O que o deixou talvez mais espantado foi ver o quanto, no Brasil, um visitante demora a se despedir.
Frank, meu cunhado americano, ficou absolutamente de cara com alguns costumes que presenciou no Brasil neste último Natal e passagem de ano. It boggles my mind, dizia ele. O que o deixou talvez mais espantado foi ver o quanto, no Brasil, um visitante demora a se despedir. Ele percebeu que aqui no Monastério, depois de conversar horas à mesa, as visitas despedem-se na cozinha, depois novamente na varanda, depois anfitriões e visitantes ficam literalmente horas conversando junto do carro (e algumas vezes alguma lembrança ou convite de última hora arrasta todos novamente para dentro, onde recomeça o processo) – até que o último adeus seja finalmente pronunciado.
Expliquei que para o brasileiro, que Sérgio Buarque de Hollanda definiu brilhantemente como o homem cordial, é muito constrangedor ser aquele que desencadeia a despedida final. É quase tão embaraçoso para o visitante dizer que está finalmente indo embora quanto para o anfitrião dar qualquer sinal de que ele já deveria mesmo estar indo. Expliquei que é de praxe, depois de prolongar a despedida por horas (e, naturalmente, depois de oferecer alguma coisa para comer), quando os visitantes finalmente declaram que a conversa está boa, mas é melhor a gente ir indo, interromper com um intransponível espere aí que estou passando um cafezinho.
Para um sujeito que mora na América, onde os convites impressos não anunciam apenas a hora em que uma festa começa mas também o horário exato em que ela termina (o horário em que todo mundo, acredite ou não, vai embora), deve ser mesmo difícil de entender.
“Então quem diz tchau primeiro perde?”, concluiu o Frank, em bom inglês.
![]()




