Manuscritos estocados em Junho do Anno 2006 de Nosso Senhor
18 de Junho de 2006

Loira

Jurássicas

Uma publicável das ilustrações que adornavam as paredes politicamente incorretas da sala de Criação da SK Propaganda quando eu trabalhava lá. Clique para ampliar.

Clique para ampliar

obrigado Bart por me mandar essa

17 de Junho de 2006

A morte

Sonhos

Sonhei na noite de quinta para sexta-feira que havia sido assassinado. Morri com um único tiro de trabuco no peito, pela mão de um homem triste que matou comigo outras duas pessoas, e no sonho a morte era indolor e silenciosa e vi de imediato a futilidade e a prepotência da minha tentativa de proteger da morte (como havia feito, sem sucesso) os que estavam comigo.

Logo em seguida, como nos créditos finais de um filme, o assassino desapareceu tela acima e começou a rolar um festivo clipe de música: uma multidão sempre crescente avançava pelas ruas centrais de uma grande cidade, descendo de aindames e subindo de estações de metrô, reunindo-se em grupos cada vez maiores e cantando incessantemente sob uma mesma vigorosa cadência, celebrando em perpétuo clímax uma unânime e não-vista vitória. A reviravolta está em que foi-me concedido saber que a música (talvez inédita na vida real) era de autoria do assassino; Deus ou destino exigiam que eu me dobrasse à ironia que era ser eliminado pelas mãos de quem criara música tão bonita e tão rigorosamente celebratória, e na morte e no sonho cantei e, balançando incredulamente a cabeça, sorri.

16 de Junho de 2006

Sobre os recatos perdidos

Goiabas Roubadas, Sociedade

É claro que uma pessoa saturada com o falso gosto dos tempos vitorianos, e relutante em ver a vida representada com sinceridade, hesitaria naturalmente diante de muitas fases da literatura moderna – mas isso é culpa da insinceridade vitoriana, não da literatura moderna. Não há o que se lamentar com o fim da hiprocisia e melindres vitorianos. Basicamente, não foi tanto a vida que mudou, mas meramente costumes e modos de expressão. E como grande parte dessas mudanças foram no sentido de uma maior sinceridade, creio que há mais que louvá-las que deplorá-las. É por certo uma infelicidade que alguma consideração e amenidade tenham perecido junto com a untuosa hipocrisia, mas no fim das contas creio que os lucros superam os prejuízos.

Nunca houve um “velho modo de vida equilibrado e natural”: o que havia era um perfumado reboco de falsa atenciosidade e convencionalismo emplastrado sobre um mundo de cega hesitação essencialmente indistinguível do nosso. Muitos dos ideais pelos quais as coisas eram julgadas eram tão falsos e vazios que resultavam em desajustamento perpétuo e hipocrisia crescente, ao mesmo tempo em que o insensato padrão de polida delicadeza gerava um modo de expressão que anulava o mérito da maior parte dos esforços artísticos.

Supervalorizamos a era vitoriana porque foi a última fase não-mecanizada do mundo.

H. P. Lovecraft, em carta de 24 de janeiro de 1933 a Elizabeth Toldridge.

15 de Junho de 2006

Caracu fatiado

Ilustração

O cliente queria que mostrássemos numa única ilustração a robustez do caracu e o atrativo da sua carne; brinquei sugerindo à Viviane da Duetto que mostrássemos o bicho inteiro sendo fatiado, e para meu desespero ela gostou da idéia. Tivemos de arranjar um modo atraente aceitável de apresentar a noção.

Clique para ampliar.

Clique para ampliar

14 de Junho de 2006

O canto remix do pássaro-lira

Quase Ciência

O naturalista David Attenborough apresentando o atordoante canto do lyrebird – pássaro terrestre australiano que para impressionar a fêmea é capaz não apenas de imitar acuradamente o sons de outras 20 espécies de pássaros, mas também de incorporar no seu repertório ruídos tecnológicos como obturadores de máquinas fotográficas, alarmes de carro e motosserras.

Bastante pós-moderno da parte dele.