Nº 11. Se o seu oponente admite a verdade de algumas de suas premissas, abstenha-se de pedir que ele concorde com a sua conclusão. Mais tarde introduza suas conclusões na conversa como coisa resolvida ou admitida por ele.
O seu oponente e outros na assistência poderão ser levados a acreditar que foi de fato com a sua conclusão que ele concordou.
Nº 12. Se o argumento move-se para o terreno de idéias gerais que não têm nomes particulares, você deve usar uma linguagem ou metáfora que seja favorável à sua proposição.
Exemplo: O que uma pessoa imparcial chamaria de “fé pessoal” ou “opção religiosa” é descrito pelo seu partidário como “santidade” ou “devoção”, e pelo seu oponente como “preconceito” ou “superstição”.
Nº 13. A fim de fazer com que o seu oponente aceite a sua proposição, apresente também uma contra-proposição oposta.
Se o contraste for acentuado, seu oponente acabará aceitando a sua proposição para evitar parecer controverso.
Exemplo: Se você quer que ele admita que um rapaz deve fazer absolutamente qualquer coisa que o seu pai manda que ele faça, pergunte se o seu adversário acredita que “devemos em tudo desobedecer aos nossos pais”. É como colocar o cinza ao lado do preto e chamá-lo de branco, ou colocar o cinza perto do branco e chamá-lo de preto.
Nº 14. Tente lograr o seu oponente.
Se ele respondeu diversas de suas perguntas sem que as respostas inclinem-se em favor da sua conclusão, avance a sua conclusão triunfantemente, mesmo se não procede.
Se o seu oponente for tímido ou estúpido, e se você possuir uma grande dose de descaramento e uma boa voz, essa técnica pode funcionar.
Nº 15. Se você quer apresentar uma proposição que é difícil de provar, coloque-a de lado por um momento. Ao invés disso, peça que o seu oponente aceite ou rejeite alguma proposição verdadeira, como se fosse através disso que você fosse extrair a sua prova.
Se o seu oponente rejeitá-la suspeitando de alguma armadilha, você obtem o seu triunfo demonstrando o quão absurdo é o seu oponente rejeitar uma proposição que é obviamente verdadeira.
Se o seu oponente aceitá-la, a razão permanece com você pelo momento.
Você pode então ou tentar demonstrar a sua proposição original ou, como no Nº 14, agir como se a sua proposição original tivesse sido provada pelo que o seu oponente admitiu.
Essa técnica requer um grau extremo de descaramento para que funcione, mas a experiência já comprovou inúmeras vezes a sua eficácia.
A Controvérsia Dialética é a arte de debater, e debater de modo a sair por cima, quer você esteja certo ou não.
Nº 16. Quando o seu oponente apresenta uma proposição, considere-a inconsistente com as declarações, crenças, ações ou omissões do oponente.
Exemplo: Se o seu oponente defende o suicídio, pergunte imediatamente: “Então porque você não se enforca?”
Se ele observar que a sua cidade não é um lugar bom para se viver, pergunte: “Então por que você não parte no primeiro avião?”
Nº 17. Se o seu oponente pressioná-lo com uma evidência contrária, você pode com freqüência safar-se defendendo alguma distinção sutil.
Tente encontrar algum significado subjacente ou ambiguidade na idéia do seu oponente.
Nº 18. Se o seu oponente abriu uma linha de argumentação que acabará levando inevitavelmente à sua derrota, não permita que ele a leve até a sua conclusão.
Interrompa o debate, retire-se imediatamente ou leve o seu oponente a mudar de assunto.
Nº 19. Se o seu oponente desafiá-lo expressamente a apresentar uma objeção a algum ponto definido da sua argumentação e você não tem mais nada a dizer, tente fazer o argumento dele menos específico.
Exemplo: Se ele pedir algum motivo pelo qual determinada hipótese não deva ser aceita, fale da falibilidade do conhecimento humano e ilustre com vários exemplos.
Nº 20. Se o seu oponente aceitou todas ou a maior parte das suas premissas, não peça que ele concorde diretamente com a sua conclusão.
Ao contrário, exponha a conclusão você mesmo como se ela também tivesse sido admitida.
Uma pessoa pode estar objetivamente com a razão, e mesmo assim sair por baixo na opinião dos observadores (e algumas vezes na sua própria opinião). Por exemplo, suponha que eu apresente uma prova para demonstrar uma afirmação minha. Se o meu adversário refutar a prova, dará a impressão de estar refutando também a afirmação – para a qual podem, no entanto, haver outras provas. Nesse caso, é claro, meu adversário e eu trocamos de posição: ele sai por cima quando, na verdade, está errado.
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julian
I don’t agree.
Paulo [brabo!]
You can’t hide.
julian
Oh yes I can.
Paulo [brabo!]
No you can’t.
julian
can
hernan
Onde estão as dezoito finais?
Lou Mello
Como sou tolo. Quantos debates perdidos por ignorar que o Schopenhauer havia escrito a Arte da Controvérsia. Dá mais raiva supor que meus opositores possam tê-la lido. Espero que o capítulo final não descreva esse vantagem, exatamente essa. Ai eu morrerei de vergonha.
Tauana
Kd os 18 últimos?
Manuel Anastácio
Infelizmente, estes postulados são largamente utilizados na prática. Schopenhauer limitou-se a sistematizá-los.
Christiani Rodrigues
Ali Kamel (diretor de jornalismo da Rede Globo) usou todas elas em seu texto, justificando-se no Obs. da Imprensa para auto-defesa de sua matéria parcial vergonhosa antes das eleições.
Até…
hernan
Christiani, qual foi a matéria?
Junior
Paulo, você pensa como o filósofo Georges Sorel, de que as pessoas são movidas e unidas por mitos que apresentam soluções simples, claras e emocionalmente gratificantes às complexidades do mundo moderno?
Abraços.
Paulo Brabo
Conheço muito pouco da obra de Sorel para poder dizer que sei como ele pensava; por outro lado, conheço muito pouco do meu próprio pensamento para saber dizer se se alinha com o dele.
Posso dizer que, influenciado por Jung e Joseph Campbell, tendo a crer que as pessoas enxergam e interpretam o universo através de “unidades míticas” que tornam a vertigem da realidade mais palatável – mas não creio que essa tendência seja peculiaridade do mundo contemporâneo, ou que tenha surgido para explicá-lo.
Bertoldo
Bom este post. Vou saboreá-lo devagar, com tempo. Tenho uma página que fala sobre falácias. De como não ser enganado por estas técnicas, como reconhecê-las. Mas isso não serve para muita coisa num país onde as pessoas escutam quem fala MELHOR e não quem TEM o que falar. Abraço!