Nº 21. Quando o seu oponente utilizar um argumento superficial e você enxergar essa falsidade, refute-o estabelecendo a natureza superficial desse argumento.
Melhor ainda é rebater o oponente com um contra-argumento tão superficial quanto o dele, só para vencê-lo – afinal de contas é em ganhar que você está interessado, não na verdade.
Exemplo: Se o seu oponente apelar para o preconceito, para a emoção ou para ataques pessoais, devolva o ataque na mesma moeda.
Nº 22. Se o seu oponente pedir que você admita alguma coisa a partir da qual o ponto em discussão pode ser concluído, recuse-se a fazê-lo, declarando que ele incorre em petição de princípio.
Nº 23. Contradição e contenciosidade irritam a pessoa de modo a fazê-la exagerar suas declarações. Contradizer o seu oponente pode levá-lo a estender a sua declaração além dos limites, e quando você contradiz essa manifestação exagerada parece estar refutando a declaração original.
Do modo correspondente, se o seu oponente tentar estender a sua própria declaração mais do que você tencionou, redefina os limites da sua declaração e afirme: “foi isso que eu disse, e não mais do que isso”.
Nº 24. Recorra a um falso silogismo.
Seu oponente faz uma declaração, e você por falsa inferência e distorção das idéias dele extrai à força proposições não-tencionadas e absurdas da afirmação original.
Fica parecendo assim que a proposição do seu oponente trouxe à luz essas inconsistências, restando a impressão de que ela mesma foi indiretamente refutada.
Nº 25. Se o seu oponente está fazendo uma generalização, encontre uma instância que demonstre o contrário. Basta uma contradição válida para derrubar a proposição do seu oponente.
Exemplo: “Todos os ruminantes tem chifres” é generalização que pode ser subvertida pela instância única do camelo.
Se a natureza humana não fosse vil, mas honrosa, não teríamos em qualquer debate outra intenção que não descobrir a verdade. Mas na maioria das pessoas a vaidade inata é acompanhada de loquacidade e inata desonestidade.
Nº 26. Uma manobra brilhante é virar a mesa e utilizar os argumentos do seu oponente contra ele mesmo.
Exemplo: Seu oponente declara: “fulano é ainda uma criança, você deve fazer-lhe uma concessão”. Você retruca: “justamente porque ele é criança devo corrigi-lo, caso contrário ele persistirá em seus maus hábitos”.
Nº 27. Se o seu oponente surpreender você ficando particularmente indignado diante de um argumento seu, insista nesse argumento com ainda maior zelo.
Isso não apenas deixará o seu oponente furioso, mas vai deixar a impressão de que você tocou um ponto frágil na argumentação dele, e de que seu oponente está mais suscetível a um ataque no que diz respeito a esse ponto do que você esperava.
Nº 28. Quando a audiência consistir de indivíduos (ou uma pessoa) que não sejam autoridade no assunto, você pode levantar uma objeção inválida e o seu oponente parecerá ter sido derrotado aos olhos da sua audiência.
Esta estratégia é particularmente efetiva quando a sua objeção faz o seu oponente parecer ridículo, ou quando a audiência ri. Se o seu oponente tiver de fazer uma longa, prolixa e complicada explicação para corrigi-lo, a audiência não estará disposta a ouvi-lo.
Nº 29. Se você perceber que está sendo vencido na argumentação, crie uma diversão – isto é, comece de repente a falar sobre outra coisa, como se isso tivesse importância na matéria em questão.
Isso pode ser feito sem medo se a diversão mostrar ter alguma relação mesmo que genérica com a questão.
Nº 30. Apele para a autoridade ao invés de para a razão.
Se o seu oponente respeita determinada autoridade ou especialista, cite essa autoridade para avançar o seu argumento.
Se necessário, cite o que essa autoridade disse em outro sentido ou circunstância.
Autoridades que o seu oponente não chegou a entender são em geral as que ele admira mais.
Você pode, se necessário, não apenas distorcer as autoridades citadas em seu favor, mas também falsificá-las, citando algo inteiramente inventado por você.
Falam sem pensar, e mesmo que depois percebam que estão errados, querem parecer o contrário. O interesse da verdade dá lugar aos interesses da vaidade: assim, por causa da vaidade, o que verdadeiro deve parecer falso, e o falso verdadeiro.
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julian
I don’t agree.
Paulo [brabo!]
You can’t hide.
julian
Oh yes I can.
Paulo [brabo!]
No you can’t.
julian
can
hernan
Onde estão as dezoito finais?
Lou Mello
Como sou tolo. Quantos debates perdidos por ignorar que o Schopenhauer havia escrito a Arte da Controvérsia. Dá mais raiva supor que meus opositores possam tê-la lido. Espero que o capítulo final não descreva esse vantagem, exatamente essa. Ai eu morrerei de vergonha.
Tauana
Kd os 18 últimos?
Manuel Anastácio
Infelizmente, estes postulados são largamente utilizados na prática. Schopenhauer limitou-se a sistematizá-los.
Christiani Rodrigues
Ali Kamel (diretor de jornalismo da Rede Globo) usou todas elas em seu texto, justificando-se no Obs. da Imprensa para auto-defesa de sua matéria parcial vergonhosa antes das eleições.
Até…
hernan
Christiani, qual foi a matéria?
Junior
Paulo, você pensa como o filósofo Georges Sorel, de que as pessoas são movidas e unidas por mitos que apresentam soluções simples, claras e emocionalmente gratificantes às complexidades do mundo moderno?
Abraços.
Paulo Brabo
Conheço muito pouco da obra de Sorel para poder dizer que sei como ele pensava; por outro lado, conheço muito pouco do meu próprio pensamento para saber dizer se se alinha com o dele.
Posso dizer que, influenciado por Jung e Joseph Campbell, tendo a crer que as pessoas enxergam e interpretam o universo através de “unidades míticas” que tornam a vertigem da realidade mais palatável – mas não creio que essa tendência seja peculiaridade do mundo contemporâneo, ou que tenha surgido para explicá-lo.
Bertoldo
Bom este post. Vou saboreá-lo devagar, com tempo. Tenho uma página que fala sobre falácias. De como não ser enganado por estas técnicas, como reconhecê-las. Mas isso não serve para muita coisa num país onde as pessoas escutam quem fala MELHOR e não quem TEM o que falar. Abraço!