A esta altura não estou distanciado o bastante do poeminha para avaliar se a sua versão é de fato superior, embora esteja supondo que seja. Posso revelar no entanto que pensei em duas alternativas “de epitáfio” antes de optar definitivamente pela que publiquei (que é cronologicamente a primeira e que por isso achei que devia registrar):
Era uma vez fulano. Fulano morreu. Era uma vez fulano.
Eu acho as duas versões interessantes, a do Ivan remete ao eterno texto circular sacramentado no Finnegan’s Wake.
A do Paulo não pode ser acusada disso.
Menciono isto por que quem leu o Joyce vai fazer essa analogia direta e sei lá, é dificil julgar, não se deve fazer um texto circular por que será linkado ao Joyce?
Lendo os comentários e sugestões, lembrei-me da canção no Lenine, que por sinal é um grande poeta…
EU SOU MEU GUIA – Lenine
Era um menino com o destino do mundo nas mãos Olhos no dilúvio e os dedos num violão Dançam cordilheiras, ondeando, ofegando no ar Roda, minha vida, se eu quiser posso abrir um mar
E eu irei em qualquer direção E voltarei, sou meu guia
Parto com a lua derramada no espelho do mar Cartas de um futuro, tenho o mundo pra se revelar Era o outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor Roda, minha vida, nas trapaças do Criador
E eu irei…
Quando o sol vem brilhar E um resto de estrela da noite clareia a manhã Terra e sol, vento e mar O segredo que eu trago guardado no meu talismã
Era um menino com o destino do mundo nas mãos Olhos no dilúvio e os dedos num violão Era outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor Roda, minha vida, nas trapaças do Criador
rubens pires de lima osorio
Elegia milloriana, tipo hai-kai. Fácil de ler, difícil de escrever. Gostei.
Manuel Anastácio
Digno de Públio Terêncio Varrão!
Ivan Volcov
Brilhante, Paulo.
Que tal alterar para:
Era uma vez uma pessoa.
Essa pessoa morreu.
Era uma vez uma pessoa.
Entendo que assim ficaria mais poético e mais chocante.
Paulo Brabo
A esta altura não estou distanciado o bastante do poeminha para avaliar se a sua versão é de fato superior, embora esteja supondo que seja. Posso revelar no entanto que pensei em duas alternativas “de epitáfio” antes de optar definitivamente pela que publiquei (que é cronologicamente a primeira e que por isso achei que devia registrar):
Era uma vez fulano.
Fulano morreu.
Era uma vez fulano.
e
Era uma vez eu.
Eu morri.
Era uma vez eu.
Farah
Eu acho as duas versões interessantes, a do Ivan remete ao eterno texto circular sacramentado no Finnegan’s Wake.
A do Paulo não pode ser acusada disso.
Menciono isto por que quem leu o Joyce vai fazer essa analogia direta e sei lá, é dificil julgar, não se deve fazer um texto circular por que será linkado ao Joyce?
Muito chato isso também não é?
ambasãoboasambasãoboasambas
Fábio
Nunca se esquecerás desse acontecimento
na vida de suas retinas tão fatigadas.
Bony
Lendo os comentários e sugestões, lembrei-me da canção no Lenine, que por sinal é um grande poeta…
EU SOU MEU GUIA – Lenine
Era um menino com o destino do mundo nas mãos
Olhos no dilúvio e os dedos num violão
Dançam cordilheiras, ondeando, ofegando no ar
Roda, minha vida, se eu quiser posso abrir um mar
E eu irei em qualquer direção
E voltarei, sou meu guia
Parto com a lua derramada no espelho do mar
Cartas de um futuro, tenho o mundo pra se revelar
Era o outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor
Roda, minha vida, nas trapaças do Criador
E eu irei…
Quando o sol vem brilhar
E um resto de estrela da noite clareia a manhã
Terra e sol, vento e mar
O segredo que eu trago guardado no meu talismã
Era um menino com o destino do mundo nas mãos
Olhos no dilúvio e os dedos num violão
Era outro lado do sol, e um perfume de fruta e de flor
Roda, minha vida, nas trapaças do Criador
E fui até o outro dia…
Jo Lorib
Gostei da primeira versão. Mais crocante.
Reparou que um verso de tres linhas gera mais comentários que um texto mais longo?
Abraço.