Um artigo da última Scientific American opina que a humanidade está numa encruzilhada sem precendentes – um momento de decisão marcado por coordenadas como energia, poluição, população, biodiversidade, saúde pública, alimentação, água, empregos e clima. Individualmente esses fatores sempre representaram problema, mas nunca neste grau e de forma tão interrelacionada quanto neste primeiro degrau do milênio.
O ano de 2005 marca o fulcro central de uma década que representará três transições fundamentais e únicas na história da humanidade. Antes do ano 2000 o número de jovens sempre foi maior do que o número de velhos. Desde 2000 há mais gente velha do que nova. Historicamente, sempre houve mais gente morando no campo do que na cidade. De 2007 em diante a população urbana será mais numerosa do que a rural. Desde 2003 as mulheres ao redor do mundo têm tido e continuarão a ter, em média, filhos suficientes apenas para repor o seu próprio lugar e o do pai na geração seguinte – ou menos.
As três mudanças são avassaladoras em sua singularidade e suas conseqüências, mas a última me pegou particularmente de jeito. Eu, que como muitos idealizo e sinto falta da grande família grande, vou continuar sentindo.
As tendências são evidentes na vida diária. Muitos de nós já tiveram a experiência de se perder na sua cidade natal, que cresceu ao ponto de não a reconhecermos mais. O crescimento, porém, tende a se desacelerar à medida que as famílias diminuem. Cada vez mais crianças crescem não apenas sem irmãos, mas sem tios, sem tias e sem primos.
Caracas, crescer sem irmãos já me parece suficientemente ruim, mas sobreviver sem tios, tias e primos me parece inconcebível. Chegará o dia em que o último tio dará o seu último suspiro e então seu cargo será uma curiosidade, mera nota de rodapé no museu de figuras históricas que não existem mais – ao lado de “taquígrafo”, “meeirinho” e do sujeito que acendia as lamparinas nas esquinas quando anoitecia.
Os jantares de final de ano da família terão, no máximo, oito pessoas – normalmente, apenas três.

FALTAM 3 DIAS PARA A EXPEDIÇÃO CORDEL


Bart
Paulo, só quem cresceu, como nós, cercados por famílias grandes sabe a falta que isso já tem feito e vai fazer. Já tem feito, porque temos menos tempo para nossas grandes famílias. Mas agora que chegou a minha vez de ter uma família, me peguei pensando: não é por falta de vontade de ter mais filhos. É por falta de tempo para fazê-los, para criá-los, para educá-los. E com menos tios, tias e primos, com quem vamos deixar nossos 6 filhos, para podermos, quem sabe, fazermos um sétimo. A solução? Com os amigos.
Boa sorte meu amigo na sua expedição.
Paulo [brabo!]
Ah, Bart, os amigos são uma graça quase tão improvável quanto os filhos. E, como sabem dizer o Arthur e os dois filhos e duas filhas do Julian, enquanto houver amigos os tios não estarão verdadeiramente extintos.
Nem, se eu puder evitar, os primos.
Bony
Case-se e plante pelo menos 2 filhos, grande guerreiro!!!