06 de Novembro de 2005

Milonga do muro judeu

Entregue em consignação por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas

Em cada muro um lamento
Na Jerusalém dourada
E mil vidas mal gastas
Em cada mandamento.
Eu sou pó do teu vento
E ainda sangro da tua ferida,
E cada pedra querida
Guarda meu amor mais profundo,
Não há pedra no mundo
Que valha o que vale uma vida.

Eu sou um muro judeu
Que vive entre cristãos
Não sei qual Deus é o meu
Nem quem são meus irmãos

Não há morto que não me doa
Não há facção vencedora,
Não há nada além de dor
E outra vida para alçar vôo.
A guerra é escola muito ruim
Não importa o disfarce que vista,
Perdoem-me que não me aliste
Sob bandeira nenhuma
Vale uma quimera, qualquer uma,
Mais que um pedaço de pano triste.

Eu sou um muro judeu
Que vive entre cristãos
Não sei qual Deus é o meu
Nem quem são meus irmãos

E a ninguém dei permissão
Para matar em meu nome,
Um homem não é mais que um homem,
E se há Deus, assim o quis.
O próprio solo que piso
ficará, e terei ido;
Rumo também a ser esquecido
Não há doutrina que não avance
Não há povo que se canse
De crer-se o povo escolhido.

música:
Jorge Drexler
letra:
Chicho Sánchez Ferlosio (estribilho)
Jorge Drexler (décimas)

Por cada muro un lamento
en Jerusalén la dorada
y mil vidas malgastadas
por cada mandamiento.
Yo soy polvo de tu viento
y aunque sangro de tu herida,
y cada piedra querida
guarda mi amor más profundo,
no hay una piedra en el mundo
que valga lo que una vida.

Yo soy un moro judío
que vive con los cristianos,
no sé que Dios es el mío
ni cuales son mis hermanos.

No hay muerto que no me duela,
no hay un bando ganador,
no hay nada más que dolor
y otra vida que se vuela.
La guerra es muy mala escuela
no importa el disfraz que viste,
perdonen que no me aliste
bajo ninguna bandera,
vale más cualquier quimera
que un trozo de tela triste.

Yo soy un moro judío
que vive con los cristianos,
no sé que Dios es el mío
ni cuales son mis hermanos.

Y a nadie le dí permiso
para matar en mi nombre,
un hombre no es más que un hombre
y si hay Dios, así lo quiso.
El mismo suelo que piso
seguirá, yo me habré ido;
rumbo también del olvido
no hay doctrina que no vaya,
y no hay pueblo que no se haya
creído el pueblo elegido.



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