe, caro Paulo Brabo que decepcionei-me com suas afirmações (longe de mim todo dogmatismo), quando vc fala que se arrepende em não ter pecado, que aprendeu muito com aqueles de vida repóbra. Não quero ser puritano, mas o fato é que o pecado nunca compensa e em vez do amado aprender com tais pessoas, deveria buscar espelhar-se em Cristo, apesar de não ter convivido fisicamente com Ele como com os primeiros, mas somente pela fé. Reconheço que és sem dúvida um cara muito intelectual, usa as palavras com muita propriedade. Mas tenha cuidado em não pensar de si além do que convém, a humildade é sempre o melhor caminho. Vejo também em te oh Paulo, que não é o apóstolo mas serve tb ao senhor, uma grande tentativa de explicar as escrituras da maneira mais “racional”, diga-se aqui humanística, possível. Lembre-se meu amado que o evangelho é loucura para o homem natural, mas para nós os que cremos, poder de Deus pra salvar o homem e que Deus escolheu as coisa loucas do mundo para envergonhar as sábias. Desculpe-me por falar assim, sem te conhecer, mas sinto como se vc sentisse a necessidade de elaborar os textos mais intelectuais possíveis para se convencer, tb sinto no amado uma pitada de orgulho. Oro pra que Deus te abençoe grandemente e use teu talento para o louvor de sua glória. Sem mais me perdoe se estiver sendo injusto!
Paulo Brabo
“Mas tenha cuidado em não pensar de si além do que convém…”
A verdade, João Lucas, é que exponho-me aqui para que nem você nem ninguém pense de mim mais do que convém. Não sou, em atos, palavras ou intenções, mais puro ou recomendável do que os pecadores de que estamos falando.
hernan
Farah, o que é um “cursilho”?
Joao Bolzan
Carissimo Paulo, aprecio muitissimo teus escritos, mas nao consigo enxergar tantas virtudes assim em meio aos pecadores, atualmente estou “desviado” ou seja, no meio de pecadores e sinto nua e crua a realidade daqui, percebo que nao existe uma diferença muito grande de atitudes entre aqueles que estao fora ou dentro de instituiçoes religiosas isto sim direi e uma grande verdade. Abraço. Joao.
Farah
Hernan
Isso foi uma moda católica dos anos 60/70 reunia-se um grupo de religiosos com um grupo de fiéis e mais um grupo de jovens com mais de 16 anos, iam para um retiro em local aprazivel e ermo, normalmente um sitio ou algum outro local quase sempre vinculado a alguma instituição religiosa. e ali passavam de 3 a 5 dias convivendo e ouvindo palestras experiencias de vida e sendo doutrinados (os adolescentes) pela igreja católica. ou muito me engano isso começou na Espanha nos anos 50.
Farah
Cursilho
Na verdade havia até um certa divisão na escola em que eu estava na época entre os haviam ou não feito o cursilho.
Farah
Parece que a moda não passou.
http://sidney-nalu.vilabol.uol.com.br/oque.htm
Paulo Brabo
João Bolzan, embora Jesus já tenha sido utlizado para justificar coisas que ele nunca endossou, como impérios, não creio que seria justo usá-lo para legitimar os pecados da carne (por outro lado, Jesus não era visto sentado à mesa com reis, mas com pecadores e prostitutas).
É evidente que sempre que uso o termo “pecadores” para referir-se aos outros é com uma ponta de ironia e autodepreciação, especialmente aqui. Mas também é verdade que o que fazia Jesus perder a paciência eram menos os pecados da carne do que atitudes mais sofisticadas e sutis como hipocrisia, a mentira e o orgulho.
Embora eu tenha contado apenas o que vi e experimentei, meus amigos pecadores nunca glamourizaram ou recomendaram seu modo de vida para ninguém; estando do lado deles você deve saber disso. Penso que a tremenda vantagem da condição do pecador, como comentou o Hernan e conta a parábola do fariseu e do cobrador de impostos, é saber que não é melhor do que ninguém. Os sãos não só não precisam de médico, como não tem acesso a ele.
