A Páscoa é, evidentemente, idéia mais momentosa e alucinante do que o Natal. Ninguém pode nos ensinar a nascer, mas Jesus pode me ensinar a morrer, o que, neste mundo que prefere ignorar até mesmo a sua incapacidade de lidar com a última certeza, talvez seja o ensino mais útil de todos.
Bastaria na verdade saber como morrer para viver em “novidade de vida”, mas a Páscoa me toma pela mão e me faz percorrer terreno ainda mais improvável e sublime: obriga-me a contemplar a possibilidade mais improvável e a reviravolta mais desejada de todas: a ressurreição. Nenhum final é suficientemente trágico enquanto estamos vivos, porque se vemos e choramos diante de Romeu e Julieta mortos no palco, sabemos que nós mesmos estamos ainda vivos. Mas quando os atores levantam-se para receber os aplausos, algo estranho e sublime acontece. Talvez, passa pela nossa cabeça, alguém seja capaz de segurar a espada da morte e voltar depois que as cortinas caem para receber os aplausos. A bondade de Shakespeare mantém Romeu e Julieta vivos e de certa forma eternos – e, por vias sempre misteriosas, a encenação repetida da mesma tragédia transforma-os num estranho emblema de esperança. Talvez nenhum veneno seja plenamente eficaz; talvez uma bondade extrema faça a adaga perder para sempre o seu fio.
É a respeito desse improvável momento que Tolkien diz:
Pois essa história em particular é suprema – e é verdadeira. A Arte foi comprovada. Deus é Senhor de anjos, homens e elfos. Lenda e História encontraram-se e fundiram-se.
A morte pode não ser a última a sorrir.




Alice
Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.
Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso SENHOR Jesus Cristo.
1 Coríntios 15:54-56