Meus amigos americanos não são exceção. A porção mais civilizada do mundo ocidental está furiosa com Deus – ou, mais propriamente, com a idéia de Deus e com todo o atraso que ela parece evidentemente trazer.
Quando argumentei com meus amigos que houve épocas em que tanto cristãos quanto muçulmanos eram infinitamente mais esclarecidos e mente aberta do que são hoje em dia (por exemplo, na Espanha muçulmana dos séculos IX e X), alguém comentou “mas eles se matavam também naquela época”.
Tenho de concordar que matar os outros é coisa crente, e não de gente de fé. A crença, no entanto, não precisa necessariamente ser de natureza religiosa.
Como argumentei em outro lugar, as pessoas crêem e matam em nome de outras coisas pelo menos tão impalpáveis quanto Deus – como, por exemplo, a idéia de “nação”. Há gente que mata em nome da lealdade, da justiça, da igualdade, da nação, da democracia, da paz e até do amor – além de no nome de Deus.
Você pode argumentar dizendo que quem mata em nome do amor não compreende a verdadeira essência do amor – mas então devo dizer: aha!
Está vendo?