Ao observar “que não existe uma diferença muito grande de atitudes entre aqueles que estão fora ou dentro de instituições religiosas” você acaba provando da forma mais redundante o terrível argumento que Jesus vivia defendendo: ninguém é melhor do que ninguém, e neste mundo de gente ruim nem os pecadores se salvam.
Trata-se de constatação inseparável da boa nova que a acompanha.
Lauriza
A grande verdade é que “eles” vivem de rosto nu (sem máscaras).
Gosto muito do livro escrito por Charles Swindoll, onde ele diz: “A sobrevivência social dentro e fora da igreja fica, aparentemente, bem mais fácil quando usamos máscaras que escondem quem na verdade somos. Sentimo-nos mais seguros projetando uma imagem de vigor espiritual, de santidade, de perfeito controle da situação.” Até quando?
Ricardo Wesley
Olá Paulo,
Cheguei aqui através do blog de um velho amigo e que descoberta preciosa!… Gostei muito.
Nesse texto você é muito lúcido e honesto.
Antes do fim, por conta da ironia, talvez, senti uma certa idealização da graça e generosidade dos pecadores. Talvez os pecadores daqui (entre os quais eu sou o primeiro) sejam mais pecadores do que os daí. Mas talvez seja apenas uma maneira de dizer, como Lutero há muito tempo já disse… apenas no buraco do pecado eu entendo melhor a grandeza da graça.
Abraço,
Ricardo Wesley
Luiz Henrique Mello
Na prisão (ainda escreverei sobre essa experiência) em meio a ladrões, assassinos e traficantes senti a mesma sensação. É mesmo paradoxal. Houve um outro jovem que sentia-se bem entre esses párias, viveu por aqui há uns dois mil anos atrás.
rubens osorio
Paulo, teus textos me fazem pensar em não mais escrever uma linha… pra dizer o quê???
Tenho mais vontade de ler e refletir sobre o que dizes e sobre o que os outros comentam…
Coisa egoísta mesmo.
Gostei tb de ler um coment do meu mano “malária”. Deus te abençoe, irmão!
Mas ainda tentarei fazer minha contribuição. Qualquer hora destas.
Abraços a todos!
João lucas
Fico entristecido, quando vejo que muitos de nós,que nos julgamos cristãos, não viva como Cristo ordenou, uma vida de santidade, de amor, de fidelidade e de misericórdia ao próximo. Vejo, com pesar no coração, a hipocrisia e a apatia invadir o arraial dos santos. Porém, nós os ditos conscientes dessa realidade, não podemos e nem devemos buscar naqueles do mundo, o modelo de amor e de união para igreja de Cristo. jesus amou profundamente os ditos “pecadores” (publicanos,prostitutas e etc…), mas jamais foi conivente com seus atos, jamais aceitou seus valores morais (tão deturpados). Toda vez que nos evangelhos a vida de pecadores são tomadas como exemplo, são em momentos de arrependimento (parábola do fariseu e publicano), de compaixão (bom samaritano), de humilhação diante de Deus (a prostituta que lavou seus pés com suas lágrimas,enxugou com seus cabelos e ungiu com alabastro) e etc. Enfim em nenhum dos relatos justifica-se ou admira-se as ações daqueles que vivem longe do Senhor, sabe porquê? porquê o padrão, os caminhos, os pensamentos do Senhor são muito mais elevados que os nossos, que dirá daqueles que vivem na carne. Portanto não queiramos buscar qualquer padrão de valores no homem natural mas sim unicamente no Senhor, não usemos como desculpa a hipocrisia, a apatia e afalta de amor de muitos que se auto-entitulam “cristãos”, que nosso único e absoluto parâmetro venha ser a Cristo o qual nunca há de nos decepcionar.
Anderson
Vixi…
É um texto para se esperar reações, mesmo porque não se mostra fácil de digerir. Porém, entendida a ironia peculiar, trata-se de uma bela reflexão.
