Eu e o Julian passamos duas noites da Expedição Cordel na arejada mansão do engenhoso Arievaldo Viana em Caucaia, cidade tão próxima a Fortaleza que chega a ser indistinguível dela. Foi no seu escritório, transformado em dormitório para nosso benefício, que o Ari introduziu-nos no segredo milenar de como se dormir numa rede – ou baladeira, que é o inevitável nome pitoresco que ele usa.
Eu adoraria, para benefício dos leitores da Bacia, ter filmado a impagável demonstração que o Arievaldo (como em tudo mais) tão entusiasticamente nos fez. Posso no entanto repetir o essencial: numa baladeira não se dorme de comprido (A), como um defunto, nem perpendicularmente (B), na posição de crucifixo. Ambas as posições podem ser fatais para a sua coluna e para o dia seguinte.
A recomendação do especialista é deitar na rede transversalmente©, com os membros espraiados. Nessa posição a rede fica mais aberta e mais nivelada e a sua espinha mais reta: com alguma sorte você e sua coluna poderão sobreviver a uma noite inteira desse abuso, fato do qual eu mesmo sou evidência palpável.




Ana
Exceto por exatos três dias no mês (em que sou obrigada a dormir em uma cama pelo fato de ser mulher) durmo todos os dias em minha rede azul e verde, que doravante chamarei de baladeira.
Fiquei feliz ao saber que instintivamente (como boa descendente de indios) deito-me da forma correta.
Deito-me e logo pego no sono, pois Ele me faz repousar segura e a baladeira me embala o sono.
Se algum dia vieres a Pernambuco voltarás a dormir em uma.