27 de Janeiro de 2005

Mais de uma

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em 1984

– Quer uma bala? – ofereceu meu tio Donald.

Estávamos no seu escritório na Perkons, e ele me explicava sobre o projeto que anos mais tarde se concretizaria no Lince, aquele controlador de velocidade que fica pendurado nos postes regulando a sua vida, e que transformou magicamente em vias morosas as vias rápidas da cidade.

Quando aceitei, ele colocou sobre a mesa uma jarra imensa de vidro cheia até a boca de balas – de revólver.

– Tiradas das lombadas eletrônicas – ele disse.



3 Comentários a respeito de "Mais de uma"

Enio Souza

Paulão, quanta coincidência!

Eu sempre brinquei com a criançada perguntando: quer uma bala?

E para resposta (quase sempre) afirmativa delas eu replicava num teatral jogo de cena, com o dedo apontado para elas: qual calibre? Como tio “massa” que sempre fui, essa pergunta, na realidade, nunca vinha vazia. Era sempre um pretexto para uma aproximação. Claro que eu já saía de casa com algumas balinhas no bolso.

Mas voltando às balas de revolver cravadas nos pardais, creio que muitas daquelas que estão naquele vidro foram materialização das que me imaginei atirando, principalmente depois de ter recebido 2 multas absolutamente injustas, em descidas íngremes que você só não é multado se pisar com força no freio.

Mas coincidência mesmo foi te achar no cinema ontem.

Cara, sinceramente, acho que você cresceu ou eu diminuí. Não éramos tão distantes assim um do outro.

Pensei que fosse mais fácil te encontrar na Internet, por isso julguei inicialmente que havia te encontrado no lugar mais improvável. Mas depois, enquanto voltava para casa, concluí que aquele era um lugar ainda mais provável do que a própria Internet. Afinal, seções promocionais de cinema costumam atrair os amantes da telona mais duros ou mãos-de-vaca de carteirinha.

Só ontem encontrei dois: o Paulão e uma amiga gasparense que há muito não a via.

De fato, quem olha de fora, nunca saberá ao certo em qual dessas duas categorias pertence toda essa gente enfileirada. Mas uma coisa é certa: ninguém sai ileso de classificação. Eu, por exemplo, comprei apenas meio litro de refrigerante para nós 3. O balde de pipoca, também para 3, foi “de grátis”. Eu tinha direito ao “refil”, já que havia comprado um Combo semanas antes que dava direito ao reabastecimento mediante entrega do pacote vazio.

No meu lado direito, um casal tirava cuidadosamente uma pequena garrafa de coca-cola, daquelas com tampa de rosca que não fazem barulho ao abrir.

Tudo em nome da economia!

Alguns se acham, outros se perdem, como é o caso do nosso amigo Ivan, que tomou Doril ao final da seção.

Beijos

Enio



Ivan Volcov

Como amigo dos dois preciso me desculpar publicamente.

Desculpem não ter aparecido. Eu estava tendo um encontro comigo mesmo. Pensem, se eu tivesse aparecido o encontro de vocês dois não teria sido suficientemente pessoal. Teria praticamente se tornado público, e isto serviria apenas para prejuizo de meus amigos.

Comentando o seu comentário:

Interessante é que neste mesmo dia eu e o Paulo nos encontramos no Shopping a meio caminho das Lojas Americanas, o melhor lugar para se comprar refrigerante (R$1,59 600 ml), ele indo e eu já voltando com duas garrafas. Foi bom ouvir de você a respeito de mais gente que sabe fazer diferença entre regras boas e aquelas que devem ser ignoradas. Digo isto me referindo estritamente aos refrigerantes no cinema.

Foi bom ter notícias suas.

Paz e Amor



Enio Souza

Ivan, meu querido! Que pena que não nos encontramos.

Estava com a Helo, minha filha, e a Marilene. Falei de você para ela, mas ela não conseguiu linkar o nome à pessoa. Tenho certeza de que quando ela te ver, vai se lembrar.

Ainda sobre os refris, certa vez estávamos nós 3 no Shoping Barigui fazendo um lanche antes da sessão. Já tínhamos as entradas compradas e eu aproveitei para comprar 2 latinhas de Fanta Laranja, com o propósito de evitar pagar R$ 12,00 pelo tal Combo. Bem, quando fui comprar a pipoca é que percebi que não era permitido entrar com refrigerante, exceto os vendidos no cinema.

Bem, a essa altura já era tarde. Botei tudo na bolsa da Marilene e, claro, esperei o melhor momento para abrir as latinhas para não ser denunciado: uma cena de ação bem barulhenta.

Quase ninguém percebeu!

Paz!



Heaven's Radio
 

 
Inquisição


Arquivos
 

Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail