19 de Dezembro de 2006

38 maneiras de se vencer uma argumentação

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas, Politica

Nº 31.

Se sabe não ter uma resposta para os argumentos apresentados pelo seu oponente, você pode num golpe de ironia declarar-se um juiz incompetente.

Exemplo: “O que você diz ultrapassa os meus pobres poderes de compreensão. Pode muito bem ser verdade, mas não sou capaz de entender, por isso abstenho-me de expressar qualquer opinião sobre o assunto”.

Desta maneira você insinua à sua audiência, diante da qual permanece com uma boa imagem, de que o que seu oponente está dizendo é um contra-senso.

Nº 32.

Um método rápido de livrar-se da declaração de um oponente, ou de colocá-la sob suspeita, é classificá-la debaixo de uma categoria odiosa.

Exemplo: Você pode dizer: “Isso é fascismo”, ou “ateísmo”, ou “nazismo”, ou “superstição”.

Fazendo essa objeção você está pressupondo tacitamente que (1) a declaração em questão é idêntica à categoria mencionada, ou está pelo menos contida nela; e (2) o sistema mencionado foi inteiramente rejeitado pela presente audiência.

Nº 33.

Admita as premissas do seu oponente mas negue a sua conclusão.

Exemplo: “Isso é muito bom na teoria, mas na prática não funciona”.

Nº 34.

Se você apresenta uma pergunta ou um argumento e seu oponente não lhe dá uma resposta direta, contorna-os com outra pergunta ou tenta mudar de assunto, é sinal claro de que você atingiu um ponto fraco, por vezes de forma não intencional.

Você, por assim dizer, reduziu seu oponente ao silêncio.

Insista, portanto, ainda mais no ponto em questão, e não deixe que seu oponente o evite, mesmo quando você não sabe ainda em que consiste a fraqueza que acaba de descobrir.

Ao seguirmos estas regras com esta finalidade, não devemos nos preocupar em qualquer sentido com a verdade objetiva, porque normalmente não sabemos onde está a verdade.

Nº 35.

Ao invés de concentrar-se no intelecto do seu oponente ou no rigor de seus argumentos, concentre-se nos motivos dele.

Se você conseguir fazer com que a opinião do seu oponente, caso se mostre verdadeira, pareça distintamente prejudicial ao seu próprio interesse, ele a abandonará imediatamente.

Exemplo: Um clérigo está defendendo algum dogma filosófico. Demonstre que sua proposição contradiz alguma doutrina fundamental da sua igreja, e ele se verá forçado a abandonar o argumento.

Nº 36.

Você pode também confundir e desconcertar seu oponente através de grandiloqüência pura e simples.

Se seu adversário é fraco ou se não deseja aparentar não ter idéia sobre o que está falando, você pode impor facilmente sobre ele algum argumento que pareça profundo e erudito, ou soe como inquestionável.

Nº 37.

Se seu oponente estiver certo mas, felizmente para você, apresentar uma prova deficiente, você pode com facilidade refutar a prova e em seguida alegar que refutou a posição inteira. É dessa forma que maus advogados perdem boas causas.

Se seu oponente for incapaz de produzir uma prova irrefutável, você ganhou o dia.

Nº 38.

Parta para o ataque pessoal, insultando grosseiramente, tão logo perceba que seu oponente está com a vantagem.

Partindo para o ataque pessoal você abandona o assunto por completo, passando a concentrar o seu ataque na pessoa, fazendo uso de observações ofensivas e malevolentes.

Esta é uma técnica muito popular, porque requer pouca habilidade para ser colocada em prática.

A dialética não precisa ter, portanto, qualquer relação com a verdade – da mesma forma que quem levanta uma cerca não precisar levar em conta qual lado está certo numa disputa de terras.


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14 Comentários a respeito de "38 maneiras de se vencer uma argumentação"

julian

I don’t agree.



Paulo [brabo!]

You can’t hide.



julian

Oh yes I can.



Paulo [brabo!]

No you can’t.



julian

can



hernan

Onde estão as dezoito finais?



Lou Mello

Como sou tolo. Quantos debates perdidos por ignorar que o Schopenhauer havia escrito a Arte da Controvérsia. Dá mais raiva supor que meus opositores possam tê-la lido. Espero que o capítulo final não descreva esse vantagem, exatamente essa. Ai eu morrerei de vergonha.



Tauana

Kd os 18 últimos?



Manuel Anastácio

Infelizmente, estes postulados são largamente utilizados na prática. Schopenhauer limitou-se a sistematizá-los.



Christiani Rodrigues

Ali Kamel (diretor de jornalismo da Rede Globo) usou todas elas em seu texto, justificando-se no Obs. da Imprensa para auto-defesa de sua matéria parcial vergonhosa antes das eleições.

Até…



hernan

Christiani, qual foi a matéria?



Junior

Paulo, você pensa como o filósofo Georges Sorel, de que as pessoas são movidas e unidas por mitos que apresentam soluções simples, claras e emocionalmente gratificantes às complexidades do mundo moderno?

Abraços.



Paulo Brabo

Conheço muito pouco da obra de Sorel para poder dizer que sei como ele pensava; por outro lado, conheço muito pouco do meu próprio pensamento para saber dizer se se alinha com o dele.

Posso dizer que, influenciado por Jung e Joseph Campbell, tendo a crer que as pessoas enxergam e interpretam o universo através de “unidades míticas” que tornam a vertigem da realidade mais palatável – mas não creio que essa tendência seja peculiaridade do mundo contemporâneo, ou que tenha surgido para explicá-lo.



Bertoldo

Bom este post. Vou saboreá-lo devagar, com tempo. Tenho uma página que fala sobre falácias. De como não ser enganado por estas técnicas, como reconhecê-las. Mas isso não serve para muita coisa num país onde as pessoas escutam quem fala MELHOR e não quem TEM o que falar. Abraço!



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