O escritor e ilustrador cult Neil Gaiman, celebrado autor da série de quadrinhos Sandman, é chapa do meu amigo Julian; os dois já trabalharam juntos em alguns projetos e estão agora trabalhando em outro. Outro dia o Julian teve a desfaçatez de me dispensar dizendo que tinha de sair para jantar com Gaiman.
Neil Gaiman já esteve no Brasil e teve uma excelente impressão. Ele por sua vez contou ao Julian que é muito fácil para um estrangeiro causar uma boa impressão nos brasileiros. Basta, ensinou ele, dizer a cada quinze minutos o quanto você adora o Brasil. Aparentemente você faz o maior sucesso, mesmo que esteja fugindo inteiramente do assunto.
Para treinar, a cada vinte frases que trocamos no messenger o Julian às vezes ainda interrompe: I love Brazil.
À sabedoria de Gaiman só pude acrescentar que a pergunta que as pessoas mais farão ao Julian quando ele estiver aqui será fatalmente “o que você está achando do Brasil?” Achei até provável que Gaiman tenha aprendido a queimar etapas, disparando nos brasileiros a resposta antes de ser atingido pela pergunta. Nós gostamos de ser amados, expliquei ao Julian.
E ele, do nada, mudou de assunto:
– Have I told you how much I love Brasil recently?





