Ah, de novo não se trata exatamente de gíria, mas preciso colocá-la aqui para homenageá-la e livrar-me dela.
Pode ir reto toda vida, resposta que ainda se ouve quando se pede atrás do volante determinadas direções, é hipérbole tão hiperbólica que chega a ser lírica. Já pensou? Ir reto toda a vida?
“Pode ir reto toda a vida.”
Penso em escrever um conto ou romance sobre um Forrest Gump tupiniquim que se lance em seguir esse insensato mandamento ao pé da letra; um matuto, advogado ou pescador que resolva seguir simplesmente reto toda a vida, passando por vales, rios e montanhas, cruzando porteiras, plantações e estacionamentos, esgotando dia após dia nesse seu trajeto alinhado e concentrado, sem olhar para trás para não tornar-se indigno, sem perder a fé nem o rumo, alcançando finalmente o fim da vida antes de chegar ao fim do caminho.
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