Em certo país dava-se o nome de metáfora a qualquer recipiente próprio para conter algum líquido. Havia nesse país uma fonte de água cristalina, porém tão amarga que dizia-se bastar um único gole para matar de desgosto um homem adulto; cria-se no entanto que diluída ou em pequenas doses essa água tinha propriedades mágicas ou medicinais, e deu-se a ela o nome de verdade.
Levas de peregrinos acorriam incessantemente à fonte, e partiam para seus lugares de origem levando a verdade em seus vasos metafóricos.
Porém uma rigorosa seita, que cria que a verdade deve ser experenciada sem o auxílio de metáforas, atacava as caravanas de peregrinos. Querendo ensiná-los a obter a verdade em estado puro, os sectários destruíam a pauladas as metáforas que a continham. Quebrados os recipientes, a verdade se derramava e desaparecia no solo, ficando sem ela peregrinos e sectários.
Certa vez um rapaz voltava da fonte levando a verdade em sua metáfora quando viu de longe a aproximação dos sectários. Não querendo ver derramada a verdade que trazia consigo, o rapaz não hesitou e bebeu em goles resolutos toda a água da vasilha.
– Onde está a verdade que você trazia nessa metáfora? – perguntaram os perseguidores.
– Eu bebi – desafiou o rapaz. – Agora a verdade está dentro de mim.
E os sectários mataram-no a pauladas.
Em compensação, começou a correr a notícia de que a verdade, embora amarga, não era mortal, e que o recipiente próprio para conter a verdade era um ser humano. Com o passar do tempo os próprios homens passaram a ser chamados de metáforas, e conta-se que nunca estiveram mais perto da verdade.



hernan
Bela metáfora.
Cassio
Na Grécia de hoje, “metapherein” é o nome dado ao nosso buzão urbano. Imagine estar nele e ouvir o motorista anunciar: “Próxima parada: verdade”. Eu diria: “Pare que eu quero descer antes”.
Paulo Brabo
Surreal ouvir que os gregos usam o termo metáfora em seu sentido literal – de “levar de um lugar para o outro”. É o tipo de coisa tão improvável que não tem como não ser verdade.
bete
Metáfora
gilberto gil
Uma lata existe para conter algo
Mas quando o poeta diz: “Lata”
Pode estar querendo dizer o incontível
Uma meta existe para ser um alvo
Mas quando o poeta diz: “Meta”
Pode estar querendo dizer o inatingível
Por isso, não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata
Na lata do poeta tudonada cabe
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível
Deixe a meta do poeta, não discuta
Deixe a sua meta fora da disputa
Meta dentro e fora, lata absoluta
Deixe-a simplesmente metáfora
Lou Mello
Como você descobriu que eu sou uma metáfora?
Junior
Ah! esta meta, que no dizer de Ed René Kivitz, é uma expansão (do gr. além).
Manuel Anastácio
A minha alma queda-se de espanto…
Ronei jr
Segundo a definição de um importante teórico da literatura, Wolfgang Kayser, a metáfora é “a transferência de significado de uma zona para outra que lhe é estranha desde o início”.
http://www.tvcultura.com.br/aloescola/literatura/poesias/glossario.htm
Pacificador
Sou metáfora informe
meia metade tétrica
de uma meta disforme.
Sou medida sem métrica,
Milagre mais enorme,
maravilha sem réplica.