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Manuscritos estocados em Janeiro do Anno 2006 de Nosso Senhor
26 de Janeiro de 2006
e-brabo.comIlustraçãoFiz esta para divulgar entre clientes e agências o meu novo sáite de ilustração em e-brabo.com. É só clicar para visitar.
26 de Janeiro de 2006
O primeiro diaGoiabas Roubadas
A CRIAÇÃO: O primeiro dia No primeiro dia da criação Deus produziu dez coisas: os céus e a terra, Tohu e Bohu, a luz e as trevas, o vento e a água, a duração do dia e a duração da noite. Embora o céu e a terra consistam de elementos inteiramente diferentes, eles foram criados como uma unidade, “como um panela e sua tampa”. Os céus foram formados da luz dos trajes de Deus, e a terra da neve de debaixo do trono divino. Tohu é uma faixa verde que engloba o mundo inteiro, e produz a escuridão, e Bohu consiste nas pedras do abismo, que produzem a água. A luz criada no princípio não é a mesma luz do sol, da lua e das estrelas, que apareceram somente no quarto dia. A luz do primeiro dia era de tal natureza que teria permitido que o homem enxergasse num só relance o mundo inteiro de uma ponta a outra. Antecipando a perversidade das gerações pecaminosas do dilúvio e da Torre de Babel, que eram indignas de desfrutar da bençao dessa luz, Deus a ocultou, mas no mundo que está por vir ela aparecerá aos piedosos em sua glória original. Leva-se quinhentos anos para se caminhar da terra ao céu, e de uma extremidade do céu à outra, e é necessário o mesmo tempo para se viajar do oeste ao leste, ou do sul ao norte.Diversos céus foram criados, na verdade sete, cada um com um propósito particular. O primeiro, visível para o homem, não tem função exceto a de encobrir a luz durante a noite, e por isso desaparece a cada manhã. Os planetas estão presos ao segundo céu; no terceiro o maná é fabricado para os piedosos no porvir; o quarto contem a Jerusalém celestial juntamente com o Templo, no qual Miguel ministra como sumo sacerdote e oferece as almas dos piedosos como sacrifício. No quinto céu residem as hostes de anjos, e cantam louvor a Deus, embora apenas durante a noite, pois durante o dia a tarefa de dar glória a Deus nas alturas é de Israel, na terra. O sexto céu é um lugar sinistro; ali originam-se a maior parte das provações e visitações ordenadas para a terra e seus habitantes. Empilhados naquele lugar estão neve e granizo; há sótãos cheios de orvalho nocivo, armazéns abarrotados de tempestades e porões que comportam reservas de fumaça. Portas de fogo separam essas câmaras celestiais, que estão sob a supervisão do arcanjo Metraton. Seu conteúdo pernicioso maculou os céus até o tempo de Davi. O piedoso rei orou que Deus expurgasse de sua exaltada morada qualquer coisa que estivesse prenhe de maldade; não era próprio que tais coisas existissem tão próximas ao Misericordioso. Apenas então elas foram transferidas para a terra. Correspondendo aos sete céus, Deus criou sete terras, cada uma separada da seguinte por cinco camadas. Acima da terra mais inferior, Erez, jazem em sucessão o abismo, Tohu, Bohu, o mar e as águas. Chega-se então à sexta terra, Adamah, cena da magnificência de Deus. Do mesmo modo, Adamah é separada da quinta terra, Arka, que contém o Gehenna e Shaa’re Mawet e Sha’are Zalmawet e Beer Shahat e Tit ha-Yawen e o Abadon e o Seol e onde as almas dos perversos são guardadas pelos Anjos da Destruição. Semelhantemente, a Arka segue-se Harabah, “a seca”, lugar de riachos e ribeirões, apesar de seu nome; a terra seguinte, Yabbashah, “o continente”, contém os rios e nascentes. Tebel, a segunda terra, é a primeira habitada por criaturas vivas, trezentas e sessenta e cinco espécies, todas essencialmente diferentes das da nossa terra. Algumas têm cabeças humanas presas a um corpo de leão, serpente ou boi; outras têm corpos humanos encimados pela cabeça de algum desses animais. Além disso, Tebel é habitada por seres humanos com duas cabeças e quatro mãos e pés – na verdade, têm todos os orgãos duplicados exceto o tronco. Acontece de vez em quando que as partes dessas pessoas duplas disputam umas com as outras, especialmente quando comem e bebem, ocasião em que cada uma exige para si a porção maior. Essa espécie de humanidade é notável por sua grande piedade, outra diferença entre ela e os habitantes da terra.