Hoje, o termo “pecador” tornou-se tão “démodé” que qualquer um de seus usos pode causar grave celeuma. Isso apenas mostra que nós ainda não nos admitimos pecadores.
Assim como o Rubens, gostei de encontrar um post do Malária, que deixou saudades na ABU. Grande abraço!
João lucas
Me esqueci de te alertar caro Paulo, que nós em Cristo Jesus pela fé, não por obras, somos sim mais puros e recomendáveis que os do mundo. Ouça-se bem – EM CRISTO – e somente nEle.
João lucas
Sei que já estou sendo chato, mas queria dizer ao caro Anderson que nós não somos mais pecadores, talvez ele tenha esquecido que na bíblia diz, nas palavras do apóstolo Paulo, que as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo. Assim não somos mais pecadores e sim santos que ocasionalmente pecam, pena que para alguns esse ocasionalmente deva ser trocado por sempre.
Lívia
Paulo, concepção maravilhosa nesse texto… sem pecadores o mundo seria triste e chato… e, afinal, todos somos pecadores…
E credo… que gente hipócrita e teimosa que está comentando aqui…
Khalil
O mestre olhava a multidão e os pecadores convictos destacavam-se.
João Lucas
Eu só gostaria de saber uma coisa, alguém me responda, esse site é direcionado aos Cristãos convictos? por muitos comentários creio que não, não quero julgar a ninguém. Se o site não objetiva o engrandecimento do nome do Senhor, bem como da sua palavra, se o único objetivo é apenas a explanação e propagação de vãs filosofias, que todos me perdoem por estar me metendo onde não sou chamado. Meu único intuito é ver o nome do Senhor glorificado, sem demagogia, sem hipocrisia, apenas com temor e tremor diante de um Deus Benigno e Santo, que exige dos seus filhos santidade e compromisso com sua palavra, o que passar disso vem do maligno.
Farah
João Lucas
Eu particularmente acho que este site não é direcionado, acho que ele na verdade, nos é oferecido, mas acho também que o Paulo deve responder a sua pergunta, se é que alguém deve fazê-lo.
Eu apenas quero declarar que eu sou Amigo do Paulo e o Paulo é meu amigo, eu sou Muslim e me sinto muito a vontade perambulando aqui pela Bacia tenho um grande respeito e admiração pela vida e obra de Jesus(pbuh) um grande profeta e acho que uma das pricipais mensagens que nos foi dada por ele, é que nesta Bacia de Almas flutuante no espaço em que vivemos tanto quanto na Bacia do Paulo, por enquanto existe espaço para todos.
bete
João Paulo, eu sou convicta de que não consigo ser uma cristã convicta. Quanto às suas citações bíblicas, veja, nós poderíamos fazer aqui uma guerra de versículos, mas que só nos afastaria do ponto: somos pecadores. Eu sinceramente gostaria muito de caber em sua frase: “somos santos que ocasionalmente pecam”. Eu já me daria por satisfeita se conseguisse ser uma pecadora que ocasionalmente é santa.
bete
Perdão, onde se lê João Paulo, leia-se João Lucas.
Nelson Costa
Esse bonde é uma maravilha… se eu não tivesse pego, com certeza me acharia um santo perdido nas entrelinhas do inferno (se é que existe).
Paulão (se assim posso chamá-lo) me convide para próxima rodada!
Abraço de Bacia p/ Bacia!
Nele
Nelson Costa
hernan
Bete, eu também ficaria muito feliz se conseguisse ser um pecador que ocasionalmente é santo…
Tato Egg
Bete e Hernan,
+1 aqui!
Khalil
Já tentei glorificar o nome do Senhor muitas vezes e de diversas maneiras. Louvor, adoração, vida, serviço, abstinência, jejuns, oração, serviço social, missões, cultos, noite da pizza, tarde do sorvete, lual evangélico, retiro de casais e mais um leque de opções oferecidos pelo cristianismo. Descobri, as tantas, que não era capaz. Paradoxalmente, ele com um desvio de olhar me põe nas alturas, mesmo
comocom um currículo nada recomendável como o meu. Hoje me pergunto a todo instante: quem glorifica quem?Khalil
Paulo
Por favor, corrija os erros do meu comentário. Dei enter antes de rever. Se não der, delete e eu posto outra vez.
Obrigado.
Anderson
João Lucas, de certo você não está sendo chato. Mas é exatamente tentando vencer a hipocrisia que você aponta, que eu preciso declarar a você e aos demais que não consegui até hoje achar-me mais santo que pecador.
Assim como o Khalil (que postou após nós dois), já tentei de toda forma glorificar a Deus, mas o que poderia eu acrescentar à Sua glória? Como o pobrezinho aqui poderia engrandecer Seu nome? Entendo que nós não fazemos louvor, mas somos louvor, na medida em que o Deus Soberano (que dispensa nosso louvor) aceita comungar conosco, pois isso prova o caráter supracomum de Deus. Se não fosse Deus, quem andaria conosco?
João Lucas
Lamento profundamente por todos aqueles que queiram “ao menos ser pecadores que ocasionalmente são santos” porque nunca o serão. Tudo reside no fato de que pelas minhas justiças e forças jamais alcançarei qualquer êxito espiritual, quanto mais a santificação. O que realmente queria era que os amados compreendessem com os olhos da fé, que somente através e em Cristo é que podemos ser santos. Não no sentido humanístico da palavra, de que nunca mais pecaremos, pois isso seria uma colocação até mesmo anti-Bíblica. É preciso que entendamos que em Cristo e só a partir de Cristo é que somos santos, aos olhos de Deus é claro e o que é muito muito mais importante. Não quero também dar subsídio aqui para o fato de que se em Cristo aos olhos de Deus somos santos então aos olhos dos homens não é importante que sejamos santos também. É de fundamental importância que todos nós, que servimos a um Deus SANTO, também busquemos intensamente uma vida de santidade em todo o nosso proceder. Já disse e repito não quero ser dogmático ou puritano, apenas creio firmemente em um Pai de AMOR e SANTO (Deus) que através do seu espírito, através de sua palavra e da oração, permite aos seus filhos uma vida de vitória sobre o pecado. Não quero ser estúpido de dizer que é simples ter uma vida de santidade porque não é, mas pela graça de Deus tenho provado uma de uma vida de santidade. Continuo pecando? Claro, mas busco em Cristo e somente nEle a vitória sobre a carne bem como todas as suas concupiscências, de mim mesmo não teria essa força. Clamo ao nosso podereso Deus, que todos aqueles que se chamam pelo seu nome tenham o privilégio de provar uma vida de santidade e de intimidade com esse Deus que a cada dia que passa me fascina mais e mais e que também deseja ardentemente fascinar você.
Lou Mello
João, se não conseguir atingir essa santidade toda, ainda assim você será incluso entre os seguidores dele, para horror de todos nós. E a turma do Paulo vai estar lá também. Talvez até o Paulo. Já pensou?
hernan
João Lucas, após os 3 primeiros anos nos quais eu pensava estar “em Cristo” caí na real e percebi que minha carne ainda vivia. Busquei por mais de 6 anos a “vitória sobre a carne”.
Desisti há dois anos. Joguei a toalha. Pedi água.
