01 de Abril de 2005

Sem noção

Investigado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Gírias e Falares

Tudo bem, então. Deixe-me reassumir a minha missão civilizatória antes que o mundo afunde novamente num caos informe de trevas completas.

Alguém talvez lembre que eu já me perguntei anteriormente se algum gênio teria percebido antes de mim que a gíria é uma espécie espontânea e revigorante de poesia popular. Naturalmente, alguém percebeu.

Em 1892 o rebelde poeta americano Walt Whitman, celebrado autor de Leaves of Grass, descreveu a gíria como “um arranque de fantasia imaginação e humor, soprando em suas narinas o sopro da vida” e espalhando “riquíssimos flashes de humor e genialidade e poesia”.

O “sopro da vida”, é claro, é o poder criativo e regenerador das novas ideias; nesse sentido é a gíria é o soro que mantém línguas velhésimas vivas artificialmente. Somente as línguas que não se reinventam morrem.

Por isso, quando você usa gíria está, mesmo sem perceber, contribuindo para salvar o seu próprio idioma com o sopro renovador da reinvenção e da poesia. Se você quer que a sua língua morra e caia no esquecimento, fale e escreva certinho.

Mó sem noção.



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Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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