31 de Maio de 2006

Breve elegia para uma pessoa que morreu

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

Era uma vez uma pessoa.
Essa pessoa morreu.
Era uma vez essa pessoa.



8 Comentários a respeito de "Breve elegia para uma pessoa que morreu"

rubens pires de lima osorio

Elegia milloriana, tipo hai-kai. Fácil de ler, difícil de escrever. Gostei.



Manuel Anastácio

Digno de Públio Terêncio Varrão! :)



Ivan Volcov

Brilhante, Paulo.

Que tal alterar para:

Era uma vez uma pessoa.
Essa pessoa morreu.
Era uma vez uma pessoa.

Entendo que assim ficaria mais poético e mais chocante.



Paulo Brabo

A esta altura não estou distanciado o bastante do poeminha para avaliar se a sua versão é de fato superior, embora esteja supondo que seja. Posso revelar no entanto que pensei em duas alternativas “de epitáfio” antes de optar definitivamente pela que publiquei (que é cronologicamente a primeira e que por isso achei que devia registrar):

Era uma vez fulano.
Fulano morreu.
Era uma vez fulano.

e

Era uma vez eu.
Eu morri.
Era uma vez eu.



Farah

Eu acho as duas versões interessantes, a do Ivan remete ao eterno texto circular sacramentado no Finnegan’s Wake.

A do Paulo não pode ser acusada disso.

Menciono isto por que quem leu o Joyce vai fazer essa analogia direta e sei lá, é dificil julgar, não se deve fazer um texto circular por que será linkado ao Joyce?

Muito chato isso também não é?

ambasãoboasambasãoboasambas



Fábio

Nunca se esquecerás desse acontecimento
na vida de suas retinas tão fatigadas.



Bony

Lendo os comentários e sugestões, lembrei-me da canção no Lenine, que por sinal é um grande poeta…

EU SOU MEU GUIA – Lenine

Era um menino com o destino do mundo nas mãos
Olhos no dilúvio e os dedos num violão
Dançam cordilheiras, ondeando, ofegando no ar
Roda, minha vida, se eu quiser posso abrir um mar

E eu irei em qualquer direção
E voltarei, sou meu guia

Parto com a lua derramada no espelho do mar
Cartas de um futuro, tenho o mundo pra se revelar
Era o outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor
Roda, minha vida, nas trapaças do Criador

E eu irei…

Quando o sol vem brilhar
E um resto de estrela da noite clareia a manhã
Terra e sol, vento e mar
O segredo que eu trago guardado no meu talismã

Era um menino com o destino do mundo nas mãos
Olhos no dilúvio e os dedos num violão
Era outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor
Roda, minha vida, nas trapaças do Criador

E fui até o outro dia…



Jo Lorib

Gostei da primeira versão. Mais crocante.

Reparou que um verso de tres linhas gera mais comentários que um texto mais longo?

Abraço.



Heaven's Radio
 

 
Inquisição


Arquivos
 

Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail