Tudo bem, então. Deixe-me reassumir a minha missão civilizatória antes que o mundo afunde novamente num caos informe de trevas completas.
Alguém talvez lembre que eu já me perguntei anteriormente se algum gênio teria percebido antes de mim que a gíria é uma espécie espontânea e revigorante de poesia popular. Naturalmente, alguém percebeu.
Em 1892 o rebelde poeta americano Walt Whitman, celebrado autor de Leaves of Grass, descreveu a gíria como “um arranque de fantasia imaginação e humor, soprando em suas narinas o sopro da vida” e espalhando riquíssimos flashes de humor e genialidade e poesia”.
O “sopro da vida”, é claro, é o poder criativo e regenerador das novas idéias; nesse sentido é a gíria é o soro que mantém línguas velhésimas vivas artificialmente. Somente as línguas que não se reinventam morrem.
Por isso, quando você usa gíria está, mesmo sem perceber, contribuindo para salvar o seu próprio idioma com o sopro renovador da reinvenção e da poesia. Se você quer que a sua língua morra e caia no esquecimento, fale e escreva certinho.
Mó sem noção.




Bony Chiarelli
Hum… manjei.
Escrever e falar certinho implica na morte lenta da língua nativa. Mas, acredito que errar propositadamente e cantarolar gírias ensaiadas não trazem a devida evolução [reinvenção].
Para mim, os erros e também as gírias devem ser naturais, imperceptíveis e até [quem sabe?] tipicamente regionais. Isto sim é o “up-grade”.
Manjou???
Farah
Você me lembrou o Viagem ao Pais da Gramática do Lobato, que tinha o asilo para os arcaísmos e a prisão para os neologismos. E a Emilia vai lá e liberta os neologismos todos defendendo exatamente esse refreshment dos idiomas.