João Lucas
Nossaaaaaaa, eu tô estarrecido! porque só o que eu vejo na maioria dos comentários é frustração, decepção e derrota espiritual. Fico muito triste com toda essa situação. Eu sei Hernam que minha carne vive e como vive! e vejo constantemente uma luta se travar no meu interior, a carne contra o espírito. O que ocorre é que, quando alimento o espírito, vence o espírito e quando alimento a carne, vence a carne. Então, o que eu busco fazer constantemente é alimentar o espírito para que assim possa vencer os desejos da carne. Eu posso afirmar categoricamente que todas as vezes em que eu pequei e peco foi por não haver alimentado o espírito. Agora não pensem que eu não peco, porque peco e muito, não tenho a falsa ilusão de ser totalmente incorruptível porque só jesus o é. Mas busco uma vida de comunhão com Deus e existe seus altos e baixos como em toda relação; há momentos de unção e momentos de frieza; há momentos de santidade e momentos de pecado; há momentos de certeza mas também de dúvidas; há momentos em que quero ir por mim mesmo, mas deus faz com que eu “quebre a cara” e volte humildemente a sua presença. Sou convicto do quanto sou corrupto, carnal, lascivo e imundo e é justamente por isso que eu clamo insistentemente diante de Deus a cada dia para que não o “eu”, não as minhas vontades(corruptas), mas que o Senhor, a sua vontade e seu espírito reinem em minha vida. Que fique claro, quando digo que sou santo não é por mim mesmo, posto que sou corrupto, mas em Cristo como me assegura sua palavra. Que todos que estão frustrados continuem frustrados consigo mesmos, por que em nós mesmos só há frustração. Nunca responsabilizemos a deus por nossos fracassos espirituais, porque a culpa é inteiramente nossa e com certeza é o nosso foco que está mal direcionado. “entrega teu camino ao Senhor, confia nele e o mais ele fará” Sl. 37:5. SOLI DEO GLORIA
bete
Essa letra eu tirei de minha memória, pode conter erros. É de algum disco dos Vencedores. Infelizmente não disponho de tempo para pesquisar e informar o nome do autor:
Falso véu
Quem é que pode te garantir
que esse teu jeito de servir a Deus
seja o melhor, seja o mais leal
o padrão acima do normal?
De onde vem tanta presunção
de ser mais santo, de ser capaz
de agradar a Deus
crente nota dez
superior acima dos fiéis?
Pobre esse entendimento que não vem do céu
fraco discernimento, frágil, falso véu
tenta encobrir em vão teu lado animal
luta ou perseguição tanto desejo mal
confusão, divisão…
Se alguém quer mesmo agradar a Deus
saber das coisas compreender
mostre em mansidão
de seu caminhar
ser gentil no gesto e no olhar.
E a Diferença que existe em nós
poeira vinda do mesmo chão
é somente o amor que nos alcançou
que nos alcançou
Graça imensa, imenso perdão
É somente o amor que nos alcançou
Graça imensa, imenso favor.
Joao Batista Bolzan
E isso ai Bete!! Essa vc tirou do fundo do bau, muito boa, me fez recordar minha conversao. Concordo plenamente que a melhor maneira de agradar a Deus sao: Compreensao, mansidao e gentileza. Que sao nada mais nada menos que nuances daquilo que Jesus chamou de amor a Deus e ao proximo.
rubens osorio
Vencedores… que saudade!
João Lucas, fazes bem em te manifestar assim, veemente e aquecido pelo amor a Deus. Neste ponto, somos como tu. O frio e a frustração que percebes não é desamor e desencanto. Continuamos apegados a Jesus e seu Reino. Apenas tateamos em busca de nossa fraqueza. Pois quando somos fracos, então somos fortes… Percebes?
Marconi Bartholi
Paulo, dá pra juntar essa tua turma, e cada um daqui da Bacia traz mais uns, e daí a gente faz uma Ceia?
Não esse come-casquinha-de-sorvete-e-suco-de-uva que as igrejas herdaram dos apóstolos; cheios de pode-não pode.
Tô falando de Ceia de verdade, como aquela de Jesus! Com pecadores de verdade, traidores, duvidosos, invejosos, vacilões, mentirosos, mentirosos por três vezes, etc. Sutil a diferença para as ceias posteriores!
Ah, claro! E com comida e bebida de verdade! E música também! A gente deixa até o Hernan falar de política!
Falando sério, vc não sabe como eu tô sonhando com uma Ceia dessa!
João Lucas
SÓ PRA ENCERRAR, EITA TEXTO QUE RENDEU!
hernan
Amei a idéia da Ceia.
