Estávamos discutindo, num fóro norte-americano, a controversa proposta do Departamento de Educação do estado da Georgia de banir a palavra “evolução” do currículo escolar, a fim de aliviar a pressão que os professores recebem de pais religiosos.
A superintendente Kathy Cox explicou que o conceito de evolução continuaria a ser ensinado, mas que a palavra proibida deixaria de ser mencionada. Substituindo “evolução” pela expressão politicamente correta “mudanças biológicas ao longo do tempo”, o Departamento esperava que a questão deixasse de ferir as sensibilidades mais conservadoras.
Pois é, aquele tópico de discussão deixou meus amigos americanos profundamente divididos. De um lado os liberais (na sua maior parte não religiosos) enfatizaram o absurdo que era trocar-se seis por meia-dúzia e por um motivo tão mesquinho; do outro, os conservadores (na sua maior parte cristãos evangélicos), alegaram que a discussão era em si mesma preconceituosa e que os liberais estavam polarizados em rotular os conservadores de estúpidos, incultos e retrógrados.
Lá pelo meio da discussão um liberal entrou batendo o pé.
É, esse tipo de pensamento não me assusta mais porque se um desses nazistas [referindo-se aos cristãos conservadores] entrar aqui na minha casa vai sair é numa mortalha.
E não venha com essa lenga-lenga religiosa para o meu lado, não importa de que cor ou matiz você seja, ou de que religião estejamos falando. Odeio todos eles do mesmo jeito que me odeiam por não me curvar à agenda egoistinha deles [...].
Só acho que sou mais capaz de proteger meus direitos humanos no trabuco do que o governo com o blá-blá-blá deles, mas o ódio dos dois lados é tamanho que gente como eu, que fica no meio, acaba sendo usada com o escudo humano em discussões políticas.
Entre divertido e chocado com a posição do sujeito, respondi assim:
Fulano, cuidado com o Lado Negro. Ira, medo, agressão, o lado negro da Força eles são. Fluem com facilidade, e rápido juntam-se a você numa batalha. Se trilhar o caminho negro, para sempre ele irá dominar o seu destino, consumi-lo ele irá.
Mortalhas e trabucos são propriedade histórica de gente religiosa, não de livres-pensadores. Favor não invadir o nosso território.