Este documento faz parte da série Lendas dos judeus
25 de Janeiro de 2006
ArtRage 2.0IlustraçãoArtRage é um software de pintura digital com duas versões: uma gratuita, versão que (naturalmente) usei para fazer este teste, e outra comercial (US$ 20) com direito a mais opções e pincéis. O programa tem uma interface simples e maneira (muito parecida com a do Sketchbook Pro), que nunca se coloca no caminho da pintura. Basta apertar o botão direito do mouse para continuar pintando sem ser atrapalhado pelas paletas de ferramentas, e mesmo quando as paletas estão aparecendo elas apagam-se magicamente quando o pincel virtual passa por cima delas. Clique para ampliar:
Curto especialmente as tintas a óleo dessa versão gratuita do ArtRage, que são de fazer inveja aos Artist’s Oils do lendário Corel Painter, que custa mais de 300 dólares. Funciona perfeitamente com o mouse, mas flui muito mais naturalmente com uma mesa digitalizadora. Para baixar, visite o sáite artrage.com. 24 de Janeiro de 2006
AssentamentoManuscritosO estudante tinha viajado para a praia a fim de mergulhar nas apostilas, mas a febre não o deixava estudar e os sonhos não o deixavam descansar. O comprido prédio de quatro andares da colônia de férias não estava oficialmente concluído (a piscina permanecia um losango de barbante estendido entre estacas sobre a lama arenosa), mas já vinha sendo usado havia anos e era a terceira vez que o estudante se hospedava aqui: a primeira sozinho. Era o momento mais baixo da temporada, chovia incessantemente e o estudante passou a enxergar o quarto frugal (os colchões depositados diretamente sobre bandejas de concreto) com a aceitação resguardada com que um condenado pisca para sua cela de prisão. Ele devia estar estudando para o vestilbular, mas só fazia folhear O País de Outubro de Ray Bradbury, que havia contrabandeado no fundo da mochila, sentir o peso da chuva por baixo do cobertor da febre, e sonhar. O canto setentrional da praia de Piçarras ficava a três ou quatro quadras de distância. O trajeto era orlado por hotéis e edifícios progressivamente mais altos e elegantes do que o seu, mas todos pareciam igualmente vazios. Quase todos os dias, uma ou duas horas antes do anoitecer, a chuva cedia, e às vezes o estudante conseguia violentar-se e forçar-se a uma caminhada. Essas ocasiões enchiam-no de partes iguais de tédio, empolgação, arrependimento e assombro. Visão mais sinistra do que a praia deserta sob as nuvens opressivas, ver as baratas do mar deslizando para as frestas da rocha quando ele passava, era dar as costas para o mar e encarar a pálpebra cega da orla ao anoitecer: prédio contra prédio contra as encostas dos morros, tudo inteiramente às escuras. Ele caminhava devagar para o sul, onde a curva da praia perdia-se na neblina; na noite que se aperfeiçoava, meia dúzia de janelas iluminadas diluíam-se ao redor da figura solitária, entre o mar confuso e trezentos prédios. O estudante observava fascinado o requinte com que a cidade balneária se deixara adornar pelas severidades do abandono. A faixa de areia diante da avenida beira-mar era uma exibição de decrepitude: placas de publicidade, lanchonetes, bancos, piers, sorveterias, bancos 24 horas e cabanas desabavam obscenamente uns sobre os outros, todos rigorosamente arranhados pela lepra branca da maresia. A calçada oposta, com suas lojas e entradas de prédios protegidas por gradeados e profanadas por pichações sem convicção, não oferecia maior consolo. Não fosse o rugido do mar, o estudante sabia, os únicos sons naquelas ruas desoladas seriam os seus. Ou, talvez pior: por causa do mar ele não tinha como saber. Na volta da sua primeira caminhada, pisando a areia junto da água morna, o estudante encontrou o que não sabia dizer se era um osso ou uma acha de madeira que o mar havia polido à perfeita brancura para enganar-se do seu tédio. 23 de Janeiro de 2006
Matutino da Casa, Nr.3 Ano 1Documentos, Família
Eu sabia que falávamos de antes de 1978, mas a capa deste número 3 do Matutino da Casa traz a data 11-4-76, portanto cabe supor que o número 2 seja mais antigo. Eu tinha oito anos. O tédio parece ter tomado conta da casa da Rua Florianópolis em Londrina, mas isso não era empecilho para os intrépidos redatores do Matutino. Não importa o que não aconteça, não parem as rotativas – esse parece ter sido o nosso lema. Sinto dizer que há pouco de notável neste número. Destaque absoluto para a capa, desenhada pela Isa. Até os classificados parecem ter sido sugados pelo tédio (“dá-se preguiça aos montes, montinhos e montões”). De algum interesse é a página 6, com texto e ilustração deste que vos fala e a página 7, que contém uma receita de Bolo Fofinho© (“que o pai acha palhoso… mas é gostoso”) – testada e aprovada pela “cozinha experimentada Isa” – e uma declaração apócrifa de amor do pae para a mãe. continue lendo >
Este documento faz parte da série O Matutino da Casa
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os arquivos dA Bacia das Almas estocados em Janeiro 2006.
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