02 de Agosto de 2006

Como escapei de comer as larvas letais

Submetido a voz de prisão por   Paulo Brabo

 

Estocado em Quase Ciência

Apesar da tentação e da torcida, como se sabe não cheguei a provar as lagartas malditas que invadiram o Monastério. Foi revelado agora que pode ter sido uma decisão inteligente.

”…se observaron 46 brotes de una enfermedad altamente letal…”

Diz o e-mail que recebi ontem da Embrapa:

Prezado senhor Paulo:

Agradecemos pelo seu interesse pela Embrapa Clima Temperado. Atendendo a sua solicitação, transcrevemos as informações da pesquisadora Myrtes Melo, pertinentes às lagartas negras:

“As larvas pretas são possivelmente insetos do gênero Paraperreyia, que são larvas de himenóptero (insetos da família das abelhas) e não lepidóptero (borboletas e mariposas) como parece ser. São conhecidas por larvas “mata-porcos” porque estes ao ingeri-las se intoxicam. Há relatos (Dutra, 2003) que ovelhas e bovinos tenham se intoxicado no Uruguai. Encontraram-se restos destas larvas no estômago de bovinos necropsiados. Os adultos dessa larva raramente são encontrados; alguns foram encontrados, segundo a literatura, sobre vegetação chamada vassoura, maria-mole, carqueja e branca. Depositam os ovos em grupos de 200 a 700, no solo, abaixo da vegetação e as larvas eclodem depois de 20 a 70 dias. A falta de umidade destrói os ovos em 10 dias. A presença de vegetação em decomposição é importante para a alimentação das larvas jovens. As larvas desenvolvidas se alimentam de pasto verde seco e fezes bovinas; são de cor negra e apresentam hábito gregário locomovendo-se sobre a pastagem em grupos de até 188 larvas.

Se o prezado cliente quiser aprofundar seus conhecimentos poderá consultar as seguintes bibliografias:
Dutra, F. Intoxicación por larvas de Perreyia flavipes en bovinos y ovinos, caracterización de la enfermidad y biologia del insecto. Veterinária (Montevideo) n.38, v.152-153, p. 7-24: 2003.
Lima, A da C. Insetos do Brasil, Hymenopteros.11º tomo, capitulo XXX, 1ª parte. Escola Nacional de Agronomia, Série Didática nº 13, 393 p.”

Esperamos ter esclarecido suas dúvidas, uma vez que por foto fica difícil a identificação. Nos colocamos à disposição para esclarecimentos adicionais. SDS.

Consultando o primeiro item da bibliografia sugerida encontrei esta nota sobre as mortes causadas pela ingestão das larvas da “mosca sierra”:

Entre junio y octubre de 1993, 1994 y 1995, se observaron 46 brotes de una enfermedad altamente letal en la región central del Uruguay. Durante 1995 murieron más de 1000 bovinos y mortalidades de hasta 28% ocurrieron en algunos establecimientos. Los ovinos fueron afectados con menor frecuencia que los bovinos. La mayoría de los animales eran encontrados muertos. Los animales con signos clínicos presentaban debilidad, depresión y temblores musculares, otros exitación y agresividad, muriendo la mayoría antes de los 2 días. Restos de larvas de P. flavipes se encontraron en los pre-estómagos de los 10 bovinos necropsiados.

E a seguinte descrição dos hábitos da versão brasileira – Perreyia lepida ou mata-porco – das larvas letais:

Históricamente, la segunda mosca sierra reportada como tóxica fue Perreyia lepida (Pergidae). Importantes pérdidas de cerdos han sido atribuidas a este insecto en Rio Grande del Sur y Santa Catarina, Brasil, donde las larvas se conocen popularmente con el nombre de “mata porco”. Las larvas son de color negro, miden hasta 2.5 cm de largo y muestran un inusual hábito gregario. En los días fríos y nublados del invierno grupos compactos de larvas se observan desplazándose sobre la pastura, momento en el cual pueden ser ingeridas por los cerdos. No se conoce los hábitos alimentarios de esta especie, aunque las larvas han sido vistas alimentándose de hojas de gramíneas y de plantas arbustivas como Eryngium sp (“cardilla”), así como en heces secas bovinas.

Los adultos emergen entre noviembre y abril. No existe información sobre el lugar de postura de las hembras ni sobre los hábitos de los primeros instares de las larvas. Las larvas desarrolladas son de color negro, miden hasta 2.5 cm de largo y muestran un inusual hábito gregario. Entre junio y septiembre, grupos de larvas se observan desplazándose sobre la pastura, formando una columna alargada. Los grupos son particularmente numerosos los días lluviosos y nublados. Esta forma tan característica de desplazamiento es probablemente usado con éxito por la especie para buscar más alimentos.

La larva totalmente desarrollada sufre una metamorfosis, en la cual la piel se rompe en una abertura antero-posterior que alcanza al primer segmento del tórax. Por esta abertura sale la prepupa, de color blanco-amarillo y de 12,5 mm de largo. Una vez bajo la superficie del suelo la prepupa expele una sustancia clara y viscosa, con la que adhiere pequeñas partículas de tierra y forma una cáscara de protección, de textura coriácea y color negro. La pupa se forma aproximadamente 5 cm bajo la superficie del suelo donde pasa la mayor parte del tiempo en la fase de prepupa. En un período de alrededor de 6 meses la prepupa se transforma en pupa y 15 días después emerge el insecto adulto.

Depois de 3 ou 4 dias convivendo de perto com elas posso confirmar por observação que as sociáveis larvas da Perreyia lepida de fato alimentam-se basicamente de grama ou capim seco; a literatura precisa no entanto ser revista, porque sou testemunha ocular e fotográfica de que andam por vezes em grupos de muito mais do que 188 indivíduos.

O inseto adulto, a pupa e a pré-pupa decidi de repente que prefiro não chegar a ver. Resolvido o mistério das larvas madlitas, pretendo hoje à tarde, numa cerimônia informal, livrar[-me d]as larvas que mantenho em cativeiro.

* * *


Montagem feita com seis fotos tiradas de uma única posição em intervalo de menos de dez segundos. Para conforto dos leitores omiti meus pés, que estavam ali perto.

* * *

O ataque das larvas malditas

  1. O ataque das larvas malditas
  2. Um punhado de larvas
  3. Pisando em larvas (ou quase)
  4. Como escapei de comer as larvas letais


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