Gente rica tende a ser mais feliz do que gente pobre, sustenta uma pesquisa recente da Universidade da Pensilvânia. A pesquisa concluiu ainda que as pessoas em geral avaliam a sua “felicidade financeira” menos a partir das coisas que o seu dinheiro pode comprar do que pela comparação da sua própria renda com a de outras pessoas.
“Ao avaliar a sua própria renda os indivíduos costumam compará-la à de gente da mesma idade. Dessa forma, o alegado nível de felicidade de cada um depende do seu desempenho financeiro em comparação ao de outros na mesma faixa etária.”
Em retrospecto, essa conclusão deveria parecer óbvia. Em algum momento do século XX, como parte da catequização do capitalismo, fomos ensinados a avaliar o quanto somos ricos não a partir do que possuímos, mas a partir de quanto os outros são mais pobres do que nós.
Os outros são a medida da nossa felicidade, e a inveja é nosso exigentíssimo motor.
Embora tenhamos muito mais do que os mais ricos de vinte anos atrás, fomos ensinados a crer que o que temos não pode efetivamente nos satisfazer. Para manter o capitalismo rodando, não podemos nos concentrar em tudo de satisfatório que já possuimos, mas naquilo que possuem os consumidores mais eficazes do que nós. Os outros são a medida da nossa felicidade, e a inveja é nosso exigentíssimo motor. Afinal de contas, alguém tem sempre renda maior – alguém é sempre mais feliz.
“Ao invés de promover a felicidade integral, o crescimento contínuo da renda acaba promovendo uma guerra de consumo, em que os indivíduos consomem mais e mais apenas para manter um nível constante de felicidade.”
Certo está o Néviton, que insiste que rico de verdade é quem não tem nada a perder.
Leia também:
A ansiedade das coisas



hernan
Paulo, você é um cara que vê. Um verdadeiro histor.
Luiz Henrique Mello
Ou não deseja mais nada, em termos materiais.