Os programas que enviam spam, aquela estirpe indesejada de mensagens de email que poluem a sua caixa de entrada, são estranhos. E não é só o fato de que querem convencer você a comprar o que você não quer, a emprestar dinheiro que você não tem como pagar, a redimensionar partes do corpo que você prefere não reformular e a aumentar toda sorte de desempenhos pessoais.
Eles também devolvem mensagens que você nunca enviou, mudam a ortografia para escaparem os filtros automáticos e – o que me parece mais interessante, quase milagroso – criam pessoas, usuários de email que não existem fora da lógica randômica deles. Meu domínio, por exemplo, recebe mensalmente centenas de mensagens destinadas a contas que oficialmente não existem: ronald@brabo.ppg.br, suellen@brabo.ppg.br, denis@brabo.ppg.br, e assim por diante.
Tive que acionar um filtro automático para me livrar desse tipo de incômodo, porque confesso que tinha pena quando era obrigado apagá-los um a um. Era como se estivesse eliminando da existência uma pessoa possível, uma daquelas almas de criancinhas penduradas no limbo, e a sensação não era boa. Hoje esses funcionários fantasmas desaparecem automaticamente no éter da internet, mas de vez em quando volto para dar uma conferida.
As mensagens continuam chegando. Por onde andará o Austin, de austin@brabo.ppg.br? E a Suellen, que hoje não veio trabalhar? E o Vasquez, que recebeu um cartão de ocarteiro.com.br e não aparece para abrir?
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