Paulo Brabo, 26 de dezembro de 2005

Como dormir numa rede

Estocado em Brasil

Eu e o Julian passamos duas noites da Expedição Cordel na arejada mansão do engenhoso Arievaldo Viana em Caucaia, cidade tão próxima a Fortaleza que chega a ser indis­tin­guí­vel dela. Foi no seu escri­tó­rio, trans­for­mado em dor­mi­tó­rio para nosso benefício, que o Ari introduziu-nos no segredo milenar de como se dormir numa rede – ou baladeira, que é o ine­vi­tá­vel nome pitoresco que ele usa.

Eu adoraria, para benefício dos leitores da Bacia, ter filmado a impagável demons­tra­ção que o Arievaldo (como em tudo mais) tão entu­si­as­ti­ca­mente nos fez. Posso no entanto repetir o essencial: numa baladeira não se dorme de comprido (A), como um defunto, nem per­pen­di­cu­lar­mente (B), na posição de crucifixo. Ambas as posições podem ser fatais para a sua coluna e para o dia seguinte.

A reco­men­da­ção do espe­ci­a­lista é deitar na rede trans­ver­sal­mente©, com os membros esprai­a­dos. Nessa posição a rede fica mais aberta e mais nivelada e a sua espinha mais reta: com alguma sorte você e sua coluna poderão sobre­vi­ver a uma noite inteira desse abuso, fato do qual eu mesmo sou evidência palpável.


Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. Meu livro mais recente, que você deve desejar comprar, é As divinas gerações. Esta é a Bacia das Almas, mas hoje em dia escrevo antes de tudo na Forja Universal.


 

Paulo Brabo Brasil

Eu e o Julian passamos duas noites da Expedição Cordel na arejada mansão do engenhoso Arievaldo Viana em Caucaia, cidade tão próxima a Fortaleza que chega a ser indis­tin­guí­vel dela. Foi no seu escri­tó­rio, trans­for­mado em dor­mi­tó­rio para nosso benefício, que o Ari introduziu-nos no segredo milenar de como se dormir numa rede – ou baladeira, que é o ine­vi­tá­vel nome pitoresco que ele usa.

Eu adoraria, para benefício dos leitores da Bacia, ter filmado a impagável demons­tra­ção que o Arievaldo (como em tudo mais) tão entu­si­as­ti­ca­mente nos fez. Posso no entanto repetir o essencial: numa baladeira não se dorme de comprido (A), como um defunto, nem per­pen­di­cu­lar­mente (B), na posição de crucifixo. Ambas as posições podem ser fatais para a sua coluna e para o dia seguinte.

A reco­men­da­ção do espe­ci­a­lista é deitar na rede trans­ver­sal­mente©, com os membros esprai­a­dos. Nessa posição a rede fica mais aberta e mais nivelada e a sua espinha mais reta: com alguma sorte você e sua coluna poderão sobre­vi­ver a uma noite inteira desse abuso, fato do qual eu mesmo sou evidência palpável.


Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. Meu livro mais recente, que você deve desejar comprar, é As divinas gerações. Esta é a Bacia das Almas, mas hoje em dia escrevo antes de tudo na Forja Universal.


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