20 de Maio de 2005

O meio-sorriso de Harrison Ford

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Pormenor

Os dois episódios mais recentes (I e II) de Guerra nas Estrelas não me impressionaram. Não são fortes na Força, por assim dizer, a despeito de toda a pirotecnia visual e supostamente dramática.

O que sinto mais falta, é claro, é de Han Solo, tanto o ator quanto o personagem. O shapeshifter – o cara cuja lealdade não se pode exatamente confiar ou compreender e cujas motivações não são nem religiosas nem puras.

O cínico meio-sorriso de Ford está ausente desses últimos episódios (até mesmo de A Vingança dos Sith, que ainda não vi), e temo sinceramente pelo que todos aqueles fundamentalistas Jedi podem fazer se deixados por si mesmos – não importa de que Lado estejam.



6 Comentários a respeito de "O meio-sorriso de Harrison Ford"

Bony Chiarelli

Sou um “starwars freak”. Senti uma enorme falta do Han Solo nos primeiros episódios da saga.

Da mesma forma quando mostraram a infância do Darth Vader [Anakin Skywalker], esperava ver as péssimas influencias de Han Solo em sua adolescência. Cheguei até a sonhar em ver no epísódio “a vingança dos Sith” [que também não assisti] a família do Chewie ou quem sabe até seu nascimento.

Mas “algumas virtudes foram abandonadas”. Assim, temos que nos deparar com o fechamento da saga neste tempero evolucionista. Se bem que tudo tem que evoluir ou “acompanhar a maré”.

É muito chato ficar comparando os filmes produzidos nos anos 80 com estes contemporâneos. É muito chato ficar comparando Alan Parsons com Jamiroquai. É muito chato ficar comparando Edir com Zacarias. É muito chato… o esquema é evoluir [???].

:mrgreen:



Paulo [brabo!]

Não tem comparação – como se diz nas Índias Ocidentais.

Mas não será injusto comparar uma história com a outra, especialmente quando o autor é o mesmo. Os ingredientes que fazem uma história funcionar são difíceis de ponderar. É difícil dizer que A Vila é pior do que O Sexto Sentido, especialmente porque o filme mais antigo alterou a minha percepção do mais recente.

Star Wars, como Kill Bill, já foi uma série em que cada episódio era capaz de mudar criativamente a nossa percepção do anterior. Quem poderia dizer, antes de O Império Contra-Ataca, que Luke era filho do Capa Preta? Quem poderia dizer que Léia era irmã de Luke antes de O Retorno de Jedi? No fechar das cortinas tudo fazia um sentido novo e inesperado.

Essa capacidade de recriar a nossa percepção da linha narrativa está ausente dos episódios I e II. Aqui é tudo muito mais linear: trata-se meramente da longa descida de Anakin ao inferno. Tudo necessário para que os episódios IV, V e VI possam se desenrolar como os conhecemos, mas sem o mesmo impacto criativo.

Ah, talvez eu esteja sendo de fato exigente demais. Talvez seja injusto comparar as minhas expectativas de hoje com uma história que aconteceu há muito, muito tempo atrás, numa galáxia distante.

Contra a nostalgia não há como argumentar.



Ivan Volcov

Assisti o filme ontem :grin: cercado de crentes :palmas:, evangélicos :shock: e protestantes :???: por todos os lados.

É evidente que o roteiro não é o de um Matrix :cool:. Pois ninguém poderia esperar alguma surpresa, todos já vimos o fim da história. Trata-se de um fecho digno para uma obra admirável.

Minha próxima missão será assistir todos os seis filmes em um dia, tão logo episódio III saia em DVD. Assim como fiz com os três episódios de Matrix :cool: e de O Senhor dos Anéis.



Paulo [brabo!]

Ah, foi-se o tempo em que meu melhor amigo esperava para ir comigo a uma estréia importante.

Mas com nostalgia não dá para argumentar: a evolução dos outros às vezes me deixa mais sozinho.



Bony

Concordo com o Lázaro Ivan Volcov em que o esquema é: já sabíamos o final.

Hey, quarta-feira estarei em Curitiba… que tal irmos ao cinema juntos, Paulão???

Nostalgia já foi crime, sabia?

:bug:



Bart

Paulo. Veja o 3 episódio. HOJE!!!! Delicie-se. Você não vai sentir falta de nada. Até porque isso tudo aconteceu antes da existência do Han (seria meio incoerente). Mas a força está lá, está com você, ao seu lado na sala de cinema.

A família do Chewie também está lá. O Anakin está mais sombrio do que nunca e teve, além dos piores, o mais bonito e digno motivo para explorar o lado negro: o amor. Faça como eu, vá assistir disprovido de qualquer expectativa e de mente aberta. Você vai se surpreender.



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