25 de Setembro de 2006

Demais para nós

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Fé e Crença, Goiabas Roubadas

Especula-se às vezes se a experiência do mistério e da transcendência está mais disponível para os que submeteram-se a alguma espécie de treinamento religioso ou espiritual, para os quais tudo [na experiência religiosa] já foi completamente catalogado e recebeu um nome. Ela pode estar menos disponível para esses precisamente porque têm tudo já nomeado no seu caderninho. Um modo de privar-se de uma experiência é aguardá-la com ansiedade. Outra é dar a ela um nome antes de experimentá-la. Carl Jung dizia que uma das funções da religião é proteger-nos da experiência religiosa. Isso porque na religião formal tudo já está concretizado e formulado. Porém, por natureza, trata-se de uma experiência que apenas você pode ter. Assim que a classifica junto com a de qualquer outra pessoa ela perde seu caráter. Um conjunto preconcebido de conceitos arrebata a experiência, interrompendo-a de modo a que não venha diretamente até nós. Religiões rebuscadas e detalhadas protegem-nos de uma explosiva experiência mística que poderia mostrar-se demais para nós.

Joseph Campbell, Thou Art That

Leia também:
Fé e crença



5 Comentários a respeito de "Demais para nós"

hernan

Hmmmm, a teologia sistemática…



Lou Mello

Outro dia, um astronomo estava sendo entrevistado e quando lhe perguntaram se Deus estava presente no universo, ele respondeu: as religiões fazem parte da ideologia e ela não faz parte do meu campo de estudos.



rubens osorio

Experiência mística… do mistério e da transcendência…

Pergunto: Qual a necessidade dela? E qual sua validade? Se ela pode ser “demais para nós”, pra quê buscá-la?

A vida diária já está repleta de assombros e maravilhas. É só prestar atenção…



bete

A vida diária já está repleta de assombros e maravilhas. É só prestar atenção…

Verdade verdadeira. Acabo de viajar com um anúncio de maquidonaldis. E me lembrei de uma experiência (serei breve) : Certa feita, eu tinha um encontro com umas pessoas num restaurante. Era um encontro pra lá de formal e, mesmo sendo num restaurante, nós não pedimos nada. Era a hora do jantar. Eu não tinha tomado café, não tinha almoçado, e muito menos jantado. Tinha passado o dia na base de cafezinhos. Foi então que, lá, sentada, no centro de um cheiroso restaurante, faminta, nada mais me restou senão me alimentar dos cheiros. E podem acreditar, deu certo, aprendi a técnica, uso até hoje. Foi uma experiência prá lá de mística.



hernan

:lol:



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