03 de Março de 2005

Deus, nação e outras coisas em que as pessoas acreditam

Submetido a voz de prisão por   Paulo Brabo

 

Estocado em Fé e Crença, The Net

O tópico de discussão que já mencionei, sobre o ensino da evolução nas escolas norte-americanas, descambou logo de uma diatribe sobre as limitações inerentes do sistema legal para um grito unânime de lamentação pelas barbaridades realizadas historicamente em nome de Deus e da religião. A esse grito eu poderia tranqüilamente me juntar. Mas o alívio, todos pareciam concordar, é que vivemos agora numa sociedade menos simplista e mais esclarecida, livres em grande parte dos danos causados por superstições tão prejudiciais.

Quando notei que o farisaísmo maior procedia (coisa rara) da parte dos não-religiosos, pronunciei-me novamente:

Olha, do meu ponto de vista o que está em pauta é se alguém pode realmente acreditar numa abstração particular – digamos, Deus, amor, amizade, lealdade, anjos, poesia, justiça social, lei, direitos humanos, arte, fadas e nações – e ainda permanecer confiável, perspicaz e íntegro.

Não é difícil argumentar com sucesso que a improvável crença no esclarecido conceito de “nação” (um conceito a propósito muito artificial e abstrato) tem causado historicamente pelo menos tanto dano quanto o conceito atroz de um “Deus pessoal” – muito embora talvez tenhamos mais razão “natural” para crer em abstrações como Deus (não importando como você o/a/os vê) do que em artificialidades como raças e nações.

Será possível ser fiel a uma abstração e ainda assim reter o bom senso?



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