19 de Dezembro de 2006

38 maneiras de se vencer uma argumentação

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas, Politica

da Arte da Controvérsia de Arthur Schopenhauer

Nº 1. Leve a proposição do seu oponente além dos seus limites naturais; exagere-a.

Quanto mais geral a declaração do seu oponente se torna, mais objeções você pode encontrar contra ela. Quanto mais restritas as suas próprias proposições permanecem, mais fáceis elas são de defender.

Nº 2. Use significados diferentes das palavras do seu oponente para refutar a argumentação dele.

Exemplo: a pessoa A diz: “Você não entende os mistérios da filosofia de Kant”.

A pessoa B replica: “Ah, se é de mistérios que estamos falando, não tenho como participar dessa conversa”.

Nº 3. Ignore a proposição do seu oponente, destinada a referir-se a alguma coisa em particular. Ao invés disso, compreenda-a num sentido muito diverso, e em seguida refute-a. Ataque algo diferente do que foi dito.

Nº 4. Oculte a sua conclusão do seu oponente até o último momento.

Semeie suas premissas aqui e ali durante a conversa. Faça com que o seu oponente concorde com elas em nenhuma ordem definida.

Por essa rota oblíqua você oculta o seu objetivo até que tenha obtido do oponente todas as admissões necessárias para atingir o seu objetivo.

Nº 5. Use as crenças do seu oponente contra ele.

Se o seu oponente recusa-se a aceitar as suas premissas, use as próprias premissas dele em seu favor.

Por exemplo, se o seu oponente é membro de uma organização ou seita religiosa a que você não pertence, você pode empregar as opiniões declaradas desse grupo contra o oponente.

A arte da controvérsia – os meios aos quais os disputantes recorrem para fazer bonito do seu pensamento individual um diante do outro, e demonstrar que ele é de natureza pura e objetiva.

Nº 6. Deixe a questão confusa mudando as palavras do seu oponente ou aquilo que ele está procurando provar.

Chame uma coisa por um nome diferente: diga “boa reputação” ao invés de “honra”, “virtude” ao invés de “virgindade”, “animais de sangue quente” ao invés de “vertebrados”.

Nº 7. Declare a sua proposição e demonstre a verdade dela fazendo ao oponente uma longa lista de perguntas.

Fazendo muitas perguntas abrangentes ao mesmo tempo, você pode ocultar aquilo que está tentando fazer com que o seu oponente admita. Você em seguida avança o argumento a partir de uma admissão do oponente.

Nº 8. Deixe o seu oponente furioso. Uma pessoa enfurecida é menos capaz de usar o seu julgamento ou de perceber onde residem as suas vantagens.

Nº 9. Use as respostas que o seu oponente dá à sua pergunta de modo a alcançar conclusões diferentes ou opostas.

Nº 10. Se o seu oponente responde a todas as suas perguntas negativamente e recusa-se a ceder em qualquer ponto, peça que ele concorde com a versão oposta das suas premissas.
Isso pode confundir o seu oponente quanto ao ponto em particular a respeito do qual você está tentando fazer com que ele ceda.

Pois a natureza humana é tal que, se “A” e “B” estão refletindo em conjunto, e comunicando as suas opiniões um ao outro a respeito de qualquer assunto, e “A” percebe que os pensamentos de “B” sobre o mesmo assunto não são os mesmos que os seus, ele não começa revisando o seu próprio processo de raciocínio, a fim de descobrir qualquer erro que possa ter cometido, mas pressupõe que o erro tenha ocorrido no raciocínio de “B”.


OUTRAS PÁGINAS DESTE DOCUMENTO
Página 1 Página 2 Página 3 Página 4


14 Comentários a respeito de "38 maneiras de se vencer uma argumentação"

julian

I don’t agree.



Paulo [brabo!]

You can’t hide.



julian

Oh yes I can.



Paulo [brabo!]

No you can’t.



julian

can



hernan

Onde estão as dezoito finais?



Lou Mello

Como sou tolo. Quantos debates perdidos por ignorar que o Schopenhauer havia escrito a Arte da Controvérsia. Dá mais raiva supor que meus opositores possam tê-la lido. Espero que o capítulo final não descreva esse vantagem, exatamente essa. Ai eu morrerei de vergonha.



Tauana

Kd os 18 últimos?



Manuel Anastácio

Infelizmente, estes postulados são largamente utilizados na prática. Schopenhauer limitou-se a sistematizá-los.



Christiani Rodrigues

Ali Kamel (diretor de jornalismo da Rede Globo) usou todas elas em seu texto, justificando-se no Obs. da Imprensa para auto-defesa de sua matéria parcial vergonhosa antes das eleições.

Até…



hernan

Christiani, qual foi a matéria?



Junior

Paulo, você pensa como o filósofo Georges Sorel, de que as pessoas são movidas e unidas por mitos que apresentam soluções simples, claras e emocionalmente gratificantes às complexidades do mundo moderno?

Abraços.



Paulo Brabo

Conheço muito pouco da obra de Sorel para poder dizer que sei como ele pensava; por outro lado, conheço muito pouco do meu próprio pensamento para saber dizer se se alinha com o dele.

Posso dizer que, influenciado por Jung e Joseph Campbell, tendo a crer que as pessoas enxergam e interpretam o universo através de “unidades míticas” que tornam a vertigem da realidade mais palatável – mas não creio que essa tendência seja peculiaridade do mundo contemporâneo, ou que tenha surgido para explicá-lo.



Bertoldo

Bom este post. Vou saboreá-lo devagar, com tempo. Tenho uma página que fala sobre falácias. De como não ser enganado por estas técnicas, como reconhecê-las. Mas isso não serve para muita coisa num país onde as pessoas escutam quem fala MELHOR e não quem TEM o que falar. Abraço!



Heaven's Radio
 

 
Inquisição


Arquivos
 

Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail