Em outro lugar da internet alguém sugeriu que sou um autor inventado às pressas por Jorge Luis Borges, autor cuja característica distintiva é ter criado histórias sobre autores e livros que não existiram.
Daí, né, imaginei escrever uma história sobre um escritor que publica apenas um ou dois livros e dedica o resto da sua vida a redigir, em absoluto segredo, os livros e artigos de um escritor fictício que, depois da sua morte, será publicado sob um nome fictício, e cuja obra consistirá unicamente em comentar os livros que o autor “original” publicou e explicar a sua grandeza para o mundo. Dessa forma o sujeito estaria criando ao mesmo tempo a sua obra e o comentarista ideal para ela.
Para garantir de fato a compreensão, esse segundo autor fictício (não o da história que imaginei, o segundo, inventado por ele na história) poderia, por sua vez, criar dois ou três autores fictícios para explicar a sua própria obra, e – ta-ram! – assim por diante.
No caso de Borges, e num sentido muito real, talvez tenha sido o que aconteceu.