Um amigo disse que há 3 simbolismos na Ceia evangélica:
1- O pão-casquinha-de-sorvete que simboliza o corpo;
2- O vinho que simboliza o sangue e
3- O suco de uva que simboliza o vinho.
Farah
Eu também gostei muito da idéia de uma ceia ou um almoço até, mas tem que ter cordeiro assado a moda antiga, tenho até um tempero que eu trouxe oriente médio e aposto que é feito do mesmo jeito há uns 2006 anos. Paulo, podiamos fazer um forno de barro ai no monásterio pra assar carneiro inteiro.
hernan
Farah, assim você me anima a viajar para Curitiba.
Cristiano
Falso Véu: letra de Guilherme Kerr (só podia né), música de João Alexandre (aí já é apelação).
Bem, congratulo-me com o João Lucas sobre as idéias.
Oi Hernan! God bless “ocê”, uai.
Compartilho esse poema-oração daquele mano germânico que se indignou contra a “graça barata”:
QUEM SOU EU?
Quem sou eu?
Seguidamente me dizem que saio da minha cela tão sereno, alegre e firme qual dono de um castelo.
Quem sou eu?
Seguidamente me dizem que da maneira como falo aos guardas, tão livremente, como amigo e com clareza,
parece que eu esteja mandando.
Quem sou eu?
Também me dizem que suporto os dias de infortúnio impassível, sorridente e com orgulho como um que se acostumou a vencer.
Sou mesmo o que os outros dizem de mim? Ou apenas o que sei de mim mesmo?
Inquieto, saudoso, doente, como um passarinho na gaiola, sempre lutando por ar, como se me sufocassem,
Faminto de cores, de flores, às vezes de pássaros.
Sedento por palavras boas, por proximidade humana.
tremendo de ira a respeito da arbitrariedade e ofensa mesquinha.
Nervoso na espera de grandes coisas, em angústia impotente pela sorte de amigos distantes, cansado e vazio até para orar, para pensar, para produzir,
desanimado e pronto para me despedir de tudo?
Quem sou eu? Este ou aquele?
Sou hoje este e amanhã um outro?
Sou porventura tudo ao mesmo tempo?
Perante os homens um hipócrita?
E um covarde, miserável diante de mim mesmo?
Ou será que aquilo que em mim perdura,
seja como um exército em derradeira fuga, à vista da vitória já ganha?
Quem sou eu?
A própria pergunta nesta solidão, de mim parece pretender zombar.
Quem quer que sempre eu seja,
Tu me conheces, oh, meu Deus,
SOU TEU.
Dietrich Bonhoeffer
É… e pensando no saudoso Sérgio Pimenta em duas composições no mesmo disco de “Falso Véu”:
Olha que a coisa é séria, maninho, é para vivenciar. é pra não falar apenas certinho, sem ter vida pra mostrar…
E
Pra não ser apenas um Amigo a mais, Só chamado nas horas fatais.
Pra ser falado em conversas banais. Assim Ele não quer…
Abraçou-me mesmo sujo e lavou-me.
Mas mesmo assim não posso ser Gabriela.
Detestai os legalismos e hipocrisias, ah sim eu também (principalmente as minhas)
então sei que não é abracadabra, mas vou para Filipenses 3:12-16
Naquele que nos ama, Cris de Cristo
Joao Bolzan
Proponho uma boa pasta (como dizemos por aqui)… Moro aqui na Italia.
Paulo Brabo
Excelente. Vamos ter de coreografar essa ceia de modo a fazer caber todos os interessados no Brasil e no exterior. Farah, você me ajuda a fazer o forno de barro e o carneiro. O Marconi, que sugeriu a dita, deve chegar ao Brasil no final de novembro e vai aquietar-se em Joinville, que fica aqui perto. O João Bolzan poderia quem sabe nos mandar da Itália alguma pasta e algum pesto. Outros pecadores acabarão inevitavelmente se envolvendo, alguns dos quais inevitavelmente nos trairão. Mais notícias a qualquer momento ou em edição especial.
Marconi Bartholi
Quer coisa melhor que um carneiro, e ainda mais com esse tempero especial, num encontro desses?
Farah, ajudo tambem na construcao desse forno de barro. Nao sou nada bom como handyman, mas sei seguir instrucoes direitinho!
Hernan, otimo os 3 simbolismo da ceia evangelica! A gente, fieis ao Texto Sagrado, que somos, faremos de tudo pra acabar com o terceiro e apocrifo simbolo!
Quem traz o Sangiovese?
E Paulo, um Monasterio que se preze, alem dos escritos e da meditacao, oferece algum produto caseiramente (ou seria monasticamente a palavra certa?) fabricado. Minha sugestao seria um dos elementos da Ceia!
bete
O paulo fazia deliciosos doces caseiros. Até que um dia, desastradamente, ele usou os potes dos doces para fazer uma experiência com lagartas. Aí ele ficou sem os potes… espero, pois ele foi energicamente instigado por nós a jogá-los fora! Né não, paulo?
Lou Mello
Conforme a política governamental, os idosos devem ter lugar especial e receberem indulgência compulsória do trabalho pesado. No máximo, contribuir com a experiência. Nunca construi um forno, mas posso dar ótimos palpites. Agora, se eu fosse vocês evitaria minha aproximação de coisas empilhadas, vidros, louças enfim, essas bobagens que vivem quebrando conforme vou passando.
Nelson Costa
Ahhhh… vocês estão esquecendo da sobremesa:
Arroz doce, cafézinho e aquela peladinha de final de tarde!
O bate-papo e o resto das 100 garrafas de vinho que irão aparecer ficam p/ de noite!
Abraço do São Costa.
Lou Mello
É Paulo, pelo jeito o prior terá muito trabalho pela frente. Pessoal incorporou o louvor dos pecadores ao pé da letra. Quem falou que alguém aqui toma vinho?
Milton Epstein
Pessoal,
lamentavelmente isto prova o quão maléfica é a “lavagem cerebral” realizada ao longo de nossa história. Vejam o que foi feito com o Sr. João Lucas; um autômato, repetindo a cantilena dos púlpitos religiosos. Juntemo-nos para salvar este “PECADOR”.
Milton Epstein
Paul(ão)o,
à propósito, 2 questões:
1) não vais me chamar para o preparo deste cordeiro? A Rejane ficará brava com você!
2) quando é que você aparecerá por Sampa? Estamos te esperando.
Cristiano
Bem estou em casa alheia, como nota dissonante (talvez até desafinada aos ouvidos da orquestra), para o sr. Epstein seria um “lobotomizado” como o João Lucas, e para o “dono do barraco” um dos dignos de ser ignorado. Mas fora o meu choramingo que o Pai nos esclareça a todos e abra os nossos olhos e lave a nossa mente e nos ajude a seguir a VERDADE em AMOR.
Paulo Brabo
Epa, epa – acalmemos os ânimos que ninguém aqui é mais digno de ser ignorado do que os outros (por outro lado, como ignorar quem cita Dietrich Bonhoeffer?).
Quanto aos supostamente lobotomizados: Milton, não há como escapar da ideologia; como detectou Philip Yancey, os “iluminados” voltam imediatamente a ser culpados do farisaísmo que condenam nos “menos esclarecidos”. Nossa tentação é bater no peito como o fariseu da parábola e agradecer a Deus por não vivermos na cegueira “deles”. Nessa jornada apenas a humildade é lucida, e apenas essa lucidez peculiar ganha pontos.
Dito isto, faremos a tal ceia; se os convidados não vierem chamaremos a galera ignorada das travessas e esquinas. Talvez chamemos essa galera mesmo que compareçam os convidados. Não serei eu a excluir ninguém, dos impenitentes que responderam à chamada aos pecadores que se limitaram a espiar, como vouyeurs – e sei quem vocês são.
Aguardemos então o Advento do Marconi Bartholi, no fim de novembro. Quando ele chegar inauguraremos um documento virgem para tratar da preparação da Ceia.