Logo chegará o domingo, e com ele o referendo que deve trazer um ponto final – ? – às lodosas discussões sobre a lei que proíbe o comércio e o porte de armas de fogo.
O resultado não me interessa porque não espero dele nada de concreto, mas os debates interessam-me menos ainda. Trata-se de questão circular, na qual a estratégia de ambos os lados está em tentar suplantar o oponente em virtude. Os partidários da Lei Seca pregam com olhos úmidos um mundo sem violência e sem ameaças à integridade da vida, enquanto os contrários à Proibição levantam-se com voz embargada para defender as famílias que ficarão à mercê da descapitalização caso se permita que a lei passe. Diante de tanto heroísmo, fica difícil decidir quem tem o coração mais puro.
De minha parte, concluo que a única coisa que devo defender com mais ardor do que o pacifismo é a anarquia, entendida como a não-intervenção do estado nos negócios da gente comum. A separação entre Igreja e Estado deve poder incluir os que fazem da violência a sua religião. É por isso que, ao contrário dos propagandistas, é por questão de ideologia e não de altruísmo que estou decidido a dizer não à referida Lei.
Quem dera os referendos fossem mais freqüentes e/ou retroativos, e eu diria não a todas.
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