12 de Janeiro de 2005

O outro outro

Investigado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

Em outro lugar da internet alguém sugeriu que sou um autor inventado às pressas por Jorge Luis Borges, autor cuja característica distintiva é ter criado histórias sobre autores e livros que não existiram.

Daí, né, imaginei escrever uma história sobre um escritor que publica apenas um ou dois livros e dedica o resto da sua vida a redigir, em absoluto segredo, os livros e artigos de um escritor fictício que, depois da sua morte, será publicado sob um nome fictício, e cuja obra consistirá unicamente em comentar os livros que o autor “original” publicou e explicar a sua grandeza para o mundo. Dessa forma o sujeito estaria criando ao mesmo tempo a sua obra e o comentarista ideal para ela.

Para garantir de fato a compreensão, esse segundo autor fictício (não o da história que imaginei, o segundo, inventado por ele na história) poderia, por sua vez, criar dois ou três autores fictícios para explicar a sua própria obra, e – ta-ram! – assim por diante.

No caso de Borges, e num sentido muito real, talvez tenha sido o que aconteceu.



Inquisição


Arquivos


Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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